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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

"Tiger" é o último rugido de Clementine

Em Setembro de 2015 Clementine lançam "Monga", single que antevia "Bobadela Demo Sessions", único cartão de visita até à data... Com faixas de qualidade inferior e latência superior saltou à vista uma atitude DIY-baixa fidelidade há medida que arranjavam melhores condições para gravar essas faixas...
 Deram concertos, passaram pelo Barreiro Rocks, Caldas Late Night e já haviam assumido fortes relações com Pista ou Cave Story. Agora, sobre mão de Gonçalo Formiga (Cave Story), lançam "Tiger", segundo single para um novo trabalho que poderá estar a ser cozinhado na Hatsize Records (Cave Story, Eternal Champions). Embora ainda nada tenha sido anunciado, Clementine já tem uma setlist de 9 faixas que poderão ser gravadas a qualquer momento, mediante condições para tal...
 O single é então gravado por Gonçalo Formiga e masterizado por Helena Fagundes. Riot Girls tocam dia 9 no festival Rama em Flor e dia 10 no IndieotaFESTAval e deverão apresentar esse single nos próximos concertos.

Ouçam "Tiger".

domingo, 21 de agosto de 2016

Queráute, a malha do espírito livre

"Queráute" a ser tocado em casa de Pista, mais
recentemente nas festas do Barreiro
"Bamboleio" faz-se soar de forma intensa, nostálgica e o mais característica possível, condensada por riffs rasgados, baterias frenéticas e difíceis de conter e essa ilusão do baixo (há uns tempos sustentada por Nick Suave) destingue Pista dos demais em território Punk (ou qualquer outra fusão relacionada).
"Queráute" no Outfest, ainda com Nick Suave
 "Bamboleio" é um álbum rock. Repleto de singles, prima pela consistência das faixas que a cada audição reinventam-se em algo novo, como se tratasse de um feitiço ou uma boa maldição. Passaram 2 anos e faixas como "Puxa" ainda soam a algo entusiasmante de se ouvir, "3-0" é o clássico que faz a banda aparecer no radar e "Salmão" é aquela canção que estereotipa um dia de verão passado na piscina com todos os amigos e algumas pessoas que não querias ver, cervejas frescas e bons grelhados a acompanhar o convívio. Toda essa temática construída à volta do tropicalismo, sol, verão, praia, dão também um carisma incontornável e único a Pista.
"Queráute" no Time Out (Montijo)
 No entanto, existe sim essas influências Pós-Punk em certos momentos mais marcantes de Bamboleio... Falando de "Queráute", última faixa desse "disco verde", um épico de 12 minutos que se eleva de minuto para minuto, de acorde para acorde, de batuque para batuque. Essa efervescência inédita coloca Pista num patamar inalcançável e incalcinável. Aqui vemos força obscura capaz de suportar a banda ao longo de próximos discos e aqui vemos uma faceta enérgica fora do comum. "Queráute tem nove minutos porque Yes we can... Ou então porque não queremos que passe em lado nenhum...", explica Cláudio. Queráute suplanta-se e exprime inquietação, um freak punk ágil e sagaz, destemido e incrivelmente hábil na conclusão das suas obrigações como chave de ouro. Um eterno grito de potencialidades infinitas no som de Pista que pode metamorfosear naquilo que Cláudio, Bruno e Ernesto bem entenderem.
 O intuito progressivo e o mantra infinito, vocal hipnotizante e desconfortante... A voz rouca de Cláudio e Ernesto, enfraquecidas pela força da repetição incutidas na palavra... A verdade é que nos últimos concertos de Pista, Queráute tem-se tornado num dos momentos mais marcantes e memoráveis de qualquer concerto da banda. Alex D'alva Teixeira (D'alva) tem acompanhado a banda pela estrada, apoiando Cláudio nos back vocals. Essa presença e energia evidente de Alex colocam Quéraute num pedestal enorme. O público manifesta-se de várias formas, quer dizer, já vimos gente inconformada com o ruído insuportável, cabeças agitam em tom de concordância e consenso, corpos agitam-se com a inquietude do ritmo, já houve relatos de paralisia... Todas estas manifestações ocorrem de acordo com a gravidade da faixa, ora curta e convencional ora prolongada por um estado de espírito insolente. Toda essa atitude Punk é necessária para que a música seja tocada de forma mais crua e visceral possível.
No Super Bock Super Rock deste ano um grupo de
pessoas baixa-se durante "Queráute", sobre a repetição da
palavra e a descarga de adrenalina que envolvia o grande momento
da explosão

Essa prolongação carregada de feedback, dissonância, ruído branco (por vezes) e o habitual guincho vocal são alguns dos momentos mais marcantes de toda a cena underground atual. Para fotógrafas como Vera Marmelo, captar momentos tão incomparáveis como estes são só pequenas formas de homenagear este pequeno (12 minutos) monumento Punk chamado Queráute. Ao longo dos anos a faixa ganhará ainda mais importância e com o tempo influenciará outros rebentos a criar uma banda de Punk. Quanto a "Bamboleio", outros dos discos mais notáveis alguma vez feitos em Portugal, ficam dois sentimentos. O primeiro é o querer e a vontade de ouvir estas eternas faixas para todo o sempre, sem alguma vez nos cansarmos delas ou ficarmos saturados, seja no disco ou ao vivo. O medo que um próximo disco não soe igual a este, a tristeza desse facto. O segundo sentimento: O amor e confiança que sentimos por estes três pioneiros não nos dão outra alternativa a não ser confiar cegamente em tudo aquilo que eles fizeram e que ainda haverão de fazer em prol da música cantada em português.
Cláudio em busca do feedback durante "Queráute", com
Alex D'alva Teixeira a fazer vibrar o público no
Super Bock Super Rock deste ano


Todas as fotos são de Vera Marmelo. Vejam o seu trabalho aqui.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Old Yelow Jack libertam "Ten Tons" para disco de estreia

Capa de Cut Corners
Depois de "Glimmer" lançado praticamente no início do ano, lisboetas Old Yellow Jack libertam "Old Tons", depois de alguns leaks e ameaças de lançamento precoce.
 A faixa tem colaboração de Diogo Antunes da Silva (SpiderTom) e o vídeo é realizado por Hen Koros Ribbon.

 "Cut Corners" é o muito antecipado disco de estreia de Old Yellow Jack e saí dia 16 de Setembro nas principais plataformas de audição stream.

 Dia 9 de Setembro tocam no IndieotaFESTAval, no Montijo e deverão apresentar essas faixas na íntegra.

  

Vejam vídeo de "Ten Tons" em cima ou ouçam aqui

domingo, 17 de julho de 2016

Faixa da Semana: Sun Blossoms- Glue


Alexandre Fernandes e o seu conjunto (revólver) de slacker pop Sun Blossoms encontra um novo ajuste na formação, trazendo alguns nomes super revelantes que moldam a própria faixa em si se a analisarmos bem. Ora "Glue" é uma cassete de duas faixas lançada depois de um longa duração muito elogiado, repleto de faixas nebulosas, lentas e aéreas por vezes até hipnotizantes... Alex (Fernandes) segue a mesma fórmula psicadelismo-caracol mas com um twist inovador que dá personalidade à otherwise banal (e repetitiva) sonoridade de Sun Blossoms: É a bateria de Rendeiro que dá mote à canção, ora lenta seguindo os acordes cansados da guitarra, ora frenética seguindo o shaker de Chaby Mendonça! Essa graciosidade do baixo, sofisticação e subtileza emprestadas de um dos muitos projetos de Chaby vão dar suspense e entusiasmo à faixa, de forma a que esta se torne tão pegajosa como o próprio título.
 Em "Return Your Soul" vemos Alexandre atingir falsettos reverberados pelos efeitos e delays de voz. Essa bravura e obscuridade mística que contraria com a paz e harmonia das suas primeiras gravações é um autentico espetro da escuridão! Arranhado, perturbante e repleto de repetições rítmicas, essa conjunção faz a banda atravessar barreiras sonoras, do solarento e orelhudo para o mais profundo e inconvencional possível.
 Sun Blossoms é um projeto promissor, mas esse sophomore não será com certeza marcado pela sonoridade, Alexandre terá de viajar pelos recantos da sua jovem mas distorcida mente para escrever as canções que um dia o farão ser recordado.

Oiçam Glue aqui

domingo, 10 de julho de 2016

Faixa da semana especial Xita Records/Maternidade


Esta semana destacamos três faixas da compilação Xita Records:

Lucía Vives- Deixa Tar

Compositora adolescente retrata de forma mais poética possível Lisboa a seus olhos. "Deixa Tar" são memórias de noites curtas passadas na sua cidade natal, contadas de forma emocionante, nostálgica, deprimente eu diria até obscura... Canção simples conduzida sobre quatro acordes adormecidos por delay vocal, gíria imensa torna a sua música acessível a uma inteira geração de jovens lisboetas ou todos aqueles que sonham um dia viver na cidade. No fim deixa um caloroso "Eu não quero deixar Lisboa daqui a nada" como mote para tudo aquilo que ela mesmo já viveu ou ainda viverá...

Grand Sun- Apolo

Banda evoca todo o psich ácido de finais de anos 60 com um twist moderno. Sintetizadores sparkle fundem-se com o melted bass e uma estrutura de canções infindáveis num mantra progressivo que obriga o ouvinte a imaginar um universo paralelo onde Pink Floyd e Jacco Gardner fossem um só.

Ninaz- Primavera

Amigas de longa data ouviram Blondie e Courtney Love (no seu apogeu) para trazerem esforço ruidoso e melódico tomando partido dessa particularidade: possuírem vocais maduros e imberbes característicos de uma jovem adolescente. Esse pop pastilha elástica harmonioso e solarento choca com a distorção e arranjos punk mais tarde incutidos na gravação.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Faixa do Dia: Quelle Dead Gazelle - "Afrobrita"

Amigos leitores, esta "Faixa do Dia" vem como um teaser de uma novidade que vos vamos apresentar muito em breve aqui no Montijo Sound.



Quelle Dead Gazelle é uma das bandas sensação do momento e Afrobrita é a faixa que não pode faltar em qualquer setlist, mesmo três anos depois do lançamento estrondoso do Ep que os catapultou para o mundo, a faixa mantém-se na memória do público, que vibra cada vez que a tocam.
Podia falar de qualquer outra faixa de "Maus Lençóis", mas quem esteve no concerto de lançamento do álbum no Musicbox reparou em várias coisas, entre as quais refiro as seguintes:
Lotus Fever são uma banda com músicos bastante bons e competentes;
Afrobrita é a junção perfeita entre o que é pesado e o que é dançável, um hino da música sem vocais.
Miguel Abelaira (bateria) anuncia o fim do concerto por volta da meia-noite, quando a banda se prepara para sair do palco Pedro Ferreira (guitarra) decide tocar a "Afrobrita", se bem que a faixa já tinha sido anunciada anteriormente mas por engano. O que se sucede é o final perfeito de um concerto de apresentação cheio e tenso mas repleto de entusiasmo. São momentos de dança interrompidos com headbang, o afro e a brita, o dançável e o power.
A meu ver Quelle Dead Gazelle são das melhores bandas em Portugal a fazer música puramente instrumental, o "Maus Lençóis" pode servir como mais um álbum bem conseguido para lhes dar visibilidade, mas esta é talvez a principal faixa que lhes serve de cartão de visita. Por experiência própria, depois de experiênciar algo como Afrobrita ao vivo, dificilmente não se atende a outro concerto de Quelle Dead Gazelle.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Faixa do Dia: Saudade - "Saudade"

Em abril deste ano Chino Moreno (Deftones) surpreende com outro side-project, desta vez um supergrupo, Saudade, com membros de Crosses, Bad Brains e Cro-Mags.


Ora, há dias a minha namorada ofereceu-me uma mixtape, 10 faixas bonitas e cheias de sentimentos. "Saudade" era a décima faixa, a faixa perfeita para se concluir um presente deste género, na minha opinião. Sim, é a música ideal para dias mais tristes ou apaixonados ou para quando se está a 500 quilómetros de alguém, mas instrumentalmente é muito mais do que isso: A introdução é um mero aperitivo para o que se segue. A guitarra entra triunfante e sem aviso, num grito que mesmo sem letras fala por sí (eis a beleza da música instrumental), o solo em combinação com as teclas e o caos criado por trás pela bateria conseguem transmitir tudo ao ouvinte, fazê-lo sentir coisas, adaptar o seu sentimento corrente à própria música.
Uma das mais bonitas faixas de 2016? Sem dúvida! Para quando mais faixas de Saudade? Chino já revelou que tem mais 12 a 13 faixas escritas, faixas essas que serão reveladas pouco a pouco, resta agora esperar...

terça-feira, 5 de julho de 2016

Faixa do dia: Pixies - Letter To Memphis



Porque já não conseguimos suportar a dor da espera e porque um pouco de Pixies por dia nunca é demais, a faixa do dia de hoje é a "Letter To Memphis", do disco "Trompe Le Monde", o último com a Deusa Kim Deal. Uma malha curta, eficaz e que apaixona sabe-se lá bem porquê. Black Francis vocifera sentimentos e palavras que remetem para um amor impossível devido à distância, um the one that got away... Ao mesmo tempo, esta malha é puro rock de garagem e caíria bem com uns amigos, grades de cerveja e uma festa privada num terraço. Cada vez mais parece mais claro que os verdadeiros amores das nossas vidas são aqueles que já muito ouviram sobre os nossos desamores.



segunda-feira, 4 de julho de 2016

Faixa do dia: KAYTRANADA - TOGETHER

Louis Celestin tem apenas 23 anos, nasceu no Haiti e foi criado mesma terra que os nossos queridos Arcade Fire (Montreal, Canadá). Aos catorze anos já era DJ e aos 15 iniciou-se como produtor ao lado do irmão. O seu primeiro álbum, "99.9%", só saiu do forno este ano e conta com colaborações com AlunaGeoge, Craig David e Little Dragon. Hoje foi a primeira vez que escutei algo desta frescura emergente no mundo da eletrónica e do r&b, durante a emissão da Vodafone FM. Quando ouvi o álbum, trabalho esse apenas disponível no Spotify, encantei-me com o revivalismo 90's de "TOGETHER". Lembra o início de um verão pois é leve e sem todos os desgastos das memórias feitas e assemelha-se a um choque térmico de gelo numa pele queimada pelos raios de sol.

É groovy, é smooth, uma faixa hip hop dançável que conjuga uma misturada que não sabemos designar. Goldlink faz o rap e AlunaGeorge é a voz em destaque. Let it flow away and never mind it...

Ouve a faixa AQUI.

domingo, 26 de junho de 2016

Faixa da semana: Surma- Maasai


Surma é o projeto de Débora Umbelino, compositora e multi instrumentista de Leiria, que nos vem a trazer uma das vozes mais cativantes que tive o prazer de ouvir nos últimos tempos, doçura depois mais tarde dissolvida em tons escuros, climas adversos, como pudemos escutar em "LO-FI"...
Olhando para a produção de Emanuel Botelho (Sensible Soccers), "Maasai" é só mais um espectro noturno que revela uma artista introspetiva mas segura em todos os instrumentos que utiliza para expressar-se de forma mais emblemática possível, embora estejamos a falar de música minimalista trancada por uma chave que só Surma possuí: Os sintetizadores misteriosos servem de bússola neste acordar pós-coma que nos deixa atordoados pelas cordas e pelos bpm impostos pelo seu drum machine que seguem cada heartbeat mais expetante, irrequieto e inseguro após entrarmos neste daydream... Os vocais etéreos e impercetíveis impedem-nos de acordar deste sonho, à medida que nos afundamos cada vez mais em Maasai sem um bilhete de retorno... Os compressores gelados hipnotizam e entre cada oscilação fazem-nos querer voltar a repetir toda esta viagem num loop que torna-se viciante e a seu tempo terebrante.
 Surma é uma pedra rara mas não é a única, no entanto a profundidade, intimidade e nervosismo acutilante que incuta no seu som, o dramatismo e teatralidade por trás da sua voz e a simplicidade que funde ambos torna-a numa das jóias mais promissoras da cena desde Sequin.
 O verão mal começa e já desejo acordar no próximo inverno...

Ouçam Maasai de Surma

sábado, 18 de junho de 2016

Faixa da semana: Alek Rein- River of Doom


Alexandre Rendeiro, Alek Rein, é um personagem. Não a sério, é um alter-ego criado pelo mesmo. Sendo ambos a mesma pessoa, Alek por Alexandre pode tornar-se na pessoa que quiser, pode moldar a personalidade que lhe apetecer e pode explorar as sonoridades que quiser. As far as he's concerned Alek Rein nem é um músico, talvez seja um contador de histórias... Pareço confuso certo? Também é o mundo de Alek, ao qual ele convidou-nos para entrar em 2010 com o EP "Gemini". Não nega as semelhanças com Mac DeMarco ou Kurt Vile, dois dos compositores mais insanos da nova geração indie, um deles um romântico incurável o outro um possível crackhead em rehab?
 Alek Rein assume o seu personagem como um freak, outsider da sociedade, que tem uma banda de folk onde expõe as suas mágoas e histórias de como "Polvilhou sal na sua casa, pregou uma ferradura na sua porta de entrada(...) vestiu os seus espelhos de veludo"... Toda esta escrita emblemática e nihilista dão carisma ao seu personagem, tudo isso aliado à capacidade de construir canções pop bonitas e nostálgicas de certo modo, tudo isso adereços que queremos ouvir em "Mirror Lane".

Ouçam aqui River of Doom

domingo, 12 de junho de 2016

Faixa da semana: Kevin Morby - I Have Been to the Mountain


Kevin Morby, vocalista dos The Babies e baixista dos Woods, tem provado que consegue correr por trilhos vertiginosos e gatinhar por si mesmo. O terceiro álbum a solo, "Singing Saw" (2016) mostra uma eterna criança que já corre para onde quer e cujas brincadeiras faz-de-conta incluem referências como Bob dylan, Neil Young, Cohen e Lou Reed.
E não é por acaso que "I Have Been to the Mountain" é faixa da semana...

O texano de 28 anos já tinha revelado a Pitchfork que "I Have Been to the Mountain" é sobre morte e espiritualidade. Sobre a procura de respostas para a maldade que é partir deste mundo pela mão de outrém, que, consumido pelo Diabo, mata o próximo sem a menor das sensibilidades. E é com uma melancolia que ataca o estômago que nos debruçamos nesta escalada, com uma mensagem que não prega, mas atenua parte da dor. No refrão, a harmonia do trio gospel faz de atalho para os caminhos mais obscuros desta montanha e intensifica a ténue sensação de esperança que é projetada, transformando a meta da canção num final (ligeiramente) mais feliz. São desabafos na voz de Morby que evocam a força de grupo e que saram as feridas, para logo depois partirmos para outra aventura.


Morby é, também, um aficionado pela cidade do Porto. "Bridge to Gaia" é o tema que dedica à Invicta, cidade que guarda no coração como a predileta de "toda a Europa".

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Faixa da semana: Psychic Teens- Winter Grey


Imaginem o céu a fundir-se com o mar num pôr do sol belíssimo. Imaginem uma trincheira da I Guerra Mundial. Agora imagem que estão numa trincheira da I Guerra Mundial, na praia, a ver o céu fundir-se com o mar num pôr do sol belíssimo enquanto tiram uma bala da perna do vosso camarada de trincheira por quem secretamente se apaixonaram durante as experiências traumáticas pelas quais passaram juntos. Conseguem? É que é assim que soa a Winter Grey, quarta faixa do novo disco dos Psychic Teens. A batida é agressiva, “in your face”, quase coxa, as guitarras estão a afogar-se em reverb e passam da melodia mais doce ao ataque mais pesado sem perder a elegância. O baixo é a pulsação cardíaca de um doente com ansiedade crónica e dá-nos vontade de dançar com os olhos fechados. A voz é quase profética, vem do fundo de um poço, talvez de um poço tão fundo como o que a letra reflete. As letras depressivas no post-punk não são novidade, mas há por aí muito boas bandas que não sabem ser melodramáticas- tornam-se chatas e ninguém quer saber se estás triste, paga mas é finos.- este caso não é assim. É impossível não murmurar aquele “I don't need anybody/ I don't need anyone” mesmo que estejamos a ir para o casamento. Merda, especialmente se estivermos a ir para o casamento!

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Faixa da Semana: Melbourne - Ditch Days

Ora bem, há três semanas fizemos uma visita à Pontiaq, para entrevistar os Savanna. Enquanto falávamos de "ferrar o galho", que afinal em Viseu significa só dormir, entram os fantásticos Ditch Days na sala, participando na conversa acerca do significado implícito da expressão. Acabámos por quase combinar um regresso os entrevistar. O que me encheu de motivação para esta futura entrevista foi quando cheguei a casa e vi o videoclip de Melbourne, o primeiro single dos Lisboetas.



Mas que mágica é esta!? (Com sotaque zuca) Que pop tão limpo e dreammy, o refrão que se cola à cabeça durante dias, as backvocals aéreas, as linhas de guitarra solarengas que coincidem com todo o sol que se espalha por toda a música, tudo parece bater certo e nem sei bem por onde começar. Não há dúvida que a Pontiaq tem produzido as bandas mais dreammy da geração em Portugal e neste aspeto os Ditch Days destacam-se pela simplicidade e suavidade do seu som, quase incomparável. Sejamos sinceros, há poucas bandas na tuga com o focus principal no dream pop, o que é uma pena. O que já não é uma pena é estes três gajos terem um dos melhores singles do ano na minha opinião.

Já agora podem dar uma olhada na entrevista aos Savanna aqui.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Faixa da Semana: Eternal Champions- Merry-go-round


A música Pop feita em Portugal tem ganho contornos interessantes ao longo dos anos, daí surgem editoras cujo único interesse passa por fazer Rock sem soar a algo violento ou devoluto... Algo convencional que se interligue à  mecânica simples de composição que por sua vez estabelece um caso amoroso com a melodia e consciência do conteúdo lírico exposto...
 Ainda mais engraçado torna-se, ver um baixista de uma banda de Pós Punk com influencias garageiras (ou não) a tocar malhas de outras décadas (70's talvez?), sair da sua zona de conforto e revelar-se um autêntico fabricante de canções fáceis: de ouvir, de recordar, de adorar... Enfim, Pop na sua única forma possível de conceção.
 Eternal Champions surge das mãos e mente instável (no sentido pro-ativo) e por sinal bastante aberta a novas sonoridades, de Pedro Zina (Cave Story), que vem dar o corpo e voz a um manifesto que à primeira vista poderá ser incompreensível aos olhos de quem o vê, mas para os ouvidos de quem a ouve, terá aqui uma das faixas mais agradáveis, Summer-friendly que podia ter surgido de qualquer artista português, se este tivesse a mesma criatividade e engenho para um fabrico desta intensidade harmoniosa e simplicidade de acordes, riffs nostálgicos que Pedro faz questão de soar num eco que nos traz de volta a uma década quimérica traduzida num lettering lo-fi de anos 90, falo de "Merry-Go Round", que Pedro submete pelo nome de Eternal Champions.

 O tema, esse não foge as oscilações de qualquer relacionamento amoroso, aqui é possível captar alguma honestidade, vivida ou não, que tornam Pedro num músico sensível e capaz de transpor algo muito mais profundo e inalcançável que o seu baixo em Cave aparenta, baixo esse gravado por ele nesta faixa, tal como a guitarra, tirando a bateria do seu compatriota Ricardo Mendes (Cave Story, Leaf) e um sintetizador açucarado (Catarina Branco), que se contradiz com a acidez e alguma frustração na expressão vocal de Pedro: "Ask the questions in a way to sound not profound, Merry-Go-Round, Merry-Go-Round", contraposição essa depois confirmada pelo mesmo, sem soar maldoso ou ressabiado ele diz e repete "I'm Fine".
 Eternal Champions é uma surpresa sim, mas como todas as surpresas há sempre uma incógnita: Será o embrulho mais bonito que a prenda? Mesmo se for, este single vale por muitos LP's que tenho ouvido ultimamente...

Ouçam Merry-Go-Round de Eternal Champions 

domingo, 15 de maio de 2016

Faixa da Semana: Linda Martini - Putos Bons

Esta terça feira os Linda Martini libertaram o vídeo de "Putos Bons" ao vivo no Coliseu. "Há tantos putos bons neste quintal e devemos-lhes muito do que temos/somos hoje (...) Este é para vocês. Partilhem-no, que é vosso" são as frases da banda no facebook, oferecendo o vídeo aos fãs.
A faixa podia nem ser das que chamavam mais atenção em Sirumba à partida, contudo, quem viu o concerto no Coliseu como eu, depois de esperar 8 horas para o meu lugar na primeira fila (embora só começassem a chegar pessoas depois da quarta hora) e sentiu tudo o que a banda tinha para dar, os sorrisos da Cláudia, o "skygaze" do Pedro, os tripanços do Hélio, o timbre inconfundível do André, vê o vídeo e as lágrimas simplesmente saem naturalmente. É um arrepio constante na espinha, por momentos sentimos tudo outra vez, as lágrimas que a banda nos deixou e o abraço do Pedro Geraldes no fim do concerto, os dois encores, todos os agradecimentos...


Chamem-me tendencioso, mas Linda Martini é o melhor conjunto português ao vivo. Tiram um rock vanguardista com contornos No Wave, sendo Sirumba exemplo disso. Putos Bons está colocado mesmo no centro do álbum, o que faz esta faixa tão especial será talvez o facto de estar mais dedicada ao público ou o refrão que perfura os ouvidos de qualquer um, "eu não caibo em mim, se me for vai lá pôr uma flor no jardim". Pode também muito bem ser o break completamente inconvencional e inexplicávelmente interessante e "tripante", terminado daquela forma energética e abrupta, retomando-se outra vez a viagem até ao fim da música. O que sobressai ao fim de muitas audições é uma das melhores faixas de Sirumba, um álbum que tem vindo a ser bastante aclamado pela imprensa, provando que os Linda são uma banda de culto. O concerto no Coliseu só vem a imortalizá-los ainda mais, colocando-os no lugar histórico onde merecem estar.

sábado, 7 de maio de 2016

Faixa da semana: Panado- Charopes

Eu fui ver o gig de Panado na Quinta-Feira no Lounge, foram tocar com os TreeHouse 2290, banda de Pós-Rock/Ambient. O som até estava bom mas este público foi um dos piores que eu já vi... De 60/70 e tal pessoas haviam 15 a curtir da cena as outras estavam meramente à espera que uma das bandas cometesse um gafe compreensível de forma a tornarem-se pretensiosos e gritarem algo previsível tipo "És uma meeeeerda"  ou assim.
Os concertos de Panado são sempre celebrizados com algum acontecimento anormal, tipo o gig na Timila em que nos faltava um PA, que saudades...  A meio deste concerto o amplificador do Lourenço desliga-se, impossibilitando o som de baixo que tanto dinamiza as músicas, tal como outro instrumento, eles são um trio, comem-se uns aos outros em termos sonoros...  Apesar de ser uma coisa que acontece muito frequentemente óbvio que o Lourenço ficou chateado com o sucedido porque aquele público faz juízos de valor reles... Encontrei malta fixe apesar de tudo, António Ferreira dos Basset Hounds chegou a gritar para o Pedro no móvel quando liguei para ele sem querer, encontrei o Bruno Cardoso de Xinobi, obrigado pelo isqueiro amigo!
 Bem, eis a minha conclusão, os Panado estão a tocar bem ao vivo, as músicas estão a soar bem e a banda está a corresponder à própria evolução e expansão que é bastante visível agora. É verdade sim que se eu fosse baixista e me acontecesse algo do género também ficava lixado, mas agora digo isto e digo com certeza: Qualquer público que não dance, moshe, surfe e todas essas cenas giras que se fazem num concerto de Panado, ainda por cima ao som de malhas tão ecléticas e hiperativas como "D. João" ou este fantástico "Charopes", merece ter a guitarra do Vitor, o baixo do Lourenço e a bateria do Bernardo a tocar à frente dos seus olhos, portanto Lourenço, obrigado pela antecipação e por teres dado uma lição bem merecida a algumas pessoas que estavam no Lounge no dia 5 de Maio. Terás o teu momento de redenção esta Sexta-feira no Time Out com Pista (shotout para o Cláudio, o Miguel Afonso, essa malta toda gira), não que precises amigo... Não que precises.


Ouçam "Charopes"

domingo, 1 de maio de 2016

Faixa da semana: Arcade Fire - Month Of May



"Month of May" é uma lufada de ar fresco no nostálgico "The Suburbs". Posicionada a meio do alinhamento do álbum, a despertar o ouvinte de uma maneira frenética e motivadora, esta faixa é também um "abre-olhos": não fosse a sua mensagem contra a inércia tão forte. É aqui que os Arcade Fire se despegam, por 3:50 minutos, do registo indie e do pop barroco. Rock'n'Roll é a alavanca agitadora que acompanha a voz de Will Butler e que nos inspira para uma silly dancing. "Month of May", apesar de single, não teve arrumação digna no espólio do maravilhoso universo galático que é o Hype.

Vejamos, maio é um mês de expectativas (antecipa o verão e por sua vez os projetos idealizados para o mesmo) e também de tensão (principalmente para os estudantes que estão na reta final).
"May", na língua inglesa, é também usado para expressar uma permissão, uma possibilidade ou um desejo. A componente lírica desta música evoca aquilo tudo que idealizamos e que ainda tencionamos pôr em prática... e qualquer sonho cobra a libertação de algumas "amarras".
Dissequei esta canção através de uma vertente mais pessoal, mas tal não foi em vão até porque baseei-me no contexto em que o MontijoSound está a viver. Somos uma família dentro e fora deste projeto, temos cada vez mais responsabilidades e sonhamos alto... com plena consciência que o tempo não dá abébias e que maio será o mês das mudanças.


domingo, 24 de abril de 2016

Faixa da semana: Old Jerusalem - A rose is a rose is a rose

A faixa desta semana é extraída do álbum "A rose is a rose is a rose", trabalho deste ano do músico português Old Jerusalem. É o apogeu melancólico do disco feito com guitarra acústica, contra baixo e percussão, que abrem o leito para que o poema flua, cantado com a voz inconfundível e confortável de Francisco Silva.
 Há uma razão para a qual o artista tem sido tão falado por nós ao longo da semana e esta faixa reflete essa razão. Pode não ser das faixas mais faladas do novo disco, pode não ter tido tanto impacto como "A Charm", que incorpora várias vozes de violinos, um elemento muito presente neste álbum, ou "One for the Dusty Light", que se assemelha à música folk americana, mas "a rose is a rose is a rose" espanta-nos com o seu caráter melancólico, o riff de guitarra acústica, o contra baixo a vaguear pelas tónicas, a percussão que acrescenta todo caos, tudo de forma coordenada e sentida, sentimento esse que se observa nas próprias faces dos músicos e que me faz prender ainda mais a esta faixa.
Fica a sugestão desta semana, agora aproveitem e viajem com a faixa através do vídeo da Videoteca Bodyspace:




Vejam aqui a entrevista exclusiva do Montijo Sound a Old Jerusalem.

domingo, 17 de abril de 2016

Faixa da Semana: The Who - Eminence Front


Esta semana regressamos a 1982, com o lançamento de "It's Hard", dos britânicos The Who, e vamos buscar a "Eminence Front" ao baú para faixa da semana. Música que traz recordações de outros tempos, a alguns com outras idades, a mim remonta-me a tempos mais despreocupados, por volta do 8º ano, em que explorava todas as frentes daquilo a que se chama vagamente de rock. "Eminence Front" toma uma sonoridade bastante mais funk quando em comparação com o resto do aclamado álbum ( grande destaque para "Dangerous" e "It's Hard" que também saem deste álbum), de onde retiramos aquele fantástico solo de guitarra de Pete Townshend e no fundo os teclados flutuantes de Tim Gorman, numa altura em que ainda se chorava a morte de Keith Moon (1946 - 1978), "Moon the Loon" de apelido. Para além disso, podem encontrar a faixa em Gta San Andreas, o que aumenta ainda mais o caráter nostálgico da coisa...
Vá chega de conversa, ouçam a faixa pessoal.


Ouve aqui Eminence Front de The Who