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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Álbum da semana especial Xita Records/Maternidade: Primeira Dama- Histórias por contar + Filipe Sambado- Vida Salgada

Primeira Dama são as gravações de quarto escritas pelo também entusiasta adolescente Manel Lourenço, que viria a tornar-se num dos jovens mais inconformados do movimento, ansiedade essa que torna-se num dos pilares da também hiperativa/juventude ativa editora de Lisboa Xita Records, com fortes amizades com as Labels Maternidade, que extraí outros artistas já estabelecidos como Luís Severo ou Felipe Sambado que disponibiliza-se para gravar e produzir estas faixas no próprio estúdio da Maternidade; Ou fortes influências da editora pioneira Cafetra Records, que apresenta um leque de Singer/Songwriters fundamentais para a influência de não só Primeira Dama como também Lúcia Vives (Éme, Lourenço Crespo, Sallim ou B-Fachada)...
 Nessa cabine da Maternidade repleta de reverb e delay Manel gravou faixas melancólicas e de um dramatismo por vezes angustiante: "Não Passa Nada" é uma despedida de amor, envolto numa melodia tocante de colarinho preto. No refrão vocais abatidos, penosos e amargurantes... "Bilingue" são três minutos desconfortáveis, pop irrequieto e maligno, cheio de repetição lírica, vocais imperceptíveis incapazes de compreender as verdadeiras intenções de Manel: se é incomodar, assustar ou alertar...
 Antes de "Mareh" o sónico "Faixa Etária", uma guitarra dissonante e uma bateria com a marca de Sambado. Toda essa eletricidade, cadência, ecletismo e trip-hop espacial do refrão delay-drenched consolidam a imagem de marca da Label: comunhão, amizade, drum-machines e sintetizade...
 "Mono" traz mais deprimência sonora e outra letra honesta sobre o amor e a saudade para depois terminar com a faixa que dá nome ao disco "Histórias por contar".
 Manel Lourenço expõe as suas faixas com maior sinceridade, entrega e carência possível, captando toda a sensibilidade, subtileza e suavidade de uma cantautora feminina compor e apresentar os seus temas.

Histórias por Contar, Xita Records/Maternidade 2016

Vida Salgada são temas desiguais, lições de moral ou simples histórias de vida que retratam auto-estima, sentidos não obrigatórios de vida... Filipe é ele também um artista desigual que escreve sobre tudo o que vê e sente acontecer à sua volta: do cintilante "Vida Salgada" sobre o amor insonso e a necessidade de algo novo! Os acordes tímidos de "Tou Confuso"... Aí Filipe destaca a maneira como as pessoas caem muito facilmente numa pré-definição de acontecimentos e tendências ao invés de marcarem a diferença sem medo de serem elas próprias. Esta escrita honesta e consciente dão caráter e integridade a Sambado, um compositor humilde de canções identificáveis por outros jovens díspares...
  Do contagiante neo-psich "Roda a Garrafa" até ao triste e refletivo "Aprender e Ensinar", a sinestesia vocal etérea de "Nó do Peito" para fechar com a chave de ouro "Já Não Vou Sair Daqui", temas de uma simplicidade bruta mas que pegando nesse mistério e subtileza lírica tornam-no num dos artistas mais complexos e difíceis de decifrar da cena, não será este disco a fazê-lo.

Vida Salgada, Spring Toast Records/Maternidade 2016

domingo, 10 de julho de 2016

Faixa da semana especial Xita Records/Maternidade


Esta semana destacamos três faixas da compilação Xita Records:

Lucía Vives- Deixa Tar

Compositora adolescente retrata de forma mais poética possível Lisboa a seus olhos. "Deixa Tar" são memórias de noites curtas passadas na sua cidade natal, contadas de forma emocionante, nostálgica, deprimente eu diria até obscura... Canção simples conduzida sobre quatro acordes adormecidos por delay vocal, gíria imensa torna a sua música acessível a uma inteira geração de jovens lisboetas ou todos aqueles que sonham um dia viver na cidade. No fim deixa um caloroso "Eu não quero deixar Lisboa daqui a nada" como mote para tudo aquilo que ela mesmo já viveu ou ainda viverá...

Grand Sun- Apolo

Banda evoca todo o psich ácido de finais de anos 60 com um twist moderno. Sintetizadores sparkle fundem-se com o melted bass e uma estrutura de canções infindáveis num mantra progressivo que obriga o ouvinte a imaginar um universo paralelo onde Pink Floyd e Jacco Gardner fossem um só.

Ninaz- Primavera

Amigas de longa data ouviram Blondie e Courtney Love (no seu apogeu) para trazerem esforço ruidoso e melódico tomando partido dessa particularidade: possuírem vocais maduros e imberbes característicos de uma jovem adolescente. Esse pop pastilha elástica harmonioso e solarento choca com a distorção e arranjos punk mais tarde incutidos na gravação.