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domingo, 17 de julho de 2016

Faixa da Semana: Sun Blossoms- Glue


Alexandre Fernandes e o seu conjunto (revólver) de slacker pop Sun Blossoms encontra um novo ajuste na formação, trazendo alguns nomes super revelantes que moldam a própria faixa em si se a analisarmos bem. Ora "Glue" é uma cassete de duas faixas lançada depois de um longa duração muito elogiado, repleto de faixas nebulosas, lentas e aéreas por vezes até hipnotizantes... Alex (Fernandes) segue a mesma fórmula psicadelismo-caracol mas com um twist inovador que dá personalidade à otherwise banal (e repetitiva) sonoridade de Sun Blossoms: É a bateria de Rendeiro que dá mote à canção, ora lenta seguindo os acordes cansados da guitarra, ora frenética seguindo o shaker de Chaby Mendonça! Essa graciosidade do baixo, sofisticação e subtileza emprestadas de um dos muitos projetos de Chaby vão dar suspense e entusiasmo à faixa, de forma a que esta se torne tão pegajosa como o próprio título.
 Em "Return Your Soul" vemos Alexandre atingir falsettos reverberados pelos efeitos e delays de voz. Essa bravura e obscuridade mística que contraria com a paz e harmonia das suas primeiras gravações é um autentico espetro da escuridão! Arranhado, perturbante e repleto de repetições rítmicas, essa conjunção faz a banda atravessar barreiras sonoras, do solarento e orelhudo para o mais profundo e inconvencional possível.
 Sun Blossoms é um projeto promissor, mas esse sophomore não será com certeza marcado pela sonoridade, Alexandre terá de viajar pelos recantos da sua jovem mas distorcida mente para escrever as canções que um dia o farão ser recordado.

Oiçam Glue aqui

domingo, 19 de junho de 2016

Álbum da semana: Sun Blossoms (homónimo)

Antes de mais, não é fácil escrever sobre discos desta subtileza e sensibilidade. Também não é comum ver, em tão tenra idade, alguém com o dom de Alexandre Fernandes. Parece datado mas reparem, Kevin já tinha os Impala com 14/15 anos antes de se tornarem no protótipo da nova cultura independente. Com 15 anos Alexandre já compunha, gravava e mexia com pedais e layers de reverb. O background é sem duvida favorável.
 Em Setembro de 2015, com 17/18 anos de idade (já), Sun Blossoms (disco de estreia homónimo) saí pelas mãos da Revolve , label habituada a ter outros nomes psicó-trópicos no catálogo (Pontiak ou Toulouse) e que estreia! Sem soar 100% similar aos seus contemporâneos, Alex oferece-nos faixas lentas e aéreas, melodias carregadas de vocais nublados, tímidos... Afinal ele era um adolescente quando gravou todas estas 10 faixas sozinho, no seu quarto.
 A cada faixa, Alex vai aperfeiçoando as mecânicas básicas de uma canção pop orelhuda e peganhenta, mas sem soar tão convencional. "Flower Eyes" soa a imobiliário, Alex usa e abusa da repetição como forma de hipnose nos seus acordes gentis e por vezes fuzzentos, como em "Happy", que parece mais ser uma contradição: Ele não fala de felicidade ou de como é feliz, ele explica como o poderia ter sido. Ainda na ironia, ouve-se um fuzz que se contradiz com os acordes verdes e minimalistas, tudo isto sem parecer hostil ou volátil mas sente-se a melancolia, a frustração nos vocais. Antes em "Friend" Alex toca de forma resoluta cordas jangly e na ponte riffs Mondanile-ear-buzz, após o interlúdio que dá nome à natureza de todas estas faixas, "Dream" que mais poderia ser "Dreamy". Depois dessas, o disco afoga-se em mais slackness e depressão mas nunca tensão, em "Like I Do" ou "Grow", o sunshine pop de "Seeds" envolto numa nebulosa de ruído inaudível que capta Melted Toys ou melted noise, o feedback-delay-drenched "Tonight" e o instrumental folk de "Flow" como chave de ouro.
A beleza reside na inocência dos vocais etéreos, a ingenuidade das guitarras de três acordes que sem o serem de todo, soam a algo complexo e estudado e na facilidade que Alex teve em explorar certos arranjos inconvencionais. Haverá dois, três, até quatro discos de Sun Blossoms, nada soará tão orgânico e profundo que esta doce estreia carregada de milésimas possibilidades.

Ouçam Sun Blossoms