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domingo, 17 de julho de 2016
Faixa da Semana: Sun Blossoms- Glue
Alexandre Fernandes e o seu conjunto (revólver) de slacker pop Sun Blossoms encontra um novo ajuste na formação, trazendo alguns nomes super revelantes que moldam a própria faixa em si se a analisarmos bem. Ora "Glue" é uma cassete de duas faixas lançada depois de um longa duração muito elogiado, repleto de faixas nebulosas, lentas e aéreas por vezes até hipnotizantes... Alex (Fernandes) segue a mesma fórmula psicadelismo-caracol mas com um twist inovador que dá personalidade à otherwise banal (e repetitiva) sonoridade de Sun Blossoms: É a bateria de Rendeiro que dá mote à canção, ora lenta seguindo os acordes cansados da guitarra, ora frenética seguindo o shaker de Chaby Mendonça! Essa graciosidade do baixo, sofisticação e subtileza emprestadas de um dos muitos projetos de Chaby vão dar suspense e entusiasmo à faixa, de forma a que esta se torne tão pegajosa como o próprio título.
Em "Return Your Soul" vemos Alexandre atingir falsettos reverberados pelos efeitos e delays de voz. Essa bravura e obscuridade mística que contraria com a paz e harmonia das suas primeiras gravações é um autentico espetro da escuridão! Arranhado, perturbante e repleto de repetições rítmicas, essa conjunção faz a banda atravessar barreiras sonoras, do solarento e orelhudo para o mais profundo e inconvencional possível.
Sun Blossoms é um projeto promissor, mas esse sophomore não será com certeza marcado pela sonoridade, Alexandre terá de viajar pelos recantos da sua jovem mas distorcida mente para escrever as canções que um dia o farão ser recordado.
Oiçam Glue aqui
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Álbum da semana especial Xita Records/Maternidade: Primeira Dama- Histórias por contar + Filipe Sambado- Vida Salgada
Primeira Dama são as gravações de quarto escritas pelo também entusiasta adolescente Manel Lourenço, que viria a tornar-se num dos jovens mais inconformados do movimento, ansiedade essa que torna-se num dos pilares da também hiperativa/juventude ativa editora de Lisboa Xita Records, com fortes amizades com as Labels Maternidade, que extraí outros artistas já estabelecidos como Luís Severo ou Felipe Sambado que disponibiliza-se para gravar e produzir estas faixas no próprio estúdio da Maternidade; Ou fortes influências da editora pioneira Cafetra Records, que apresenta um leque de Singer/Songwriters fundamentais para a influência de não só Primeira Dama como também Lúcia Vives (Éme, Lourenço Crespo, Sallim ou B-Fachada)...
Nessa cabine da Maternidade repleta de reverb e delay Manel gravou faixas melancólicas e de um dramatismo por vezes angustiante: "Não Passa Nada" é uma despedida de amor, envolto numa melodia tocante de colarinho preto. No refrão vocais abatidos, penosos e amargurantes... "Bilingue" são três minutos desconfortáveis, pop irrequieto e maligno, cheio de repetição lírica, vocais imperceptíveis incapazes de compreender as verdadeiras intenções de Manel: se é incomodar, assustar ou alertar...
Antes de "Mareh" o sónico "Faixa Etária", uma guitarra dissonante e uma bateria com a marca de Sambado. Toda essa eletricidade, cadência, ecletismo e trip-hop espacial do refrão delay-drenched consolidam a imagem de marca da Label: comunhão, amizade, drum-machines e sintetizade...
"Mono" traz mais deprimência sonora e outra letra honesta sobre o amor e a saudade para depois terminar com a faixa que dá nome ao disco "Histórias por contar".
Manel Lourenço expõe as suas faixas com maior sinceridade, entrega e carência possível, captando toda a sensibilidade, subtileza e suavidade de uma cantautora feminina compor e apresentar os seus temas.
Histórias por Contar, Xita Records/Maternidade 2016
Vida Salgada são temas desiguais, lições de moral ou simples histórias de vida que retratam auto-estima, sentidos não obrigatórios de vida... Filipe é ele também um artista desigual que escreve sobre tudo o que vê e sente acontecer à sua volta: do cintilante "Vida Salgada" sobre o amor insonso e a necessidade de algo novo! Os acordes tímidos de "Tou Confuso"... Aí Filipe destaca a maneira como as pessoas caem muito facilmente numa pré-definição de acontecimentos e tendências ao invés de marcarem a diferença sem medo de serem elas próprias. Esta escrita honesta e consciente dão caráter e integridade a Sambado, um compositor humilde de canções identificáveis por outros jovens díspares...
Do contagiante neo-psich "Roda a Garrafa" até ao triste e refletivo "Aprender e Ensinar", a sinestesia vocal etérea de "Nó do Peito" para fechar com a chave de ouro "Já Não Vou Sair Daqui", temas de uma simplicidade bruta mas que pegando nesse mistério e subtileza lírica tornam-no num dos artistas mais complexos e difíceis de decifrar da cena, não será este disco a fazê-lo.
Vida Salgada, Spring Toast Records/Maternidade 2016
Nessa cabine da Maternidade repleta de reverb e delay Manel gravou faixas melancólicas e de um dramatismo por vezes angustiante: "Não Passa Nada" é uma despedida de amor, envolto numa melodia tocante de colarinho preto. No refrão vocais abatidos, penosos e amargurantes... "Bilingue" são três minutos desconfortáveis, pop irrequieto e maligno, cheio de repetição lírica, vocais imperceptíveis incapazes de compreender as verdadeiras intenções de Manel: se é incomodar, assustar ou alertar...
Antes de "Mareh" o sónico "Faixa Etária", uma guitarra dissonante e uma bateria com a marca de Sambado. Toda essa eletricidade, cadência, ecletismo e trip-hop espacial do refrão delay-drenched consolidam a imagem de marca da Label: comunhão, amizade, drum-machines e sintetizade...
"Mono" traz mais deprimência sonora e outra letra honesta sobre o amor e a saudade para depois terminar com a faixa que dá nome ao disco "Histórias por contar".
Manel Lourenço expõe as suas faixas com maior sinceridade, entrega e carência possível, captando toda a sensibilidade, subtileza e suavidade de uma cantautora feminina compor e apresentar os seus temas.
Histórias por Contar, Xita Records/Maternidade 2016
Vida Salgada são temas desiguais, lições de moral ou simples histórias de vida que retratam auto-estima, sentidos não obrigatórios de vida... Filipe é ele também um artista desigual que escreve sobre tudo o que vê e sente acontecer à sua volta: do cintilante "Vida Salgada" sobre o amor insonso e a necessidade de algo novo! Os acordes tímidos de "Tou Confuso"... Aí Filipe destaca a maneira como as pessoas caem muito facilmente numa pré-definição de acontecimentos e tendências ao invés de marcarem a diferença sem medo de serem elas próprias. Esta escrita honesta e consciente dão caráter e integridade a Sambado, um compositor humilde de canções identificáveis por outros jovens díspares...
Do contagiante neo-psich "Roda a Garrafa" até ao triste e refletivo "Aprender e Ensinar", a sinestesia vocal etérea de "Nó do Peito" para fechar com a chave de ouro "Já Não Vou Sair Daqui", temas de uma simplicidade bruta mas que pegando nesse mistério e subtileza lírica tornam-no num dos artistas mais complexos e difíceis de decifrar da cena, não será este disco a fazê-lo.
Vida Salgada, Spring Toast Records/Maternidade 2016
domingo, 10 de julho de 2016
Faixa da semana especial Xita Records/Maternidade
Esta semana destacamos três faixas da compilação Xita Records:
Lucía Vives- Deixa Tar
Compositora adolescente retrata de forma mais poética possível Lisboa a seus olhos. "Deixa Tar" são memórias de noites curtas passadas na sua cidade natal, contadas de forma emocionante, nostálgica, deprimente eu diria até obscura... Canção simples conduzida sobre quatro acordes adormecidos por delay vocal, gíria imensa torna a sua música acessível a uma inteira geração de jovens lisboetas ou todos aqueles que sonham um dia viver na cidade. No fim deixa um caloroso "Eu não quero deixar Lisboa daqui a nada" como mote para tudo aquilo que ela mesmo já viveu ou ainda viverá...
Grand Sun- Apolo
Banda evoca todo o psich ácido de finais de anos 60 com um twist moderno. Sintetizadores sparkle fundem-se com o melted bass e uma estrutura de canções infindáveis num mantra progressivo que obriga o ouvinte a imaginar um universo paralelo onde Pink Floyd e Jacco Gardner fossem um só.
Ninaz- Primavera
Amigas de longa data ouviram Blondie e Courtney Love (no seu apogeu) para trazerem esforço ruidoso e melódico tomando partido dessa particularidade: possuírem vocais maduros e imberbes característicos de uma jovem adolescente. Esse pop pastilha elástica harmonioso e solarento choca com a distorção e arranjos punk mais tarde incutidos na gravação.
domingo, 26 de junho de 2016
Faixa da semana: Surma- Maasai
Olhando para a produção de Emanuel Botelho (Sensible Soccers), "Maasai" é só mais um espectro noturno que revela uma artista introspetiva mas segura em todos os instrumentos que utiliza para expressar-se de forma mais emblemática possível, embora estejamos a falar de música minimalista trancada por uma chave que só Surma possuí: Os sintetizadores misteriosos servem de bússola neste acordar pós-coma que nos deixa atordoados pelas cordas e pelos bpm impostos pelo seu drum machine que seguem cada heartbeat mais expetante, irrequieto e inseguro após entrarmos neste daydream... Os vocais etéreos e impercetíveis impedem-nos de acordar deste sonho, à medida que nos afundamos cada vez mais em Maasai sem um bilhete de retorno... Os compressores gelados hipnotizam e entre cada oscilação fazem-nos querer voltar a repetir toda esta viagem num loop que torna-se viciante e a seu tempo terebrante.
Surma é uma pedra rara mas não é a única, no entanto a profundidade, intimidade e nervosismo acutilante que incuta no seu som, o dramatismo e teatralidade por trás da sua voz e a simplicidade que funde ambos torna-a numa das jóias mais promissoras da cena desde Sequin.
O verão mal começa e já desejo acordar no próximo inverno...
Ouçam Maasai de Surma
domingo, 19 de junho de 2016
Álbum da semana: Sun Blossoms (homónimo)
Antes de mais, não é fácil escrever sobre discos desta subtileza e sensibilidade. Também não é comum ver, em tão tenra idade, alguém com o dom de Alexandre Fernandes. Parece datado mas reparem, Kevin já tinha os Impala com 14/15 anos antes de se tornarem no protótipo da nova cultura independente. Com 15 anos Alexandre já compunha, gravava e mexia com pedais e layers de reverb. O background é sem duvida favorável.
Em Setembro de 2015, com 17/18 anos de idade (já), Sun Blossoms (disco de estreia homónimo) saí pelas mãos da Revolve , label habituada a ter outros nomes psicó-trópicos no catálogo (Pontiak ou Toulouse) e que estreia! Sem soar 100% similar aos seus contemporâneos, Alex oferece-nos faixas lentas e aéreas, melodias carregadas de vocais nublados, tímidos... Afinal ele era um adolescente quando gravou todas estas 10 faixas sozinho, no seu quarto.
A cada faixa, Alex vai aperfeiçoando as mecânicas básicas de uma canção pop orelhuda e peganhenta, mas sem soar tão convencional. "Flower Eyes" soa a imobiliário, Alex usa e abusa da repetição como forma de hipnose nos seus acordes gentis e por vezes fuzzentos, como em "Happy", que parece mais ser uma contradição: Ele não fala de felicidade ou de como é feliz, ele explica como o poderia ter sido. Ainda na ironia, ouve-se um fuzz que se contradiz com os acordes verdes e minimalistas, tudo isto sem parecer hostil ou volátil mas sente-se a melancolia, a frustração nos vocais. Antes em "Friend" Alex toca de forma resoluta cordas jangly e na ponte riffs Mondanile-ear-buzz, após o interlúdio que dá nome à natureza de todas estas faixas, "Dream" que mais poderia ser "Dreamy". Depois dessas, o disco afoga-se em mais slackness e depressão mas nunca tensão, em "Like I Do" ou "Grow", o sunshine pop de "Seeds" envolto numa nebulosa de ruído inaudível que capta Melted Toys ou melted noise, o feedback-delay-drenched "Tonight" e o instrumental folk de "Flow" como chave de ouro.
A beleza reside na inocência dos vocais etéreos, a ingenuidade das guitarras de três acordes que sem o serem de todo, soam a algo complexo e estudado e na facilidade que Alex teve em explorar certos arranjos inconvencionais. Haverá dois, três, até quatro discos de Sun Blossoms, nada soará tão orgânico e profundo que esta doce estreia carregada de milésimas possibilidades.
Ouçam Sun Blossoms
Em Setembro de 2015, com 17/18 anos de idade (já), Sun Blossoms (disco de estreia homónimo) saí pelas mãos da Revolve , label habituada a ter outros nomes psicó-trópicos no catálogo (Pontiak ou Toulouse) e que estreia! Sem soar 100% similar aos seus contemporâneos, Alex oferece-nos faixas lentas e aéreas, melodias carregadas de vocais nublados, tímidos... Afinal ele era um adolescente quando gravou todas estas 10 faixas sozinho, no seu quarto.
A cada faixa, Alex vai aperfeiçoando as mecânicas básicas de uma canção pop orelhuda e peganhenta, mas sem soar tão convencional. "Flower Eyes" soa a imobiliário, Alex usa e abusa da repetição como forma de hipnose nos seus acordes gentis e por vezes fuzzentos, como em "Happy", que parece mais ser uma contradição: Ele não fala de felicidade ou de como é feliz, ele explica como o poderia ter sido. Ainda na ironia, ouve-se um fuzz que se contradiz com os acordes verdes e minimalistas, tudo isto sem parecer hostil ou volátil mas sente-se a melancolia, a frustração nos vocais. Antes em "Friend" Alex toca de forma resoluta cordas jangly e na ponte riffs Mondanile-ear-buzz, após o interlúdio que dá nome à natureza de todas estas faixas, "Dream" que mais poderia ser "Dreamy". Depois dessas, o disco afoga-se em mais slackness e depressão mas nunca tensão, em "Like I Do" ou "Grow", o sunshine pop de "Seeds" envolto numa nebulosa de ruído inaudível que capta Melted Toys ou melted noise, o feedback-delay-drenched "Tonight" e o instrumental folk de "Flow" como chave de ouro.
A beleza reside na inocência dos vocais etéreos, a ingenuidade das guitarras de três acordes que sem o serem de todo, soam a algo complexo e estudado e na facilidade que Alex teve em explorar certos arranjos inconvencionais. Haverá dois, três, até quatro discos de Sun Blossoms, nada soará tão orgânico e profundo que esta doce estreia carregada de milésimas possibilidades.
Ouçam Sun Blossoms
sábado, 18 de junho de 2016
Faixa da semana: Alek Rein- River of Doom
Alek Rein assume o seu personagem como um freak, outsider da sociedade, que tem uma banda de folk onde expõe as suas mágoas e histórias de como "Polvilhou sal na sua casa, pregou uma ferradura na sua porta de entrada(...) vestiu os seus espelhos de veludo"... Toda esta escrita emblemática e nihilista dão carisma ao seu personagem, tudo isso aliado à capacidade de construir canções pop bonitas e nostálgicas de certo modo, tudo isso adereços que queremos ouvir em "Mirror Lane".
Ouçam aqui River of Doom
segunda-feira, 13 de junho de 2016
PEIDO ESPACIAL #11: THE GLOCKENWISE!!!!!
Tirámos o feriado de dia de Santo António para nos fazermos à vida e continuarmos a nossa missão espacial em busca dos maravilhosos peidos. A décima primeira missão levou-nos mais longe, onde cada vez surgem mais e melhores bandas e onde cada vez mais se forjam histórias de festas míticas que se falam por todo o cosmos, levou-nos a Barcelos e aos Glockenwise.
Com a primeira temporada do Peido Espacial quase a terminar podem ver o texto do Beato Cristiano da Perugia, que nos traz a reinterpretação da música "First Heart Mighty Dawn Dart" por Ty Segall, escrita por Marc Bolan do álbum "A Beard of Stars" (1970) dos Tyrannosaurus Rex!
"Diretamente de Londres para todo o mundo, os T-Rex, formados pelo tão aclamado Marc Bolan, compositor também desta " Fist Heart Mighty Dawn Dart", diz-nos que a música primaveril também pode ser divertida, alegre e até mesmo brincalhona, contudo também nos faz sentir aqueles burburinhos “irónico-sinistros” que o Syd Barret deixava por exemplo no "The Madgap Laughs".
O fuzz do Ty Segall desliza coolness, tanto em modo limpo, como em modo sujo, a articulação que este faz com os vocais sempre rasgados de delay, muito echo, um saturado próprio de quem adora brincar às distorções, refrões e melodias próprias de quem ouviu muito Frank Zappa, características também do tão conhecido heavy 60's and 70's, ressaca dos Blue Cheer, Hawkwind ou até mesmo Cream, bem como outras facetas mais glam e dandy.
Quem o conhece, sabe que tanto Mikal Cronin, como Fuzz, ou outros "b-sides" do Ty Segall, espalham o quão enorme é este senhor, no que diz respeito à composição mais coolness, seja ela grunge, seja pop-melancólico, seja ele psicadelismo misturado com um post-punk super dançável e ao mesmo tempo “new-wave”, o que realmente importa, é perceber que estamos perante um artista polivalente ou neste caso multi-facetado, cheio de heterónimos e outros pseudónimos que o acompanham durante a sua realização mais “songwriter” ou “produtiva” de todo este universo criado pela sua personagem super mas super versátil.
Já por algumas vezes, que passou no nosso Portugal, infelizmente e mais uma vez não o consegui apanhar, acredito que tenham gostado todos do Brian Wilson, bem como de Savages, e outros tantos, mas quanto a mim, e uma vez que nos aproximamos dos picos altos do verão, a minha onda será eternamente esta que vêm da tão conhecida Laguna Beach, que o sol da California vos ilumine nesta life on mars !!!!"
Ouçam aqui Ty Rex completo, de Ty Segall, onde este interpreta algumas faixas do EP, assim como outras duas faixas de Electric Warrior (1971).
Agradecimentos:
Beato Cristiano da Perugia
The Glockenwise
Lovers & Lollipops
Mojo Rojo
Aspen
Cosmic Vishnu
MontijoSound 2016
Beato Cristiano da Perugia
The Glockenwise
Lovers & Lollipops
Mojo Rojo
Aspen
Cosmic Vishnu
MontijoSound 2016
Álbum da semana: The Glockenwise- Heat
The Glockenwise, para mim é uma banda especial e isso é inegável. Lembram-se há 5 anos atrás? Quando a Vodafone FM começou e junto dela viriam os primeiros novos avanços independentes? Eu lembro-me de ouvir "Beijing" (Sequin) ou "Time to Go" e "Bardamu Girls", os primeiros contatos que tive com a nova música punk portuguesa vieram dessas duas...
Heat é o terceiro avanço da banda de Barcelos The Glockenwise, aqui trazem um twist interessante daquilo que é o Rock & Roll ou Glock & Roll, como lhe quiserem chamar...
Aqui é tudo gente grande já não estamos a tocar para universitários bêbados, estamos a tocar no Restelo já, há medida que vemos essas ondas tornarem-se em algo inimaginável e impossível de prever em 2011: uma banda livre e solta, solta maturidade e cordas soltas, cordas de guitarra continuam a soltar-se em acordes mínimos mas já não é tão óbvio, talvez pela composição séria e ponderada. Cordas vocais soltam-se com firmeza e algum sentido de grandeza. "Time (Is a Drag)" arrasta-se num ritmo madchester em barcelos, o saxofone faz lembrar Beck em "Lord Only Knows" e os vocais mais soam a "preto" do Blues que "branco" do Punk! Um rock muito sofisticado mas garageiro nos momentos mais marcantes da faixa. Em "Tide" a banda continua a beber a sua fórmula vencedora de Pop Punk mas o disco vai-se tornando mais escuro, consciente, humano e profundo em "Up to You" ou "Try Hard", onde se nota mais melancolia ou inquietação... Antes de tudo isso "Heat" a música que dá nome ao disco vai servindo de protótipo desta nova demanda sonora. Em suma, Os Glockenwise, sem (ainda) se afastarem totalmente da sua icónica sonoridade que os pôs no radar, vão experimentando novas formas de fazer Punk sem o fazerem de forma 100% convencional e isso dá acidez ao som e alguma maturidade à banda, tudo isso adereços que poderão ser mais tarde referenciados num quarto disco de originais. Enquanto tudo isto acontece a banda dá um salto importante na carreira: de artistas para músicos, deixam de ser uma promessa e passam a cumpri-la.
terça-feira, 7 de junho de 2016
PEIDO ESPACIAL!!! #10: 800 GONDOMAAAAAAR!!!!
Pois é, esta semana regressámos à pátria para fazer exames e coisas... no fundo somos aquilo a que chamam estudantes. Ora nesta aborrecida retirada do espaço encontrámos o trio maravilha 800 Gondomar. "A vossa demanda ainda não acabou, não podem parar agora" dizem eles, e com isto catapultam-nos de volta ao vazio intergalático através de Ariel Pink's Haunted Graffiti. Como nada disto se passou vejam o texto que os 800 Gondomar nos ofereceram esta semana, um verdadeiro Peido Lo-fi, para vocês, vindo do Porto.
"Não há nada melhor do que estar como se quer. Por isso: Ariel Pink. Hino do lo-fi, onde várias camadas se parecem convergir numa e é a partir dessa que precisamos de descobrir ainda mais. Sentimos mesmo o gajo, o vídeo é perfeito para qualquer altura da vida e Kátia é o nome mais romântico possível. Tem de se ouvir mais do que uma vez, tem de se ouvir atentamente, tem de se escutar a cena. Faz tudo parte dum imaginário tão premeditado e pessoal, que quando se descobre a chave para Ariel Pink, é aí que a vida começa."
Agradecimentos:
Pointlist
800 Gondomar
MontijoSound 2016
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