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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Crítica: Morgan Delt- Phase Zero


A Sub Pop tem-nos habituado ao longo dos anos com bandas de uma fragilidade sonora imensa, abençoadas pela nebulosidade do íncrivel mundo da editora americana. Percursores influentes como "Metz", "I Love You Honey Bear" ou o mais recente "Depression Cherry"... Toda essa nebulosidade viaja ocasionalmente até à década de 70 onde os sintetizadores fundem-se de forma mais fluída com as guitarras reverberadas que a cada acorde mudam de tom e viajam para mundos paralelos, onde a repetição, as haunted samples proporcionam medo, ou pânico...
 Phase Zero é mais um esforço revivalista que vem a sublinhar toda a importância que Innerspeacker viria a ter em toda a cultura psicadélica. Gravado na Califórnia em casa, Delt convida o ouvinte a entrar num mundo perturbado e autista repleto de constrangimento sonoro, esquizófrenia e ecos sintetizados numa sala cheia de reverb e delay infinito. Toda essa magia experimental e psíquica fazem lembrar Pink Floyd numa fase ambulatória, esse Garage não era tão audível desde Innerspeacker, no entanto a produção soa muito mais arrojada que essa estreia brilhante na terra de baixo, embora ambas gravadas em casa sobre condições absurdas.

O disco começa com "I Don't Wanna See What's Happening Outside" e aqui espelha-se de forma menos subtil possível tudo aquilo que Delt andou a "comer" ao longo da sua infância, começando pelo título longo, fazendo referência a "Come Down Softly To My Soul" de Spaceman 3, mas não é só no nome... A timidez vocal e o sintetizador Blue Velvet criam um clima introspetivo, a repetição de "I don't wanna" e o início repentino de "System of a 1000 Lies" acusam o flagrante progressivo e o mantra infinito, como se ambas fossem só uma canção.
 "Another Person" é também uma canção épica de ternura melódica, exprimida e espremida na escolha de notas mais cuidada, refinada e encaixada na própria temática angelical da faixa, não deixando outra alternativa ao ouvinte a não ser escutar e desejar nunca mais acabar e quando por fim acaba solta mais haunted samples, deixando o ouvinte num estado de expetativa total. Isto é perfeição pop.
 Essa expetativa é correspondida por 3 minutos e 47 segundos de espasmos melódicos, vidros sintetizados partem-se provocando "Sun Powers", um dos grandes momentos do ano. São nesses momentos mais díspares e experimentais que Delt revela-se um compositor astuto e sem medo de recriar todo esse pop psicadélico reinventado vezes sem conta por mestres do ofício como Beatles ou Pink Floyd, mas com um twist pessoal, moderno e só dele.

Phase Zero é uma estreia invejável espelhando todas as suas influências em 10 faixas hiperativas, esquisitas e ambíguas, que de forma mais subtil possível reúnem todos os discos clássicos de Pop Psicadélico feitos de 1960 até 2010 num só. Essa visão distorcida de Delt só se torna mais nítida a cada audição, até chegar a um estado de beleza descomunal e de grandeza pop.


Ouçam "Phase Zero"

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Crítica- Dinosaur Jr.- Give a Glimpse Of What Yer Not

Há partida podiam chamar louco a J Mascis ou acusar o génio do noise de ter uma crise de meia idade, mas "Give A Glimpse Of What Yer Not", sem soar a pretensioso de uma banda experiente que já conquistou tudo na sua era de ouro do underground americano (chegando até a ir em tour com os Sonic Youth em 1987), Dinosaur Jr. conseguem manter a sua frescura e o fator cool que os tornaram nessas mesmas lendas do underground. Mas há uma diferença, essa maturidade é mais palpável que nunca e J Mascis tem perfeita consciência disso, o que o torna mais frágil que nunca, mas mesmo nesses momentos mais sérios do disco como em "Be a Part" ou "I Told Everyone" J nunca dá a sensação de estar totalmente entregue a esta condição de midle age rocker, aliás, ele contraria muito bem qualquer estigma que possa haver da sua idade no rasgante "Goin Down" e no Punk Pop "Tiny", mas é na composição do primeiro que vemos códigos preliminares que J talvez possa estar a usar para tentar explicar algo: "I can't go more than a day, I can't face myself (...) Are you with me? Are you with me when I'm gone? Are you with me? Are you with me? Come along"...

 O disco começa a ficar ainda mais darker, sempre com J a dar aquele falso sentido de hostilidade que dão graciosidade ao génio, "Good To Know" é uma vénia a toda a skill de Mascis, todos os riffs inventados desde 1984 até aqui, toda a história de Dinosaur Jr. acabam por vir parar a essa faixa. Depois o Doom "Walk for Miles", marca todo esse percurso da banda e a rouquidão sugere cansaço mas Mascis levanta-se e grita "Set my heart is too" e apercebemo-nos que Mascis bebe da fonte da juventude. 
 Para terminar nas refletivas "Lost All Day", a sensivelmente afetiva "Mirror" que começa com confissões de uma vida "I've been crawling around since I met you" e no refrão "Waste of Time" sugerem uma vida inteira em busca de algo inalcançável. Para terminar com "Left/Right" que podia ter sido um êxito indie rock se tivesse sido libertado de 1992 a 1996.

 "Give a Glimpse Of What Yer Not" é um dos esforços mais dignos da banda. Na capa vemos um homem a equilibrar-se no cume da montanha... De certa forma Dinosaur Jr. têm feito isso ao longo dos anos, adaptando-se a tendências, géneros musicais, culturas, tecnologias... E tudo graças ao seu maior impulsionador que teima em viver como se ainda estivesse nesses loucos anos 80. Toda esse esforço em trazer esse bocado de underground para os tempos modernos tornam J Mascis imortal, aconteça o que acontecer.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Crítica: Frank Ocean- Blonde


Chegou por fim o muito aguardado segundo disco oficial, pelas burocracias da divulgação mundial que não tolera álbuns visuais. Muito menos imediato e subtil que o clássico debut "Channel Orange", Blonde é imperceptível à primeira vista. A fragilidade emocional que torna Frank único continuam presentes no sophomore, no entanto não é na composição honesta e delicada que o disco capta os seus momentos mais brilhantes, é na produção arrojada e extensamente refinada que fazem de "Blonde" uma das audições mais sofisticadas do ano, embora os vocais de Frank sejam usados maioritariamente pelo decorrer do disco como um instrumento/trunfo.

 A música começa com o haunted "Nikes", Frank aborda o consumo, a malícia e a falsidade de pessoas que se cruzaram na vida dele após a sua ruptura pós "Channel Orange". Aqui fica o sintetizador inicial que faz lembrar uma sample retirada de por exemplo "To The Last" de James Blake... Aqui Frank escreve um novo capítulo na história do R&B moderno, onde a produção e a melodia contam tanto ou mais que os vocais. O disco continua a afogar-se numa piscina de brilhantismo nascente, onde Frank quer captar a atenção do ouvinte from the gecko*... Ivy é um esforço cuidado e imprescindível no que toca a todo o R&B feito no futuro. A guitarra pedal drenched solarenta e tímida deixam todo o pensamento de Frank voar em palavras eternas e mais intencionais que nunca: "I thought that I was dreaming, When you said you loved me, It started from nothing, I had no chance to prepare, I couldn't see you coming, It started from nothing, I could hate you now, It's quite alright to hate me now (...) If I could see through walls, I could see you're faking, If you could see my thoughts, You would see our faces", sugerem uma mágoa profunda que nunca será ultrapassada ou sequer esquecida. Essa mágoa converte tudo aquilo que Frank escreve em pura dor palpável. Pink + White (com Beyonce) são outros esforços memoráveis, Frank solta um grito de confiança e as suas cordas soltam-se num Soul e vocais penados e oscilantes. O Interlúdio "Be Yoursef" será outra lição a reter mas é num estado muito precoce do disco que Frank atinge uma grandeza inalcançável, tanto a nível de composição ou voz, claro, enaltecidas pela super produção sinth-full de "Solo", um clima cinzento imagina Frank num traje de anjo e um coro gospel à sua atrás a abençoar cada esforço melódico. A isto chamamos de vanguarda do R&B, há medida que o disco vai-se tornando ainda mais profundo e confuso em "Skyline" (com Kendrick Lamar), sempre com grande nota de destaque para os instrumentais escolhidos que colhem sanidade e purificação no seu estado mais onírico possível.

 Dando a ilusão, por vezes, de fundir o Rap com o Soul, Frank Ocean também foge dos capítulos inconvencionais e explora temáticas funky-groove orientadas para pistas de dança seletivas, como no Boom Bapy "Nights" ou "Close To You" e aqui espelha-se toda a influência que James Blake possa ter tido na escolha específica dos beats/instrumentais ou mesmo em certos momentos onde Frank escolhe arranjos vocais mais arrojados. Antes em "Pretty Sweet" capta-se uma faceta mais experimental, num caos de dissonância e eco que antevêem a faixa.
 Frank termina com três chaves de ouro introspetivas e alienadas como certos momentos da sua composição o sugerem: "I'm living over city, And taking in the homeless sometimes, Been living in an idea, An idea from another man's mind, Maybe I'm a fool, To settle for a place with some nice views, Maybe I should move, Settle down, two kids and a swimming pool, I'm not brave, I'd rather, live outside, I'd rather live outside, I'd rather go to jail, I've tried hell", extraí-se todo esse descontentamento e desconforto em "Seigfried", para terminar com os também escuros "Godspeed" (com Kim Burell) e Futura Free.

 De hoje em diante a história do Soul moderno, Nu-Jazz Fusions, Rap oriented e claro o R&B é dividido em duas linhas de tempo: Antes de "Blonde" e depois de "Blonde".

*from the gecko- Desde o inicio

Ouçam "Blonde" de Frank Ocean na íntegra, aqui


terça-feira, 23 de agosto de 2016

BADBADNOTGOOD - IV


Numa fase da minha vida dei por mim a querer entrar num banho de imersão paralisante que me fizesse submeter de uma forma saudável às necessidades do Ego. Os cães ladram, a caravana passa e nós vamos com ela sem destino traçado ou objetivo findado, fechando os olhos às nossas próprias necessidades e à força de vontade que impulsiona os nossos específicos dons. Nesta corrida da rotina é fácil cair na cegueira de não percepcionar o caminho fácil e é igualmente tentador optar, por insegurança, pelas tentativas de avistar onde se encontram os adversários e comparar a nossa fibra com a dos outros. O caminho fácil é o corta-mato e caracteriza-se pela praticidade de dar primazia aos desejos do nosso íntimo, enquanto perdemos a vergonha de sentir amor-próprio. Como dito, nesta altura da minha vida experienciei um abismo carregado de dor existencial e arduamente encontrava terapia musical que apaziguasse essa lacuna… Até à imersão auditiva nos BADBADNOTGOOD, que tiveram um papel de guia espiritual no tal estado mental cíclico carregado de despersonalização e ausência de sentimentos. O quarteto canadiano é oriundo de Ontario e funde o jazz moderno com o hip hop entrelaçando o baixo, o saxofone, o teclado e uma bateria que convivem como amigos inseparáveis numa saída à noite. O seu quinto e mais recente álbum de estúdio, IV, é um dos melhores trabalhos concebidos neste ano. O trabalho é composto por 11 faixas, na sua maioria instrumentais (com excepção de “Time Moves Slow”, “Hyssop of Love” e “In Your Eyes”). Talvez esta fórmula de permanência pelos instrumentais seja mais que digna: o grupo é perito na missão de criar um som tão rico em suavidade e groove sustentado por um baixo áspero, dando permissão à nossa voz interior para tratar do resto.

IV é permissão de entrada num reino soporífero onde o baixo é o Monarca de uma corte onde os restantes instrumentos produzem a sua magia ludibriante em torno dos clássicos ritmos da escola jazz. “And That, Too” abre o disco numa apresentação misteriosa que dá primazia ao sintetizador que ecoa psicadelismo, uma flauta que cria um ambiente sinistro e por fim um honroso solo do saxofonista  Leland Whitty. Partimos para “Speaking Gently”, a verdadeira aposta numa área fora da zona de conforto. É uma malha funky que combina os sons do synthwave, a música eletrónica retro dos 80’s com um toque espacial e psicadélico. “Speaking Gently” não causa vontade de exteriorizar movimentos de dança porém consegue criar um estado de dança interior semelhante ao consumo de THC. Consigo aperceber-me de uma certa sinestesia devido ao facto de associar, a esta faixa, uma estética de cores fluorescentes ou néon. Esta experiência sensorial progride consoante o acelerar da frenética bateria. Fiquei emocionalmente grudada nesta faixa, a qual repeti vezes sem conta e coloquei num pedestal... Fechem o disco, já descobri a pólvora. Time Moves Slow” é o single do disco e um dos prazeres que já pode ser escutado na Antena 3. O tema r&b é intimista e sedutor, cantado pela voz soul e frágil de Samuel T. Herring (Future Islands). Fala-nos do insuportável passar do tempo durante o final de um relacionamento íntimo (não necessariamente amoroso). “Running away is easy/ It’s the leaving that’s hard” é a frase eternizada a retirar deste disco. Confessions Pt II” é uma epopeia narrada pelo engenho do saxofone de Colin Stetson, convidado especial dos BBNG. “Lavender” tem aparticipação do DJ e produtor KAYTRANADA é a faixa mais pesada tal é a força do baixo subjugado à luta de um sintetizador. “IV”, que dá nome ao disco, é o porto seguro do talento deste quarteto e a razão pela qual estes se juntaram: improvisação jazz no seu estado mais puro. O erotismo e a classe ressurgem na voz de Charlotte Day Wilson’s em “In Your Eyes”, balada que nos transporta para um bar sofisticado com um copo de whisky na mão. Estas faixas mencionadas foram as que mais se destacaram num acervo de temas brandos, doces e comprovadores de que não há excepções para o poder intrusivo do jazz. Os BBNG transitaram de um ábum mais agressivo, noturno e fechado na esfera hip hop/jazz (III) para outras sonoridades e uma linha melódica menos confusa. A experimentação melódica e a adoção de vários estilos que no fim de uma faixa se completam permitem-nos criar uma linha narrativa e estimular outros estilos musicais que nem julgávamos possível apreciar apaixonadamente, um disco que se vive dissecando cada faixa após uma escuta integral. IV tem poderes curativos e, de forma lenta, amenizou um fosso emocional que era apenas fruto da minha ansiedade. É uma Ode aos momentos fugazes e ao prazer das relações humanas, às conquistas pessoais e ao amor próprio.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Álbum da Semana: The Blue Drones: Live at the 39

The Blue Drones é o quinteto do Cacém que há mais de três anos vem presenteando o público com obras de rock apimentadas aqui e ali com toques psicadélicos. Em Março de 2013 disponibilizam a sua primeira faixa no bandcamp, "Remainings of Time", que três anos depois incorpora o primeiro EP da banda.


É precisamente com esta faixa que somos transportados para este universo bluesy. Um início de EP simples e cru no qual vale a pena salientar o interlúdio aos 2 minutos, ou se quisermos, mais uma espécie de segundo andamento, em que se consegue ter uma percepção total do papel de todos os elementos da banda, algo que não existia na primeira gravação da faixa lançada em 2013, mas serve sobretudo para deliciar fãs mais devotos, ou amantes da música em geral. Ao invés do simples solo distorcido. o solo é mais clean, a vibe é muito mais groovy, muito por culpa do baixo, algo muito mais pensado e interessante que denota bem a evolução da banda.
O EP prossegue com "Echo Surfer", onde temos sobretudo uma faixa de agradável audição, que serve para o efeito pretendido, mas em que fica a ideia de que o echo podia ter sido talvez explorado de outra forma. A faixa está solarenga, mas o contraste com a voz de inverno de Francisco Pacheco pode tornar-se estranho em primeiras impressões.



"Flying Around" é outra das faixas "novas" neste EP, onde novamente brilha o baixo, que pela segurança que transmite torna impossível que se tire o ouvido desta linha, o que se torna um aspecto característico do EP, talvez pela competência de Ricardo Lapo, talvez pela importância dada ao instrumento pela banda. O que é certo é que estamos a afastar-nos cada vez mais do rock/blues puro e cru e a aventura-mo-nos por trilhos desconhecidos, onde acabamos por ser uma árvore "waving my leaves in the air". Em "Tree &Signals" acabamos por ser atirados novamente, sem nos apercebermos, para aquele sítio onde reinam o riff e a melancolia das letras e onde temos também um dos melhores papeis vocais de Live at the 39. A voz grave desliza suavemente entre os acordes, aqui e ali interrompida por um solo colocado de forma oportuna, com uma letra sempre a roçar o desgosto amoroso, tal como em todo o álbum.


O primeiro EP de The Blue Drones surge muito como um upgrade de coisas já gravadas anteriormente e nesse sentido é notório o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela banda, não deixando de se reparar na diversidade de géneros que se fundem para que o álbum ganhe vida, impedindo que o trabalho se torne repetitivo e entediante.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

ANOHNI e o sufocante «HOPELESSNESS»



Horas findadas após o dia mais longo com a noite mais curta, vejo-me debruçada na inevitável pressão académica que teima em prolongar-se. Mea culpa, a quem os pensamentos esquizofrénicos assombram quando me auto disciplino para o abençoado momento de concentração. O meu corpo só cede à obediência e à assertividade quando absorve a banda sonora certa e essa procura poder-se-á revelar sufocante, todo um tempo perdido para acalmar o inconsciente alarmado pelas lembranças e respetivas distorções que mais procuro reter nas portas da memória. Não foi há muito que essa demanda revelou-se em forma de pista, quando dei por mim a procrastinar pelo meu maioritariamente inútil feed de Facebook. Alguém, num dos meus grupos, tentava a sua sorte na venda de bilhetes para o concerto de ANOHNI. Não vou negar o teor tentador da proposta de negócio, porém tive que me debater com os prós e contras e acabar por levitar para mais perto da razão. Se as circunstâncias da minha vida não jogam a favor dessa experiência, deixar-me ludibriar pela sua obra pareceu-me a decisão mais acertada. Tudo isto antecipou toda uma caminhada espiritual, uma faixa de cada vez.
Esta voz entrelaça o seu voodoo imperceptível com um instrumental que a ampara sempre que se ouve o seu propositado fraquejo, qual sustentáculo semelhante a uma cama com lençóis de seda. Com apenas um LP, ANOHNI (voz dos Anthony & The Johnsons, grupo que desconhecia até à data) trouxe as minhas inseguranças à flor da pele por bronzear.

Como começar por explicar ANOHNI? Ora bem… Se o James Blake ligasse mais a política do que às paixões, teríamos ANOHNI. Penso que já se percebeu a ideia e automaticamente devem estar a desenvolver uma generalização redutora de tudo o que poderá ser a sua sonoridade. ANOHNI é uma artista transgénero que não poupa na violência lírica e sonora inerente à atualidade. O piano, que raramente é dispensado de qualquer uma das faixas, abraça a restante instrumentação eletrónica que decompõe as palavras cantadas . O álbum «Hopelessness» é vulnerável e cortante, intimidador sem ser efusivo, realista e violento enquanto transmite uma certa esperança. Sem esquecer que é angelical e quando falamos dos anjos não se olha a sexo.

«Drone Bomb Me» inicia esta profundidade inquieta como um aquecimento para qualquer cena dramática. As massagens estão feitas e a alma mais repousada, canta-se "Blow me from the mountains/And into the sea/Blow me from the side of the mountain/Blow my head off/Explode my crystal guts". A segunda faixa, com uma percussão tribal e uma orquestra de fundo deslumbrante, é definitivamente a cereja no topo do disco. «4 DEGREES» é a antítese completa do que o título elucida e chega a ter proporções flamejantes. Sem dúvida, a minha favorita.
«Watch Me» até podia ser sobre amor fraternal, mas é sobre o Governo Americano e voyeurismo, numa poesia que envolve preces e denúncias das maldades do mundo em que vivemos. Vale a pena ouvir esta com atenção, só para contemplar o desfecho destes pedidos.«I don't love you anymore» e «Obama» respiram insegurança e temor, sendo de uma tamanha violência que me forçou a parar o disco a meio para descomprimir com a comestível One Dance, do Drake (confesso este pecado e atribuo a culpa à publicidade do Spotify). «When Did You Separate Me from the Earth» é uma viagem espacial pelas estrelas e passo a destacar também «Marrow», o desfecho singelo para este álbum que, quer eu volte a ouvir ou não, primou pela frontalidade emocional.
ANOHNI fez por mim aquilo que eu não conseguia fazer: a sensação natural de que tudo está bem, mesmo que não acabe a bem.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Crítica: Mamihlapinatapai- Mamihlapinatapai I


Há já algum tempo João Correia ou como lhe chamam por estas bandas "Zé Bolachas" (vocais, guitarra), Paulo Rodrigues (bateria) e mais tarde Aboo Gani (baixo) vinham a desenvolver um projeto chamado Mamihlapinatapai, provavelmente quem estiver a ler isto demorará uns quantos meses a conseguir pronunciar este nome de origem Yaghan, que significa "duas pessoas olham uma para a outra sendo que ambas desejam que a outra pessoa faça o que ambos desejam mas nenhuma delas está disposta a fazê-lo", numa tradução própria. Alguns concertos no Montijo, nomeadamente na Feira Dona Edite ou para lá da ponte no Cá-Fusão deste ano deram algum hype ao trio de Acid Jazz Experimental muito pouco lúcido e com um frontman algo carismático, e agora apresentam-se ao mundo com um primeiro EP homónimo "Mamihlapinatapai I".
 Em termos sonoros não é o grupo mais complexo do mundo: Em "Linguadaluz I" um baixo groovy estabiliza por certo a bateria plate-full de Paulo, aqui e em quase todas as faixas. Aquilo que torna (eventualmente) estas faixas verdadeiramente fascinantes são a tenacidade de João, ora calmo e suave como o baixo que a acompanha, ora prolífero e violento, tudo isto quase de forma improvisada.
 Para além da capacidade de estruturarem melodias jazzy-groove, há uma certa frustração política em "Bolo de Nóz", depois convertida num comedy spoken divertido que só revela a personalidade carismática de João, que liberta toda a tensão e frustração que uma letra dessa natureza poderia carregar: "Digam aos políticos que nós queremos é bolo de noz, para nós, queremos subsídios em bolo de noz (...) queremos que o bolo de noz não tenha IVA a 23%, a 3 ou nenhum"...
 Para terminar com o alegre, Reggae-blasted rocksteady "Rejeitar", que solta mais escrita non-sense sobre uma possível história de amor na rua Tabu?
  Não é emblemático nem nada do género mas são faixas bem gravadas que apresentam temas singulares, seja na composição ou na própria concepção de cada faixa. Acima de tudo Mamihlapinatapai conseguem um cartão de visita que poderá ser importante para futuros concertos e toda esta leveza e falta de seriedade combinadas com uma sincronização perfeita de instrumentos, melodias alegres e coragem para experimentar acordes progressivamente podem, no futuro, colocar a banda num nicho onde poucos poderão alguma vez sonhar alcançar.

Ouçam Mamihlapinatapai I


domingo, 19 de junho de 2016

Álbum da semana: Sun Blossoms (homónimo)

Antes de mais, não é fácil escrever sobre discos desta subtileza e sensibilidade. Também não é comum ver, em tão tenra idade, alguém com o dom de Alexandre Fernandes. Parece datado mas reparem, Kevin já tinha os Impala com 14/15 anos antes de se tornarem no protótipo da nova cultura independente. Com 15 anos Alexandre já compunha, gravava e mexia com pedais e layers de reverb. O background é sem duvida favorável.
 Em Setembro de 2015, com 17/18 anos de idade (já), Sun Blossoms (disco de estreia homónimo) saí pelas mãos da Revolve , label habituada a ter outros nomes psicó-trópicos no catálogo (Pontiak ou Toulouse) e que estreia! Sem soar 100% similar aos seus contemporâneos, Alex oferece-nos faixas lentas e aéreas, melodias carregadas de vocais nublados, tímidos... Afinal ele era um adolescente quando gravou todas estas 10 faixas sozinho, no seu quarto.
 A cada faixa, Alex vai aperfeiçoando as mecânicas básicas de uma canção pop orelhuda e peganhenta, mas sem soar tão convencional. "Flower Eyes" soa a imobiliário, Alex usa e abusa da repetição como forma de hipnose nos seus acordes gentis e por vezes fuzzentos, como em "Happy", que parece mais ser uma contradição: Ele não fala de felicidade ou de como é feliz, ele explica como o poderia ter sido. Ainda na ironia, ouve-se um fuzz que se contradiz com os acordes verdes e minimalistas, tudo isto sem parecer hostil ou volátil mas sente-se a melancolia, a frustração nos vocais. Antes em "Friend" Alex toca de forma resoluta cordas jangly e na ponte riffs Mondanile-ear-buzz, após o interlúdio que dá nome à natureza de todas estas faixas, "Dream" que mais poderia ser "Dreamy". Depois dessas, o disco afoga-se em mais slackness e depressão mas nunca tensão, em "Like I Do" ou "Grow", o sunshine pop de "Seeds" envolto numa nebulosa de ruído inaudível que capta Melted Toys ou melted noise, o feedback-delay-drenched "Tonight" e o instrumental folk de "Flow" como chave de ouro.
A beleza reside na inocência dos vocais etéreos, a ingenuidade das guitarras de três acordes que sem o serem de todo, soam a algo complexo e estudado e na facilidade que Alex teve em explorar certos arranjos inconvencionais. Haverá dois, três, até quatro discos de Sun Blossoms, nada soará tão orgânico e profundo que esta doce estreia carregada de milésimas possibilidades.

Ouçam Sun Blossoms

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Álbum da semana: The Glockenwise- Heat


The Glockenwise, para mim é uma banda especial e isso é inegável. Lembram-se há 5 anos atrás? Quando a Vodafone FM começou e junto dela viriam os primeiros novos avanços independentes? Eu lembro-me de ouvir "Beijing" (Sequin) ou "Time to Go" e "Bardamu Girls", os primeiros contatos que tive com a nova música punk portuguesa vieram dessas duas...
 Heat é o terceiro avanço da banda de Barcelos The Glockenwise, aqui trazem um twist interessante daquilo que é o Rock & Roll ou Glock & Roll, como lhe quiserem chamar...
 Aqui é tudo gente grande já não estamos a tocar para universitários bêbados, estamos a tocar no Restelo já, há medida que vemos essas ondas tornarem-se em algo inimaginável e impossível de prever em 2011: uma banda livre e solta, solta maturidade e cordas soltas, cordas de guitarra continuam a soltar-se em acordes mínimos mas já não é tão óbvio, talvez pela composição séria e ponderada. Cordas vocais soltam-se com firmeza e algum sentido de grandeza. "Time (Is a Drag)" arrasta-se num ritmo madchester em barcelos, o saxofone faz lembrar Beck em "Lord Only Knows" e os vocais mais soam a "preto" do Blues que "branco" do Punk! Um rock muito sofisticado mas garageiro nos momentos mais marcantes da faixa. Em "Tide" a banda continua a beber a sua fórmula vencedora de Pop Punk mas o disco vai-se tornando mais escuro, consciente, humano e profundo em "Up to You" ou "Try Hard", onde se nota mais melancolia ou inquietação... Antes de tudo isso "Heat" a música que dá nome ao disco vai servindo de protótipo desta nova demanda sonora. Em suma, Os Glockenwise, sem (ainda) se afastarem totalmente da sua icónica sonoridade que os pôs no radar, vão experimentando novas formas de fazer Punk sem o fazerem de forma 100% convencional e isso dá acidez ao som e alguma maturidade à banda, tudo isso adereços que poderão ser mais tarde referenciados num quarto disco de originais. Enquanto tudo isto acontece a banda dá um salto importante na carreira: de artistas para músicos, deixam de ser uma promessa e passam a cumpri-la.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Álbum da semana: Treehouses 2290- The Difference Between a House and a Home


À partida parecem ser mais outra banda indie de Lisboa com etiquetas inadequadas no Bandcamp, no entanto, fiéis à sua capacidade de auto-rotulagem, Treehouses 2290 são uma das bandas mais peculiares do cenário. Sem recorrer ao uso abusivo da distorção de cordas, a banda acha um equilíbrio perfeito entre o ruído e a paz sonora, numa conjugação de sons que dão maturidade e independência à banda, tudo coisas audíveis no quarto trabalho "The Difference Between a House and a Home".
 Sonoridade nebulosa e atmosférica (The Wall); Vocais etéreos capazes de encontrar ruído descomunal, por certo, dois dos três ideais do Shoegaze pré-moderno (Budapest); Padrões repetitivos, quase hipnotizantes de um sintetizador falante (deLorean). Nada disto parece datado ou repescado, talvez provenha daí a beleza das faixas, embelezadas numa manta progressiva que não deixa nenhuma delas acabar (ou começar)... A produção parece legitima, a masterização também.
 "A casa" é aquilo que os Treehouses foram, um grupo obcecado pelo ruído grátis, baterias rápidas e vocais "guinchados"... "O lar" é onde a banda descobre como converter todas essas influências em pura arte. Seja até 2290 ou num futuro ainda mais longínquo: No presente, este é o som do futuro. É para lá que a banda caminha, sozinha.

Ouçam as diferenças aqui

terça-feira, 31 de maio de 2016

Critica: Kristina Control- XCommunicate


Não será muito fácil, com o decorrer dos anos comparar Dee Dee a qualquer outra figura, mulher ou homem, músico ou não. Como compositora sabe escrever canções Pop de interpretação fácil e normalmente muito bem recebidas no seu meio de difusão... Dum Dum Girls óbvio que será sempre o ponto mais alto a nível criativo, projeto de Noise Pop que ela cria sozinha no seu quarto no já longínquo 2010. Os tempos mudaram, Dee Dee já não têm tantos traumas de família para escrever, é casada com outro mago do lo-fi pós moderno, Brandon Welchez (Crocodiles) óbvio que têm outras coisas sentimentais para se preocupar, e escrever eventualmente...

Kristina Control é um alter ego criado por essa mesma Dee Dee, que vêm trazer-nos canções Pop, sem, para variar, recorrer a distorções e pedais e... Guitarras! Pop Sintetizado, que revela Dee Dee como uma artista autónoma, livre e com uma facilidade brutal em fazer experimentações com a música Pop. X-Communicate são essencialmente canções de amor, onde Dee Dee revela de forma honesta os seus pensamentos, desejos e acima de tudo ambições com a sua cara metade. 

Desde o New/Wave (Show me) até ao retro 80´s Dance/Disco (X-Communicate) até ao Heavy Sinth/Eletro Fusion (Skin Shed), Dee funde todas essas sonoridades mecânicas e elas complementa-se umas às outras, fazendo sentido ouvir, mas acima de tudo escutar. Desde a composição mais simplista até ao som mais nostálgico, Dee começa a habituar o seu público a discos muito coesos e consistentes, sem complicar ou mudar muito a sua natureza de fazer música e isso faz dela uma das rainhas da música Pop alternativa. Kristina Control é um alter ego bem sucedido, que desafoga um bocado Dee Dee do noise a que se submeteu no inicio, mas sem afastar-se da sua composição ambiciosa que a tornam numa figura da música Indie moderna.


quarta-feira, 23 de março de 2016

Crítica: Yuck- Stranger Things


Impossível não voltar aos livros da história indie (se é que existe sequer 1 livro) e não mencionar os Yuck como uma das mais bem sucedidas bandas revivalistas da nossa geração hipster. A sua brilhante hómonima estreia (2011) para além de conseguir recriar na perfeição essas influências do indie britânico de anos 80 (shoegaze) com a geração americana indie de 90's (Pavement, Dinossaur Jr.), conseguiu ganhar uma inteira nova legião de fãs repescados, adeptos do shoegaze feito outrora adaptado para os tempos de hoje, sendo uma das bandas responsáveis pelo movimento nu-gaze, que chegaria ao máximo pináculo em 2013 quando a sua banda mais icónica (e também pioneira do género) decide lançar um álbum 25 anos depois (My Bloody Valentine).
Passaram 5 anos, uma mudança brusca na formação da banda veio também a mudar radicalmente o som da mesma, Daniel Blumberg hoje é visto como um génio do indie de século XXI ao invés de ser visto como ex-frontman dos Yuck. Isto porque essa saida só veio a provar e elevar Daniel como um visionário da cena alt, homem de tal personalidade, essa insubstituível e quase essencial para dar a cara a um esforço tão arriscado como este de recriar shoegaze, tornando-o fresco e não abrasivo. Tal disco de estreia era repleto de músicas tão ecléticas e de tamanha brutalidade sonora, como o épico "Rubber", quase um hino ao nu-gaze, ou músicas de tamanha sensibilidade- encontra-arrogância-sensual mais tarde convertida para Dream Pop, do mais orelhudo e nostálgico possivel (Georgia). Isto tudo quando Daniel assumia as rédeas da banda. Em 2013 a banda anunciava estar a trabalhar num disco sem Daniel, e parece mesmo que "Glow & Behold" são melodias acabadas de Daniel que as empresta a Max Bloom para fazer as letras e as interpretar também, isto na tentativa do grupo continuar a construir um legado por detrás desse disco icónico de estreia.
Max Bloom, homem de influências muito diferentes daquelas que Daniel tinha, talvez até seja por isso que esses dois egos nunca funcionariam, tenta moldar o grupo à imagem de uma banda de indie rock extremamente previsivel e sem uma profundidade sonora, essa que fluia quase naturalmente. Glow & Behold parece algo inacabado, uma coletânea de demos até (perdoem a hipérbole), mas pelo menos lá encontravamos vestigios de uma banda que outrora se dedicou ao rejuvenescimento do shoegaze, encontramos pedais e tremolo pickings, um som muito abafado que não deixa os outros instumentos para além da guitarra respirarem (rebirth), e só por o grupo esforcar-se tanto para manter-se fiel as suas raizes há que respeitar esse trabalho.
"Stranger Things" é o terceiro LP original dos Yuck e 5 anos depois dessa brilhante estreia é impossivel ouvir Yuck e recuperar um "glimpse" que seja dessa sonoridade distinta e equiparável. Não estou propriamente a dizer que as músicas são más, estou só a dizer que uma banda sem identidade não se pode chamar de banda. Parece que querem instalar-se para sempre no circulo indie sem voltarem a inovar ou dar que falar, e a verdade é que nem conseguem ser melhores que os seus peers (Wavves, Cloud Nothings). "Stranger Things" é algo muito facilmente concebível, o ruido torna-se menos denso a cada faixa, que explora riffs fáceis de 2/3 acordes como em "Cannonball", mas aqui Yuck não se parece uma banda de punk tão pouco algo mais agressivo que isso, mas sim um grupo de indie rock estagnado na seu próprio som que não progride ou acrescenta algo de novo ao género e assim a banda parece perder totalmente a reputação que havia construido com mérito e é pena porque os Yuck poderiam com o tempo (e com mais dois ou três álbuns escritos por Daniel) tornar-se tão grande ou maior que os My Bloody Valentine, que só receberiam os seus devidos créditos muitos (muitos) anos depois dos seus álbuns históricos terem sido gravados, e com esses sonhos também perdem o seu som arranhado e "fuzzento" e que criava uma ilusão "de algo muito maior por fazer", caracteristicas essas que colocaram sequer a banda no radar. Cada música é um grito desesperado de "estamos a fazer o melhor que podemos", "Stranger Things" ou "Only Silence" são faixas muito boas, mas a verdade é que de disco para disco a banda perde cada vez mais credibilidade, e agora a pergunta: Por mais quanto tempo irá a banda viver desse disco clássico feito há 5 anos?


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Critica: Pinkshinyultrablast- Grandfeathered




Em 2013 quando os My Bloody Valentine lançaram MBV, após 25 anos de hiatus, parece que o indie acordou para um dos seus movimentos mais respeitados: o Shoegaze. Lógico que os tempos mudaram, seria impossivel recriar o movimento como se estivessemos de volta em 1991, tal como não seria possivel voltarmos a Seattle dessa década. Em vez disso as novas bandas pegavam nessas influências de Shoegaze de anos 90 e misturavam com outras influências de nova era como Space Rock ou Prog ou mesmo música eletrónica. Vimos bandas como No Joy, Yuck, Splashh a emergirem na cena com dissonância e ruidos extremos, vimos também essas bandas cairem num hiatus-pós-temporário, pós porque como á semelhança de Frank Ocean não sabemos bem se fizeram uma pausa ou se não vão gravar mais discos (Splashh), isso ou fracasso critico (Yuck) causado pela saida de um membro influente (Daniel Blumberg). Nos destroços desses grupos chegam outros fora do circuito Inglaterra-EUA-Austrália, a fazer psicadelismo ruidoso e elas vem de todas as partes, Chile (Astro), ou neste caso Russia. Logo no inicio do disco vemos uma eletrónica muito caracteristica de paises nórdicos, o que deixa a pensar que o disco é todo um esforco de pop eletro, mas as musicas vão ficando barulhentas faixa a faixa, há medida que encontramos semelhanças ao som das Cocteau Twins (fase Heaven or Las Vegas), mas chega até a ser mais macabro que isso, aliás, a experiência é toda agridoce e muito dificil de classificar: encontramos influências de Black Metal nas guitarras, onde podemos muito facilmente associar aos astros americanos Deafheaven, ou os sintetizadores constantes, repletos de arco iris e positivismo fazendo lembrar Chverches, ou a hostilidade e ruido grátis dos The Jesus and Mary Chain, a melodia alegre e hazy dos My Bloody Valentine, ou o feedback malvado dos Sonic Youth, como em "Kiddy Pool Dreams", que no inicio ou progredir da música soa a Art Punk, completado por sintetizadores no refrão e riffs-foals-esque, que no fim fermenta uma música pop viciante. É precisamente por a banda encontrar um equilibrio entre o ruidoso e o melódico que o album é agridoce, os vocais são aéreos e imperceptíveis o que permite ao ouvinte interpretar a intenção das músicas a seu bel prazer, e as músicas aqui são menos imediatas que no primeiro disco mas quanto mais longa for a viagem mais gratiicante será a sua conclusão que deixa a desejar por mais no fim de cada faixa. O mal é que as músicas parecem todas ser idênticas uma à outra, mas mesmo assim cada uma única e diferente da outra. Aqui encontramos algumas das faixas mais bonitas do ano, e o disco ficará cada vez melhor a cada audição.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Critica: Hinds- Leave me Alone

Como qualquer entusiasta alterna português lógico que ouvi o som das Deers, projeto de 4 miudas espanholas (Madrid) com skills notáveis no campo pop, bubblegum pop ou chamber se quiserem, "Trippy Gum" era simples e altamente viciante quando saiu no verão de 2014 considerado por muitos o ano da resposta europeia ao que a Austrália fazia no campo Psicadélico. Começaram a ganhar visibilidade na cena e foram solicitadas pela label clássica de garage lo-fi Burger Records.
Há uma certa ternura, sensualidade encontra inocência na estética da banda que depois compensa com composições muito "girl in love with boy who dont gives a shit" e é esse espirito que molda as melodias das suas músicas, como "Fat Calmed Kiddos", em que ouvimos as 4 dizer "text me while you are drunk". Estamos a falar de miudas assanhadas no final de contas, ainda incapazes de encontrar profundidade suficiente para exporem os seus desgostos de forma mais poética possivel, em vez disso fazem isso de forma despreocupada e mais divertida possivel, encontrando um equilibrio entre rapariga apaixonada sóbria e rapariga apaixonada bebêda. Há uma constante troca entre esses dois a cada faixa, sendo que no fim nunca se percebe se estas raparigas sofrem verdadeiramente do que escrevem.
Também não são as melhores musicas de sempre, estamos a falar de canções que por vezes só chegam a ter três a quatro acordes, no fim o que conquista o ouvinte é o constante desinteresse do grupo em falar a sério a dada altura e no fim conseguem faixas pop extemamente viciantes como "Bamboo" ou a faixa inicial "Garden", e são essas faixas solarentas que põem as Hinds no radar e não propriamente o disco como um todo. Como por exemplo, eu não estou á espera dum novo disco das Hinds, só quero mais músicas divertidas que me façam lembrar o verão e moleza e conforta-me saber que depois deste disco elas vão trabalhar em mais músicas destas, quem sabe se não elevam um bocado a fasquia da composição.










terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Critica.

Artista: Pond Álbum: Man It Feels Like Space Again Gêneros: Rock Psicadelico/ Neo-Psicadelico                Indie Rock                Rock Experimental Lançamento: 11 de Fevereiro Editora: Modular









Excusado será dizer que neste momento, e para qualquer
 entendido na matéria, o melhor sitio do mundo para se fazer musica psicadélica é na Austrália. Talvez seja uma frase "poser", mas numa análise cuidada da frase, não há dito mais certo que este: para começar, temos uma editora já icônica que reúne um conjunto de bandas que vão mudar para sempre o psicadelismo in eletronics (Cut Copy); Depois uma banda com um vocalista com um talento raro para composição e com os vocais mais difíceis de encontrar que soam a Jonh Lennon no seu apogeu (Tame Impala [Kevin Parker]); E depois temos o quê? Uma banda de restos constantemente (re) utilizados pelos Impala... Isto parece uma descrição bastante maldosa e não totalmente precisa dos Pond, mas faz-me confusão ver uma banda com tanto talento e um vocalista com um carisma invulgar afogar-se num eterno rio de desleixo e composição descuidada e sem lá muito refine. Parece-me que nem eles se levam a sério...  Por onde começo... Primeiro, a escolha do nome para o álbum que torna-se bastante óbvia, previsível e porque não? Bastante "poser"! Depois, o facto de haver tanta ambição e tanta expectativa em torno do álbum, sobre para encontrarmos uma audição decrescente em nível, e que não tem substância... A consistência dos Impala... Nem há lugar para competição!   O mais triste é fazerem parte de uma editora tão icônica como a Modular People e em 3 ou 4 tentativas apresentarem apenas um álbum digno de clássico instantâneo (Beard, Wives, Denim), e  mesmo assim já lá vão uns anos...  "Elvis Flaming Star", dos poucos dignos registos, apresenta a fórmula: Um baixo impecável, uma composição curta-e-grossa, sintetizadores nostálgicos e um refrão altamente "catchy" e explosivo, cortesia do icônico-mas-não-mais-icônico-que-Parker Nick Albrook, só para caírem na armadilha de banda psicadelica clichê que faz uma música de 10 minutos com três fragmentos de músicas, que esfria e aborrece o álbum.  Os Pond vão ter que redefinir prioridades e objetivos. Os críticos são frios, o meu coração é de pedra e com azar, podem ser muito facilmente esquecidos e substituídos por... Pelos Temples por exemplo.  




Tracklist: (Azul, escolhas MS). 1.     "Waiting Around for Grace"         2.          "Elvis Flaming Star" 3.     "Holding Out for You"    4.     "Zond"        5.     "Heroic Shart"        6.     "Sitting up On a Crane"   7.     "Outside Is the Right Side"    8.     "Medicine Hat"    9.     "Man It Feels Like Space Again"          

sábado, 22 de novembro de 2014

Critica.

Artista: Los Waves
Álbum: This Is Los Waves So What?
Género: Indie Rock
             Indie Pop
             Rock Psiadélico
Lançamento: 17 de Setembro
Editora: Optimus Discos
Eu lembro-me de estar prestes a começar as aulas no ano passado quando os Los Waves, banda de dois wannabe Americans, José Tornada, o português e Jean River o londrino, lançam no Youtube "I Got a Feeling", e eu pensei: quem me dera que isto tivesse sido lançado no Verão! O que pensei quando ouvi isso? Um pop psicadélico solarento, constantemente violado por sintetizadores irados e riffs altamente barulhentos criando uma parede de inexistência barulhenta. Algo que os My Bloody Valentine fariam se estivessem sóbrios. O meu segundo pensamento? Onde é que está a porcaria do álbum??
 Passado um ano, e depois de um ano cheio de travessias, sendo, a mais memorável, o concerto em pleno autobus no Vodafone Mexefest 2013, e de uma mão cheia de singles, os hippies lançam "This Is Los Waves So What", uma colectânea de 11 canções memoráveis de Pop Psicadélico altamente viscoso e que se cola muito facilmente ao ouvido.
 Ao longo do álbum, sente-se um esforço contínuo para que todas as músicas sejam divertidas e facilmente captáveis na letra: Desde "Strange Kind of Love", a soar a Punk Sintetizado e com um refrão "Sticky", até "Darling", que segue o ritmo frenético, ele tão necessário ao longo do álbum, até ao "How do I Know", uma quase-balada que se inicia com um solo memorável de sintetizadores, até ao momento alto do álbum: "I Got a Feeling" leva-nos de volta á era Dream Pop/Shoegaze dos anos 90, mas sem nunca esquecer os ideais Indie da nova era moderna.
 "This Is Los Waves So What" é a estreia que qualquer banda sonharia ter, e mais: Os Tame Impala deveriam ouvir isto para ganharem inspiração para o novo álbum e mais, se esses da Austrália são os Reis do trono psicadélico, então deveriam sentir-se ameaçados, porque do outro lado do globo, nasceram os novos príncipes do género. Esta estreia apesar de quase-perfeita, só me vai fazer voltar a dormir com um eventual segundo longa duração.

Faixas: (As faixas marcadas a azul são as escolhas do MontijoSound)
            (A faixa marcada a vermelho é das melhores do ano)
            (A faixa marcada a verde é a actual faixa do ano 2013)

  1. Hyperflowers
  2. Modern Velvet
  3. Strange Kind of Love
  4. Golden Maps
  5. Darling
  6. Your World
  7. How do I Know
  8. Got a Feeling
  9. Jupiter Blues
  10. Still Kind of Strange How Days Won't Go By
  11. Belong (Sister)    

terça-feira, 6 de maio de 2014

Critica: "Salad Days"- Mac De Marco

Artista: Mac De Marco
Álbum: Salad Days
Género: Indie Rock
              Cantor/Compositor
              Slacker Rock
              Dream Pop
              Lo-Fi
              Rock Picadélico
Lançamento: 1 de abril
Editora: Captured Tracks
 
"Salad Days" em retrospectiva parece ser só mais um álbum de um canta-autor-compositor que expressa os seus sentimentos e aventuras de quando era um rapazinho no campo, sempre com vocais etéreos, num ambiente extremamente intimista e altamente relaxante, nostálgico ele também ao longo de todo o álbum. Esperem, é exatamente isso. Com apenas 23 anos, Mac De Marco grava o seu segundo longa duração, que soa quase como uma injeção de Baroque Pop-meets-Slacker Rock-meets-Lo-fi-Repeat.
 O álbum consegue ser extraordinariamente consistente, oferecendo baladas muito auto-conscientes e brutalmente honestas a nível lírico, desde "Brother"até ao single principal "Passing Out Pieces", uma rajada de vento trazendo de volta os Beattles  em fase "Sgt. Peppers".
 Em "Salad Days", De Marco altera um pouco a estética da sua notória sonoridade, para  experimentar timbres mais psicadélicos  do que em "2", o que torna o álbum  abrasivo, mas ele também  muito mais emocionante  e intimita.
 "Salad Days"  e mais um album de corpo e alma de Mac De Marco, que parece assumir o papel de Beck desta geração, e este álbum é de uma importância enorme, agora ela desconhecida...
 
Faixas: (As Faixas marcadas a azul são as escolhas do MontijoSound)
Novo: (A Faixa marcada a vermelho é da melhores faixas do ano.

  1. "Salad Days"
  2. "Blue Boy"
  3. "Brother"
  4. "Let Her Go"
  5. "Goodbye Weekend"
  6. "Let My Baby Stay"
  7. "Passing Out Pieces"
  8. "Treat Her Better"
  9. "Chamber of Reflection"
  10. "Go Easy"
  11. "Jonny's Odyssey"
 
             

Crítica- "Supermodel"- Foster The People.

Artista_ Foster The People
Álbum: Supermodel
Género:Indie Rock
             Indie Pop
             Rock Neo-Psicádelico
Lançamento: 24 de Março de 2014
Editora: Columbia Records
Lógico que depois do êxito global "Pumped up kicks", Mark Foster e companhia iriam tentar repetir a fórmula conseguida nesse single neste "Supermodel", segundo álbúm desta força vinda de Los Angeles. Mas claro que tentar repetir essa fórmula viria com alguns custos...
 Neste, a banda não tenta implementar o som de "Torches" (2011), mas sim alterá-lo sem mudar de forma radical a estética e mesmo a identidade  da banda. Neste vemos  uma maturidade lírica, essa mais refletiva e que fala de temas importantes tais como a maneira como as pessoas negam e ás vezes julgam a cultura pop, entre outros assuntos de importância idêntica.
 Mas é precisamente ai que está o problema. ninguém pediu à banda que amadurecesse. Talvez os Foster the people tenham uma importância muito mais reduzida que essa. Talvez os Foster the People apenas sirvam para nos dar Pop pegajoso e dancável, e aqui a banda esforcasse tanto para fazer precisamente o contrário: Pop ele demasiado pensado e feito para um público muito menos acessível.
 È verdade que "Are You Want You Want To Be", promete uma hora de Pop ecléico, e altamente divertido, mas a verdade é que depois disso o álbum "adormece" num "buraco negro", ao qual só depois acorda em "Best Friend", mas ai já se torna tarde de mais.
 Mesmo sem sendo perfeito, "Torches" acaba por ser mil vezes melhor que este aborrecido "Supermodel", mesmo que aqui encontremos um som muito mais direto e muito menos sintetizado que na estreia, mas quando um álbum de estreia é melhor que a sequela, é porque algo não bate bem, e isso sim é o mais triste nisto tudo.
 Mas apesar de tudo, que fique aqui uma coisa bem ciente: apesar de existerem poucos, os momentos memoráveis do álbum roçam a perfeição sonora...

Faixas: (as faixas marcadas a azul são as escolhas do MontijoSound).
Novo: (A Faixa marcada a vermelho é das melhores faixas do ano)
 
  1. "Are You Want You Want To Be"
  2. "Ask Yourself"
  3. "Coming of Age"
  4. "Nevermind"
  5. "Peudologia Fantastica"
  6. "The angelic Welcome of Mr. Jones"
  7. "Best Friend"
  8. "A Beguinner's Guide To Destroying The Moon"
  9. "Goats in Trees"
  10. "The Truth"
  11. "Fire Escape"

domingo, 1 de dezembro de 2013

Crtitica

Artista: Xungaria no Céu
Álbum: Xungaria no Céu
Género: Comédia/Paródia
             Soul
             Punk
             Rap
             Electrónica
Lançamento: 20 de Setembro de 2013
Editora: Flor Caveira

O que é isto? Quem fez isto? E de onde é que vem isto? Era o que uma pessoa normal perguntaria assim que visse isto no Youtube ou no 5 Para a Meia Noite como foi o meu caso, mas a verdade é que uma coisa não podemos negar, é que Xungaria no Céu quando visto pela primeira vez suscita curiosidade. Quem fez isto? Um grupo de desajustados fartos do Mainstream e prontos para mudar a face da música portuguesa. Quem mais? A Flor Caveira, que trouxe quase toda a editora que tem como lema "Religião e Panque-Roque", e todos estão presentes:
 Tiago Guillul, Samuel Úria, os Pontos Negros, os Lacraus, João Coração, Jorge Cruz, Bruno Morgado, Alex D'Alva Teixeira, Manuel Fúria e mais qualquer um que queira fazer parte deste projecto mais maluco que a própria editora em si.

O resultado: Xungaria no Céu, um longa duração de Comédia/Paródia, Rap, Punk e mais qualquer outro género que possam imaginar. Mas a verdade é que este álbum é medido nos seus mais pequenos pormenores: Quer nos vocais Soul de Selma Uamusse em "Na cabeça levo a festa", quer na viciante "Matemática", muito por culpa do refrão "orelhudo" interpretado por Alex D'alva Teixeira e Guel, ou no Punk de dois acordes em "Sai cá pa fora" ou quer no electrizante "Caruncho de ossos". Mas talvez a música de melhor efeito e também o ponto do álbum é em "Tou Pronto", seja pelas suas letras hilariantes que encorajam uma pessoa a fazer tudo ("Mandem vir onda gigante, Eu tou Pronto"), até alguma correr mal claro, ou se calhar pelas estrelas mais sonantes da editora aparecerem no video (Com maior nota claro para Samuel Uria e Alex D'alva Teixeira). E claro, o álbum não podia terminar sem o hipnotizante interlúdio "Xungaria não teme o F.U.T.U.R.O".

Eu não sei se esste "Xungaria no Céu" é demasiado "Avant-Garde" para ser entendido, mas a verdade é que este álbum é demasiado brincalhão e divertido para ser verdadeiramente levado a sério.
 Não vá a Rolling Stone dar 5 estrelas ao álbum, mas acho que só daqui a uns quantos Mundiais (este não conta) é que vou finalmente conseguir perceber a verdadeira beleza deste álbum, mas por agora, vejo este como uma piada, e nada mais.
 Esperemos que por essa altura, esta malta já tenha uns quanto álbuns bons, porque este não é terrível, mas neste caso, isso não basta...

Faixas: (As faixas marcadas a azul são as escolha do MontijoSound!)

  1. "Chamando toda a Xungaria"
  2. "Tou Pronto"
  3. "Na cabeça levo a festa"
  4. "Xungaria no Céu"
  5. "Por te amar não me contive"
  6. "Matemática"
  7. "Saia cá para fora"
  8. "Onze dias no Brasil"
  9. "Mais Louvação"
  10. "Caruncho de ossos"
  11. " Qual é o segredo por que as meninas gritam de medo?"
  12. "Pousaste os Auscultadores"
  13. "Uma migalha de pão"
  14. " O futuro do chão não passa"
  15. "Xungaria não teme o F.U.T.U.R.O"






Critica

Artista: Boogarins
Álbum: As plantas que curam
Géneros: Indie Rock
              Rock Neo-Psicadélico
              Tropicália
              MPB (Música Popular Brasileira)
Lançamento: 1 de Outubro de 2013
Editora: Fat Possum
Minutos: 31:49
De Goiania, para o mundo, dizia Quim Albergaria do Vodafone FM, falando destes miúdos Fernando Almeida e Benke Ferraz, que ainda no liceu, criam os Boogarins, cansados de viver na sombra de lendas perto da Canarinha. Lendas essas que podiam ser reduzidas para uma: Os Mutantes, que, são responsáveis por não só serem um dos pioneiros do Rock Psicadélico nos anos 60, como também lideres de um dos melhores movimentos musicais nos anos 60: Tropicália, que criava a nova onda de MPB, mas com vários factores que ligavam a música Americana e Britânica, como uso e abuso de guitarras fuzz, ou mesmo explorações no Rock Progressivo.

 Para quem ouve este fantástico "As plantas que curam", primeiro longa duração destes miúdos, pensa logo nos Mutantes, mas a verdade é que os Boogarins recriam esse som lindíssimo que era a Tropicália dos anos 60, num som característico, muito mais moderno e criam Pop Psicadélico extremamente "orelhudo" e etéreo, fazendo lembrar os Tame Impala. Mas a verdade é que não existe a mesma "limpeza" sonora que na banda Australiana, dado que muito do material ouvido neste álbum foi gravado em casa, em gravadores de 4 faixas, o que só valoriza mais o álbum, dado que não teve a mesmas técnicas utilizadas numa gravadora "Major".
 Do inicio ao fim, "As plantas que curam" soam como uma incrível viajem, onde essas plantas que curam, acabam por parecer drogas alucinogénas, cujo seu efeito dura os 30 minutos de audição do álbum, e que sensação!

 O álbum começa de forma perfeita logo com 4 faixas de enorme qualidade: "Lucifernandis", soa como uma brisa de ar fresco á medida que o vocalista (Fernando Almeida) sussurra no nosso ouvido "Lucifernandis, lá do Sul". "Erre", a segunda faixa deste quarteto fantástico, dá uma excelente utilização de guitarras fuzz e a barra de tremolo. "Infinu", mesmo só utilizando durante a maior parte da música apenas dois acordes, soa aos nossos ouvidos de forma hipnotizante e "Despreocupar", com aquele toque de Bossa-Nova, despertará a atenção do ouvinte.
 A verdade é que depois destas quatro brilhantes faixas, o álbum perde o seu ritmo, ele tão preciso, mas não chega ao fim sem outra brilhante música, "Paul".

 Mesmo feito em condições Lo-Fi, "As plantas que curam" não só é dos melhores álbuns do ano, como também tem tudo para criar aqui uma rivalidade com os Tame Impala. Neste momento são os Australianos que estão na frente, mas não há nada que um segundo álbum não possa resolver.
Faixas: (As faixas marcadas azul são as escolhas MontijoSound!)
  1. "Lucifernandis"
  2. "Erre"
  3. "Infinu"
  4. "Despreocupar"
  5. "Hoje aprendi de verdade"
  6. "Fim"
  7. "Doce"
  8. "Eu vou"
  9. "Canção Perdida"
  10. "Paul"