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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Toda a gente gosta dos Postcards

Johnny Pina dos Postcards From Wonderland


O irreverente Hélder Menor 
Trio Juvenil do Barreiro é muitas vezes comparado a Wire, Ramones ou Sex Pistols, pela provocação e o choque... O minimalismo sonoro e a simplicidade lírica, o tom anarquista e o descontentamento político fazem das atuações de Postcards From Wonderlands um autêntico festim de cores, barulho e ruído grátis, tudo num tom de protesto. Abençoado por Nick Suave e a Hey! Pachuco, Hélder Menor, guitarrista e vocalista vive para a música, envolvendo-se numa série de projetos malucos, todos com a mesma finalidade: a música. Convivendo com músicos, produtores e técnicos de som, Hélder está inserido no seio da entusiasmante cena musical barreirense, onde vê passar todos os dias no Pouca Terra (Nick Suave) artistas como João Paulo Daniel (Beautify Junkyards), Cláudio Fernandes, Ernesto Vitalli ou Bruno Afonso (PISTA), Miguel Afonso (Bro-X) ou o próprio Nick Suave (Nicotine's Orchestra) que serve de seu patrão/mentor, onde Hélder ajuda no que for preciso: Ajudar a organizar eventos inventados pela muito amada na comunidade Hey! Pachuco, a estar no estúdio a produzir/gravar nos estúdios de Nick mas principalmente fazer Panque Roque: "Eu podia estar a falar de The Velvet Underground durante horas e horas e horas..", disse Hélder quando o conheci, mas não é nessa Nova Iorque baroque que Postcards From Wonderland vão buscar o seu som... O homónimo lançado em 2015 é cru e mínimo, como se pede aos punksters da nova era. "Pepsi Cola" ou "Canção do Puto" não fogem às temáticas mais díspares e aleatórias, mas no fundo não são esses os princípios do Punk? O genial é como essa estética é copiada a pente fino, dos três acordes previsíveis, a um estilo despreocupado e imaturo até aos trajes loucos usados em palco. Toda essa energia fez Postcards tocarem no Barreiro Rocks, o festival de referência na margem sul no que toca ao Garage/Punk, onde tocaram ao lado de nomes como The Sunflowers, Cave Story ou The Dirty Coal Train. No fundo o festival é criado sobre ideais de amizade, comunhão e um só propósito de divulgar um dos géneros mais negligenciados dos últimos anos, o Rock & Roll. Quem toca no Barreiro Rocks é catapultado para a superfície e isso é inegável. Sejas bom ou mau, se tocas no Barreiro Rocks é porque o teu Punk é audível!
Joana cantou "Bobby" como
Amy cantou "Rehab"
 Hélder é só mais outro jovem que vem a dar azo a um dos fenómenos mais prolíferos dos últimos anos: A nova geração de jovens que não conseguem estar parados, que querem fazer coisas acontecer, que querem tocar, que querem organizar, que querem promover... E tudo a custo zero, feito em casa com amigos e com um orçamento penoso (às vezes inexistente). Toda essa baixa fidelidade é compensada pela força de vontade em fazer barulho e fazer esse barulho chegar às bocas do mundo, através do poder do boca em boca.
 E o Punk Roque não é só o som, toda a gente sabe que aquilo que faz o Punk é a atitude! Por isso depois de ouvirmos "Song for Mandela" e depois de perguntarmos à Joana e ao Johnny o que acham de Punk, faço esta pergunta? Será que o Punk está mesmo morto? A resposta a essa pergunta: Não, o Punk está mais vivo que nunca.

domingo, 21 de agosto de 2016

Queráute, a malha do espírito livre

"Queráute" a ser tocado em casa de Pista, mais
recentemente nas festas do Barreiro
"Bamboleio" faz-se soar de forma intensa, nostálgica e o mais característica possível, condensada por riffs rasgados, baterias frenéticas e difíceis de conter e essa ilusão do baixo (há uns tempos sustentada por Nick Suave) destingue Pista dos demais em território Punk (ou qualquer outra fusão relacionada).
"Queráute" no Outfest, ainda com Nick Suave
 "Bamboleio" é um álbum rock. Repleto de singles, prima pela consistência das faixas que a cada audição reinventam-se em algo novo, como se tratasse de um feitiço ou uma boa maldição. Passaram 2 anos e faixas como "Puxa" ainda soam a algo entusiasmante de se ouvir, "3-0" é o clássico que faz a banda aparecer no radar e "Salmão" é aquela canção que estereotipa um dia de verão passado na piscina com todos os amigos e algumas pessoas que não querias ver, cervejas frescas e bons grelhados a acompanhar o convívio. Toda essa temática construída à volta do tropicalismo, sol, verão, praia, dão também um carisma incontornável e único a Pista.
"Queráute" no Time Out (Montijo)
 No entanto, existe sim essas influências Pós-Punk em certos momentos mais marcantes de Bamboleio... Falando de "Queráute", última faixa desse "disco verde", um épico de 12 minutos que se eleva de minuto para minuto, de acorde para acorde, de batuque para batuque. Essa efervescência inédita coloca Pista num patamar inalcançável e incalcinável. Aqui vemos força obscura capaz de suportar a banda ao longo de próximos discos e aqui vemos uma faceta enérgica fora do comum. "Queráute tem nove minutos porque Yes we can... Ou então porque não queremos que passe em lado nenhum...", explica Cláudio. Queráute suplanta-se e exprime inquietação, um freak punk ágil e sagaz, destemido e incrivelmente hábil na conclusão das suas obrigações como chave de ouro. Um eterno grito de potencialidades infinitas no som de Pista que pode metamorfosear naquilo que Cláudio, Bruno e Ernesto bem entenderem.
 O intuito progressivo e o mantra infinito, vocal hipnotizante e desconfortante... A voz rouca de Cláudio e Ernesto, enfraquecidas pela força da repetição incutidas na palavra... A verdade é que nos últimos concertos de Pista, Queráute tem-se tornado num dos momentos mais marcantes e memoráveis de qualquer concerto da banda. Alex D'alva Teixeira (D'alva) tem acompanhado a banda pela estrada, apoiando Cláudio nos back vocals. Essa presença e energia evidente de Alex colocam Quéraute num pedestal enorme. O público manifesta-se de várias formas, quer dizer, já vimos gente inconformada com o ruído insuportável, cabeças agitam em tom de concordância e consenso, corpos agitam-se com a inquietude do ritmo, já houve relatos de paralisia... Todas estas manifestações ocorrem de acordo com a gravidade da faixa, ora curta e convencional ora prolongada por um estado de espírito insolente. Toda essa atitude Punk é necessária para que a música seja tocada de forma mais crua e visceral possível.
No Super Bock Super Rock deste ano um grupo de
pessoas baixa-se durante "Queráute", sobre a repetição da
palavra e a descarga de adrenalina que envolvia o grande momento
da explosão

Essa prolongação carregada de feedback, dissonância, ruído branco (por vezes) e o habitual guincho vocal são alguns dos momentos mais marcantes de toda a cena underground atual. Para fotógrafas como Vera Marmelo, captar momentos tão incomparáveis como estes são só pequenas formas de homenagear este pequeno (12 minutos) monumento Punk chamado Queráute. Ao longo dos anos a faixa ganhará ainda mais importância e com o tempo influenciará outros rebentos a criar uma banda de Punk. Quanto a "Bamboleio", outros dos discos mais notáveis alguma vez feitos em Portugal, ficam dois sentimentos. O primeiro é o querer e a vontade de ouvir estas eternas faixas para todo o sempre, sem alguma vez nos cansarmos delas ou ficarmos saturados, seja no disco ou ao vivo. O medo que um próximo disco não soe igual a este, a tristeza desse facto. O segundo sentimento: O amor e confiança que sentimos por estes três pioneiros não nos dão outra alternativa a não ser confiar cegamente em tudo aquilo que eles fizeram e que ainda haverão de fazer em prol da música cantada em português.
Cláudio em busca do feedback durante "Queráute", com
Alex D'alva Teixeira a fazer vibrar o público no
Super Bock Super Rock deste ano


Todas as fotos são de Vera Marmelo. Vejam o seu trabalho aqui.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

French Sisters invadem Sabotage: Alex Chinaskee viram "Glam Rockers" e Panado definem "arruaça"

Entre uma e outra afinação Cheesecake deu conta do recado
Há duas maneiras de encher um bar como o Sabotage: Oferecendo um disco, gomas e balões à entrada ou anunciar os Panado. Ora, o primeiro podia não ser tão eficaz, então junta-se o Luís e o Sambado, dupla promissora, e aí sim temos condições para uma arruaça. Cheguei tarde à festa admito, viajei do Sodré para a Apolónia para ir buscar o meu mate Cris que viajou de Barcelos, capital portuguesa do Rock, para Lisboa com um único propósito: ver o concerto de Alex Chinaskee, seu protégé do mais recente Mojo Rojo booking madness... Sem inferiorizar os putos Môno. Ora, no outro lado do passeio, junto do Music Box tínhamos o Tokyo, onde iria haver dois concertos também muito promissores: Os homens aparentemente adiantados no tempo, Morning Coffee e os também interessantes Flare. Sexta-Feira a Ípsilon lança um artigo onde menciona algumas promessas da música nacional independente, ora não seria preciso andar muitos quilómetros para vermos essa teia de potencialidade ontem em Lisboa. Miguel Afonso (Barreiro Rocks) também esteve entre os presentes...

Arruaça começou muito antes dos concertos
Antes de tudo estávamos no Tokyo a fumar cigarros e fazer bolinhas de sabão, quando deparo-me com Miguel Gomes e Luis Tojo (irmãs) maquilhados e um seminu, bronzeado, Prince of Persia look a like Tojo, o que me leva a pensar que Chinaskee, em palco, podem encarnar os mais diversos personagens, do mais aprumado para o mais chocante e polémico. Uma nota muito interessante a tirar deste quarteto pop que vai tocando "Campo" ao vivo de forma mais aleatória possível e sem um espírito que iguale a profundeza dessas músicas melancólicas e sonolentas. Há energia em palco, uma espécie de comédia divina, alegria amolece a dor.


Sambado, Severo, Primeira Dama ou Chinaskee à venda na entrada
Já dentro do recinto e acompanhado do Quaresma, apanhámos Alex Chinaskee começarem o intenso espetáculo de movimentos bruscos, spooky psych keyboards e afinanços de cordas. Antes, mas tudo parte do espetáculo, Miguel estava no meio da audiência a ver os seus band-mates esperarem pelo showman, que entra para tocar "Sonhos Loucos" seguido de "Loucos Sonhos" e foi por aí fora tocando faixas desse muito aclamado EP de estreia "Campo", que valeu  elogios de Joaquim Quadros, Galgo ou Cristiano Beato (The Glockenwise). Maquilhados, armados e perigosos, encerram com "Já não vivo" derradeiro cartão de visita de EP que segundo Miguel Gomes será re-gravado com melhores condições, podendo ou não retirar alguma beleza espontânea que poderá residir na natureza lo-fi da gravação. Quando questionado, justificou-se: "Não gostámos, vamos voltar a gravar." Ou durante o concerto: "Preciso de afinar a corda; Preciso de ir ao bar buscar cerveja". Haja paciência para certas birras, no entanto, este poderá ter sido o melhor concerto de Alex Chinaskee até à data: Houve fluidez. Sem inventar, tocaram as suas malhas prediletas e sejam ao vivo ou no EP elas soam bem.
 Aplausos estavam guardados, no entanto...

*Ora provocador ora ingénuo, Tojo foi uma das figuras da noite

Sem merdas, só Rock do Bom. Entram em palco e tocam "Revolução" seguido de "D. João", hino do Rock Felino e single que antecipa um dos lançamentos mais esperados do ano na cena alternativa, "Épê", uma das explosões criativas mais bem recebidas dos últimos tempos. Não vale a pena continuar a divagar sobre Panado: O baixo é irrepreensível, a bateria é seca, a guitarra é arranhada. Embora um trio, o formato básico de uma banda punk, Panado são uma mescla de influências Pós-cenas, o que não insere a banda num quadrado mas sim num circulo perfeito.

Panado na 3º pessoa de Diogo Ramos
Diogo Ramos, Alexandre Fernandes (Sun Blossoms) ou Alexandre Rendeiro (Alek Rein) tiveram a oportunidade. Só um destes a aproveitou...
 "Sapata" foi tremendo do inicio ao fim, deixava-nos expectantes e expectados. "Charopes" já é tão vista que precisou de algo novo... Maria Martinez, noiva de Bernardo Moniz (bateria) subiu para tocar flauta transversal e não tremeu.


Se já vi Panado! Cada vez que os vejo há algo que corre melhor: Não pode ser a bateria ou o baixo ou a guitarra. Não são os músicos porque eles são iguais. Será a química? A experiência que carrega os seus ombros? Seja o que for, estas malhas precisam de ser lançadas com urgência para a banda poder despoletar, subir o cume e anos mais tarde descer essa montanha para nos contar a história, que aliás, já vai sendo escrita. Dia 15 de Junho de 2016 no Sabotage, French Sisters Experience Records & Co escrevem um dos seus capítulos mais nobres.


*Fotos cedidas com amor por Inês Peixoto 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Prof Jam: Concerto na Comuna é um dos pontos mais altos na carreira do rapper

Uma cópia física que também servia de bilhete de entrada
Caras alegres e sorridentes, ansiosas e porque não, estridentes. São só rimas escritas num papel é verdade mas acredito que a beleza reside na forma como elas são interpretadas: Temos aquela dicção "Estou a sufocar porque tenho fumo na garganta" ou como nós comuns lhe chamamos de "Rap Carocho", uma mescla de frases mal construídas que giram (quase) sempre á volta da vida no bairro social, drogas mal geridas consumidas com um propósito destrutivo ou recreativo (nomeadamente marijuana) ou mulheres e o sexo como uma banalidade ao invés de um privilégio... Depois temos aqueles que inventam novas dicções e construções frásicas e trocadilhos e gírias, uma nova forma de expelir palavras com a mesma emoção e intenção. Rimas são expelidas com um propósito, um objectivo, existe uma lição a reter de toda esta "chuva de cuspo" que nos vai atolando o cérebro e nos vai deixando capazes de ver as palavras. É verdade, eu disse ver as palavras.

Faixa alvo vai dos 16 aos 25 mas não passa dos 30
Ainda confundi o teatro aberto com o da Comuna onde se passaria tudo aquilo que Prof Jam havia partilhado nas suas redes sociais: concerto de apresentação do disco "Mixtakes", 10 de Junho no Teatro da Comuna em Lisboa, Praça de Espanha. O que me despertou logo a curiosidade foi a maneira como essas faixas melancólicas seriam interpretadas. Melancólicas e sérias em comparação ao primeiro disco, que fundia trap com bass e outras influências de perfis nocturnos. Embora um homem re-habilitado, haverá sempre o desejo de voltar a ouvir Prof circa 2014, aquela voz que encaixava com os beats explosivos, aquela indecência em forma de ingenuidade... Embora tenha esse desejo admito: Mixtakes veio a dar muita legitimidade a Prof Jam, veio apresentar o humano que reside no seu corpo, tal flow anormal só o tornariam numa besta ou um alien! Iria estar muita gente para ver essas mutações a partida...

Vácuo no aquecimento
Mike El Nite e Papillon entre os convidados Vip
Como prometido, Prof Jam trouxe alguns convidados, alguns ex-mates da Astro Records, agora uma bola sem ar... Vácuo aqueceu o público sedento e impaciente, ora contentado ora indignado pela demora. É que o Prof começava à meia-noite, já passavam meia hora e ainda não havia sinais do homem da noite... Enquanto isso, outros homens capazes subiam ao palco...




Estavam mais de 250 pessoas na Comuna
Mal entrou, num gesto de oração, Prof agradeceu a todos os presentes, eram mais de 200. Uma cortina encerra a primeira cena e "Dope" (Hypnotik Skit) seguido de "Festa Privada", primeiro tema desse disco, fazem Prof Jam entrar no palco com uma t-shirt vermelha, cor viva deixa penetrar toda a luz que ele menciona nas suas faixas profundas e preponderantes de certa forma: Prof emana maturidade e toda a sabedoria que um disco desta bela concepção alguma vez requeria. Vai cantando essas faixas acompanhado do seu homem dos back vocals (Vasco Cruz) ou devia dizer "black vocals" (tal obscuridade por vezes) em faixas subtis como "Sinestesia" ou "Limpa-Fundos", o público acompanhava as letras ao pormenor, entre outros "cocksuckers", peço perdão utilizar expressões que Prof utilizou em músicas anteriores, que na pausa das músicas só sabiam gritar "És o maior Prof"... Eu ali há frente só conseguia gritar "Quero água!", tal compaixão de Prof que ofereceu uma garrafa a uma fã que não se sentia muito bem... São drogas e bottles minha gente.              

                
Magboy chamado para cantar "Cépticos" para delírio óbvio
Com Mixtakes despachado e um brilho nos seus olhos estava agora na altura de começar a festa! Foi vestir uma t-shirt preta e cantou hits atrás de hits com a ajuda de alguns amigos como Magboy (RSK) para cantar "Cépticos", Lhast que produziu vários beats de "Mixtakes" ou faixas de outros artistas como Dillaz esteve presente durante quase todo o concerto e mais além, num DJ Set que durou até às 4 da manhã (segundo relatos)... Mike El Nite, também um dos mais aplaudidos assim como Papillon (Grognation) vieram ajudar Prof Jam a concluir a sua mais emblemática aula, com dois sucessos instantâneos, "Mambo nº1" e "Money" respetivamente.
 Aqui, Prof Jam é reconhecido como um dos rappers mais urgentes da cena portuguesa, Mixtakes ficará para a história como um disco belo, uma concepção refinada e uma composição perturbada mas ciente. Dia 10 de Junho de 2016: Prof Jam é uma das figuras do rap português, e como tal há a pressão de um terceiro disco tão bom ou melhor que este "sophomore", mas ao longo dos anos Mixtakes terá a sua influência nos próximos movimentos e esse será o seu derradeiro legado.
 No ar, ficam as eternas palavras que marcam a noite, proferidas com toda a emoção e honestidade do planeta. Prof Jam acaba e diz: "Este concerto brutal foi todo à vossa pala!", essa frase vale os 10 euros do bilhete. Já o disco é para ser guardado ainda com o plástico na capa e deixar ali a apodrecer durante gerações e gerações. Para os idiotas que abriram: Não podiam ter ouvido na net ou assim?

Prof Jam e Mike El Nite no fim

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Mutantes dão concerto inédito no Sabotage

Rita Lee esteve presente em espírito
Era uma terça-feira comum. O engraçado foi como vim parar ao Sabotage esta noite: Eram 19 horas da tarde quando a Catarina lembra-me que os Mutantes iam estar na capital... 18 euros ainda é algum dinheiro para ver concertos numa terça-feira normal, mas estes não eram os Soviet Soviet ou Alex Chinaskee... Estamos a falar de uma banda pioneira, essencial na difusão do som psicadélico pelas Américas, movimento tropical brasileiro fabrica uma nova incomparável forma de fazer música Pop, com outros arranjos inconvencionais como uso abusado do Fuzz, influencias díspares são exportadas da Grã-Bretanha baroque de anos 60 para o movimento underground nova iorquino... Dessa cornucópia de sonoridades revolucionárias Os Mutantes inventam a musica popular brasileira, o exemplo de toda a musica feita no Brasil (e Américas) até hoje. Sem precedentes ou dúvidas na opinião, o mais difícil seria não ver os Mutantes tocar em Portugal, onde estiveram no ano passado (dezembro) no Hard Club, onde os Boogarins meses antes não só tinham tocado como gravado uma compilação/split com Cave Story ou The Sunflowers. Falo sim dos Boogarins: se existe banda que mais absorveu e mostrou-se descontentada foram os revivalistas de Goiania, uns autênticos "Mutantes" do novo século. À partida Sérgio Dias, um dos responsáveis pela nova aparição da banda no cenário, tendo orientado o grupo na gravação de dois novos discos desde a formação original (Haih... Ou Amortecedor, 2009 e Fool Metal Jack, 2013), iria tocar com Dinho Leme na bateria, um dos sobreviventes, e a encantadora Esmeria Bulari...

Havia pânico na sala

Esmeria dançava, tocava pandeireta... Quase parecia a Rita
Depois de alguns atrasos, perto das 23 horas e 40 minutos ouvia-se "Hoje eu vou sair de casa, vou levar a mala cheia de noção...", seguido de algumas faixas do último disco, começando por esse mesmo "Fool Metal Jack" e "Time And Space", o público estava "cafeínado" mas ainda despertou mais quando se cantou com fervor e saudade "Minha Menina", que já se torna num cartão de visita para ouvintes iniciantes... Tocaram coisas de '71 e do homónimo perfeito (Jardim Elétrico e Pat Macumba) mas o melhor estava guardado para o fim quando tocam "Panis At Cirsense" para deleite das, pelo menos, 100 pessoas a comparecer no Rock Club mais falado de Lisboa. Ainda diziam que 18 euros era justificável se a Rita Lee estivesse presente... No fim, deslumbrado pela sensualidade de Esmeria, puxei-a e sussurrei no seu ouvido: "Querida, eu e você numa banheira de espuma...". ela sorriu e disse "Querido, eu não sou a Rita"... Quase me enganaste.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Pós Time Out Sessions

Mais uma semana, mais eventos espetaculares no bar onde tudo se passa e nada fica por acontecer. É rock, de todos os feitios, gostos e aparentemente nacionalidades...
 Jovialidade transpirou-se na pista de dança na passada sexta-feira e dezenas de pessoas alinharam-se para ouvir temas clássicos de uma velha banda conhecida... Curioso? Vem descobrir tudo que se passou no Time Out Bar esta passada semana!

Sexta-Feira, 6 de Maio


O Time Out recebeu na passada sexta-feira uma batalha de Dj's, por meio da organização sem fundos lucrativos AMO- TE MONTIJO, Associação Cultural e a Omnis Factum Associação, em parceria com o Time Out Bar. Vários Dj's iluminaram a sala, e puseram a malta a dançar ao som de Eletro, Eletronica, Dub-Beat, entre outros géneros de perfis nocturnos...  A festa acabou cedo, mas Sábado seria melhor...

Sábado, 7 de Maio


Somamonas, banda de tributo à mítica banda de Rock Comedy Spoken Mamonas Assassinas,  tocaram no Time Out para dezenas de pessoas, numa noite animada e recheada de sorrisos e palmas agridoces, entre a alegria de recordar temas como "Vira-Vira", " Robocop Gay", "Pelados em Santos" ou "Uma Arlinda Mulher", e a tristeza da tamanhha saudade e nostalgia em voltar a ver a banda reunida, nem que fossem um conjunto de aficionados mascarados em pijamas ou camisolas às riscas a tocarem as malhas da sua banda preferida.

Quinta-feira, voltamos e com uma avalanche em cima! O Próximo Fim-de-semana no Time Out será explosivo e tu não vais querer perder nada que acontece no teu bar preferido.

Time Out Pós Sessions

Agradecimentos:
Time Out Bar Montijo
João Carlos Peres
Bruno Nogueira
Somamonas
AMO-TE MONTIJO
Associação Cultural
Omnis Factum Associação
Montijo Sound 2016

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Time Out Pós Sessions: Rufia#2 Alex Chinaskee + Galgo


Mais uma semana, mais bandas emergentes a pisarem o palco TimeOut Bar - Montijo, e o nível vai ficando cada vez maior a cada semana, quem será que o Time Out vai trazer para a próxima semana? O David Bowie?
 Já falámos de Sexta-feira dia 29 quando The Crying Grapes e Cruzados passaram pelo nosso bar, agora está na hora de falarmos sobre o que realmente importou esta semana, o segundo evento Rufia powered by Untutored Youth trouxe à nossa terrinha o Singer/Songwriter Alex Chinaskee e os Camponeses para apresentarem faixas do muito elogiado "Campo"... Posteriormente , viria um dos concertos mais esperados do ano no Montijo e talvez um dos melhores que já vimos acontecer desde Capitão Fausto (também no Time Out )... Venham daí saber tudo que se passou no Time Out Bar esta semana!


Alex Chinaskee

Alex apresentou-se no Time Out para apresentar os temas do seu muito elogiado "Campo", um álbum conceptual que explora desgostos de amor, loucuras ardentes, paixão de forma algo deprimente e melancólica mas de muito fácil audição, atitude essa que contrastou totalmente com o Alex que vimos em palco: irrequieto, hiperativo, hilariante por vezes, enfim, um entretainer. Não há dúvida que a atitude da banda ao vivo é muito menos melancólica comparativamente com o EP em si, o que é normal (ou então essa melancolia é expressa de outra maneira, menos intimista e mais livre), o que acontece é que quem vê Alex Chinaskee e os Camponeses ao vivo não irá resistir ao certo headbang ao reparar nos constantes delírios da banda, desde o baterista ao vocalista, passando pelo baixista e teclista.
 O concerto começa com uma jam, apenas com baixo, bateria e teclado. Assim que Chinaskee entra em palco, a sonoridade funcionava como um pêndulo, que alternava entre o pranto melancólico e a fúria das guitarras, sempre com o teclado de Luís José Tojo por detrás, sem dúvida dando tudo o que têm e o que não têm em palco, mesmo com poucas pessoas a assistir.
Poderá dizer-se que essa atitude extremamente enérgica era por vezes pouco injustificada, poderia ter-se esperado algo mais intimista, o que é certo é que esta abordagem resultou sobretudo num divertido concerto, no qual as poucas pessoas que estavam no Time Out  não saíram de lá sem cantar as letras de "Campo" ou ceder ao inevitável headbang.


No vídeo pode-se ver um excerto de "Loucos Sonhos" de Alex Chinaskee


Alex Chinaskee esteve irrequieto em palco do inicio ao fim


Setlist:
Sonhos Loucos
Loucos sonhos
Vegan song
Dá-me
Já não vivo 
Campo
Verão (Fúria do Açúcar Cover) 



GALGOGALGOGALGOGALGOGALGOGALGOGALGOGALGOGALGOGALGOGALGOGALGOGALGOGALGO


NADA ME PREPARAVA PARA O QUE IA ACONTECER, OS GALGO SÃO FINALISTAS DO VODAFONE BAND SCOUT 2015 MAS NÃO ERA ESSA ESTÉTICA QUE MAIS IMPORTAVA, O SOM COMPLEXO, AS TEXTURAS, TONALIDADES, RITMOS, PEDAIS VIBRANTES ALIADOS A CADA INSTRUMENTO MAIS SINCRONIZADO QUE OUTRO, PÕEM A BANDA NUM PEDESTAL ONDE POUCAS BANDAS ALGUMA VEZ SONHARÃO ALCANÇAR.

Galgo live set @timeoutmontijo
Óbvio que fui lá fora chamar gente. Depois do concerto de Alex Chinaskee as pessoas que estavam no bar dispersaram lá para fora para fumar ou esperar pelo próximo concerto, pensei eu... Assim que chego lá fora pergunto-me para onde foi toda a malta! Ouço uma voz que me responde "bazaram puto", era o Lourenço Dias (Panado). Precisava de encontrar gente o mais rápido possível, assim não ia fazer acontecer tudo aquilo que sonhei para este concerto, que era ir lá para cima durante o "Trauma", ainda tentei trazer uma miúda que estava lisa para dentro mas a desculpa dela foi "não posso entrar a fumar cá dentro", meu deixa o cigarro no chão e anda! "Não posso deixar a minha amiga sozinha", eu tinha uma escolha para fazer: Ficava sozinho com ela à espera que fumasse a porcaria do cigarro que ainda nem a meio ia e depois trazia-a para o concerto, ou ia a correr para o recinto responder aos gritos das baquetas da Joana? Eu corri, e foi uma das decisões mais sábias que já tomei na minha vida....


Bem, entrei disparado como um Galgo e nunca mais parei sujeitei-me a todas as vibrações que queria sentir nessa noite, nesse concerto e entreguei-me de corpo e alma a eles. O teclado existia, entre uma ou outra troca de olhar com o Alex que me notificava da existência dessas keys.
 Não foram só malhas de EP5, Galgo tocaram tanta coisa inédita, o que me leva a pensar: de onde vem o génio de EP5, existe muito mais para além disso e estamos muito ansiosos pelo disco de estreia.
 A festa foi rija apesar de tudo, as pessoas que lá estavam não paravam quietas um segundo, foi bacano dançar com o Miguel e o resto dos camponeses, que até conseguiram colocar-me no ar no meio de Monte Real, que é só uma das melhores coisas que ouvi este ano. Foi um concerto arrebatador, tremendo, vibrante do início ao fim. Até posso dizer que Galgo, de momento, devem ser uma das melhores bandas a tocar ao vivo. Vamos voltar a ver-nos sem dúvida, com mais gente espero, algo onde possa manifestar-me livremente sentindo o calor humano de outras pessoas que acaba por ser contagiante de certa forma, tive de aproximar-me do palco para sentir o calor que vinha dos amplificadores. A energia dos quatro era tão reconfortante, desde o baixista (Figueiras)  e o segundo guitarrista (Miguel), que no fim do gig estiveram connosco a falar de cenas random como Força Suprema, já lhes dei o aviso não se preocupem. Apanhei a Joana antes do concerto muito focused nos seus auriculares e ainda hoje nos perguntamos o que estavas a ouvir meu...  O Alex que é só dos gajos mais bacanos que tive oportunidade de conhecer, devíamos ter fumado aquele cigarro dentro do recinto (ahah estou a brincar).  A interação começa quando o Figueiras disse que a banda leu a nossa review do EP5. 
 Em suma, isto é Pica-Rock, se dizem ser hipsters e ter óculos de massa e advanced pack posers e não sei que mais e ainda não ouviram estas malhas, não se considerem nada.


Galgo com a redação MS: Pedro Pereira (MS), Luis Teixeira (MS), Miguel Figueiredo, João Figueiras, Alexandre Sousa e Joana Batista


Setlist:
Sabine
Tokutum
Torre de Babel
Monte Real
Balanço
Pivot
Dromomania
Skela
Trauma de Lagartixa


Agradecimentos:
Time Out Bar Montijo
Galgo
Untutored Youth
Alex Chinaskee e os camponeses
Francisco Carvalho
João Peres
Bruno Nogueira

MontijoSound 2016
























































terça-feira, 3 de maio de 2016

Pós Time Out Sessions (1ª parte): The Crying Grapes + CRUZADOS



29 de Abril foi dia de tocarem no TimeOut Bar duas bandas que têm atingido alguma relevância no circuito rock/metal na Margem Sul: The Crying Grapes (feedback productions) e os Cruzados. Estava uma lotação agradável, casa com cerca de 60 pessoas, o que para o Montijo, com outros dois concertos a acontecer em simultâneo é notável, por si só.
 Entrei no bar, tinham começado a tocar os Crying Grapes e notava-se o público algo tímido apesar das iniciativas da banda para que este correspondesse. Com o tempo começou-se a sentir aquele ambiente trasher no ar, os "Grapes" estavam a dar um ótimo concerto, talvez dos melhores que já deram até à data. Tentavam a todo o custo mandar a casa a baixo, o público ia-se libertando, abrindo caminho para que os Cruzados pudessem dominar a audiência com a energia e pujança com que é normal encararem os seus shows.





The Crying Grapes @TimeOut Bar - Montijo


Os Cruzados apresentaram-se no TimeOut Bar com a mesma formação de sempre: (Luis Pedro na bateria, Rui Santiago na guitarra solo, Guilherme Coelho na guitarra ritmo, Duarte Faria no baixo e Rúben Xavier nos vocais), tocaram originais e algumas covers no meio, para entreter as dezenas de pessoas que estavam lá nessa noite para ver os participantes do Portugal Got Talent ao vivo. Ficamos a aguardar um trabalho de estreia e estamos ansiosos pelo regresso às nossas terras aldeanas.

Cruzados @TimeOut Bar - Montijo. A foto é da Ana Martins


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Pós Time Out Sessions: Capitão Fausto


Olhamos em retrospetiva toda a música que o Time Out Bar tem para oferecer ao Montijo, semana após semana. Ou melhor, semana em semana...  22 de Abril de 2016 será um dia que será recordado por muitos anos... É que já não víamos uma casa tão cheia no Montijo sem ser nas festas Populares de S. Pedro! Não, não houve jogo de futebol esta semana: os Capitão Fausto pararam no nosso bar para apresentar temas do seu último muito aclamado disco "Capitão Fausto têm os dias contados"  e o MontijoSound esteve em cima do acontecimento, desde o momento em que entrámos naquele bar até ao momento em que saímos dele. Noite espantosa, dezenas de pessoas a encher o novo espaço de concertos do Montijo e como não podia deixar de ser um gig brilhante daquela que é considerada uma das melhores bandas portuguesas da atualidade. Vejam a nossa reportagem exclusiva!

Francisco, Tomás e Salvador a jogar basket
Eram 18 horas e 30 minutos,  nem um minuto a mais nem um minuto a menos. Apresentei-me no Time Out Bar à hora indicada para dar a entrevista, a Raquel tinha sido explícita, "Tens de estar lá exatamente às dezoito horas e trinta minutos, é a única hora que eles podem dar a entrevista".  Eu não ia ter coragem de entrar lá dentro sozinho e encarar os cinco homens que têm levado a bandeira portuguesa a outros patamares, discos de culto como "Pesar o Sol"  ou" Gazela " fazem de Capitão Fausto uma das bandas mais respeitadas da cena indie tuga.  Eu esses ouvi na íntegra, mas admito que não tinha ainda ouvido com atenção estas últimas faixas. Tive de esperar pelo Pedro e pela Catarina que não tardavam muito a chegar com as perguntas todas alinhadas que haviam escolhido dias antes, já para não falar do equipamento fotográfico de qualidade superior (just play along).
Da esq. Para a dir. Manuel, Tomás e Domingos durante o soundcheck

Já tinham passado 20 minutos desde a hora estipulada e eles ainda não tinham chegado...  Estava na hora de assumir o desafio sozinho. O amigo João Peres foi-me abrir as portas da casa (shotout para o Bruno Nogueira também), portas hipotéticas rumo ao além (citando Prof Jam). Cheguei ao bar estava o Tomás, o Francisco e o Salvador a jogar basket? No outro lado o Manuel e o Salvador ensaiavam algo, havia um clima de boa disposição (lógico que eu já tinha o meu sorriso esboçado há muito mais tempo). Passou o Domingos e deu-me um forte aperto de mão, antes já havia apertado as mãos dos jogadores de basket e do Manuel, que receberam-me sempre com um sorriso na cara e uma cerveja na mão. Recebo uma chamada e vou buscar o Pedro e a Catarina à porta do bar, estes irmãos que recebo com um abraço de grupo apertado. Estava na altura de começarmos a festa, mas como o Rock têm destas coisas, a banda ainda nem tinha feito o soundcheck e já eram 19 horas e tal....  O que é feito dessa entrevista?


Domingos Coimbra à esq.  com a nossa Catarina Soares

 Bem, ainda não tínhamos entrevistado os gajos e agora tínhamos outro problema: ir a casa buscar o recorder para a entrevista por culpa do esquecimento ou entrevistar sem material? O problema é que faltavam poucos minutos para as 20 da noite, hora em que o soundcheck acabava e eles iam jantar ao Castiço. Eu e a Catarina fomos a correr buscar a geringonça, mas a Catarina precisava de levantar dinheiro e acabámos por ser assaltados por um cigano que ali passava. O Rock tem destas merdas...
Entretanto o Pedro ligava para mim a saber onde estávamos porque a banda já tinha concluído o soundcheck e ia agora jantar (não os íamos chatear enquanto comiam não é)? Pensámos entre nós que iam demorar uma hora a comer, talvez pudéssemos entrevistá-los depois de jantar, seria um plano louco porque a entrevista estava marcada para as 18 e 30 e por esta hora estávamos já nós sentados à frente do restaurante, à espera, respeitosamente, que os Capitão Fausto acabassem de comer para podermos então conversar um bocado. Eram já 21 horas e pouco e chegávamos também à hora da verdade...





"A verdade é que a verdade nem sempre é verdade e o mundo ainda tem que crescer"

Dizem que o nosso Pedro teletransportou-se do Time Out para o Castiço, aqui vemos uma foto que capta Pedro durante esse alegado teletransporte

Bem, por esta altura já tínhamos estabilizado numa mesa que ficava em frente ao restaurante "O Castiço" onde eles jantavam, e as barrigas também já apertavam... Já tínhamos vivido um dia cheio de emoções e o concerto ainda nem tinha acontecido! O Manuel Palha vêm sentar-se connosco na mesa a fumar cigarros de enrola e falar abertamente de música, sem pretensiosismos ou essas bullshits que os hipsters às vezes inventam, estamos só a ter um conversa gira. Dj Genes na casa estava a passar Alex Chinaskee na rádio: "Sim, conheço o Alex, ele já me tinha oferecido o seu disco (Campo) mas ainda não tive oportunidade de ouvir, tens aí?", responde Manuel depois de lhe ter perguntado por Alex Monkey. Passa "Já não vivo" na rádio e D. João de Panado e outras malhas emergentes, o ambiente era favorável e esperou-se então pelo resto da banda que iria ser entrevistada...


Entrevista a Capitão Fausto

 Ora bem, eram já quase 22 horas e depois de alguns percalços do destino, lá conseguimos reunir os 5 mestres da música pop portuguesa, para um conjunto de perguntas divertidas e muito pouco formais. Sim podíamos ter feito as mesmas perguntas que toda a gente que os entrevistou já fez antes, no entanto queríamos algo diferente, queríamos divertir-nos a fazer as perguntas e queríamos também divertir um bocado a banda antes do gig, you know, libertar algum stresse, soltar um bocado a malta num clima familiar e de boa disposição e sinto que foi isso que conseguimos. Pusemos os capitães a divagar entre eles, colocámos situações hipotéticas em cima da mesa, satirizámos um bocado os força suprema: "Quem são esses?" questiona-se Tomás;  "Isso é algum tipo de movimento ou banda ou assim? Isso é uma editora? Fica onde?", quase, satiriza Manuel.
 O tempo voou, só faltava tirarmos uma foto de família e estávamos prontos para regressar ao sitio onde tudo ia acontecer, o Time Out.

Foto de família. Ora bem,  pela sua respetiva ordem: Salvador Seabra aka El Capitan Salvador, Catarina Soares (MS), Luis Teixeira (MS), Tomás Wallenstein, Domingos Coimbra e por baixo dele Pedro Pereira (MS), Manuel Palha, António Branco (um grande abraço) e o icónico Francisco Ferreira homem dos synths

São 22 horas e meia quase, chegamos ao recinto e encontramos um mar de hipsters, posers, stoners, miúdas giras da Arroio... Perdi a Catarina por instantes, que liga-me minutos mais tarde a dizer que foi buscar cerveja. O Pedro estava com a namorada (shotout para a Mada) e nem falava com um gajo...  #falsotropa. Havia gente para todos os gostos e feitios, malta a pré-reservar o bilhete dias antes, imensa gente a comprar bilhetes para ver Capitão Fausto em primeira mão "Capitão Fausto têm os dias contados", e posso garantir que foi um dos melhores concertos que o Montijo já viu em muitos anos. Encontrei o Salvador na casa de banho dos homens e perguntei com toda a honestidade do mundo: "Era preciso ter Capitão Fausto a tocar no Montijo para isto voltar a ser uma cidade de novo?", responde ele "Não sei meu, posso mijar?"  Estou a brincar, mas que Deus ou o Sponge Bob abençoe o Time Out que vêm fazer algo que até aos tempos de hoje ninguém foi capaz de fazer aqui: Oferecer noites inesquecíveis de semana em semana. E que noite foi esta!  Querem que vos descreva o concerto? Que comprassem o bilhete e fossem ver estes senhores tocar...

Capitão Fausto live@Time Out Montijo
 
Vá tomem lá a setlist do concerto:
1.Morro na Praia
2.Batalha
3.Litoral
4.Dias Contados
5.Corazón
6.Santa Ana
7.Tem de ser
8.Ideias
9.Semana em semana
10.Maneiras Más
11.Alvalade chama por mim
12.Amanhã tou melhor
13.Nunca faço nem metade 
14.mil e quinze
15.Supernova
16.Zécid
17.Verdade
Capitão Fausto






Time Out Sessions






Agradecimentos:
Capitão Fausto
João Peres
Bruno Nogueira
FaceBurguer
Cigano
TimeOut Bar Montijo
MontijoSound 2016