quarta-feira, 24 de agosto de 2016

PISTA a quebrar barreiras em "A Tal Tropical"

Jenny Larrue é a tal tropical

Depois de "Puxa", Pista lançam vídeo para "A tal Tropical", sexta faixa de "Bamboleio", lançado em Novembro do ano passado.
 O vídeo protagoniza a modelo/atriz luso-africana transexual Jenny Larrue, que aparece num outfit mínimo e provocador... Um fato-de-banho, uma maquilhagem glam enaltecida por unhas verdes, pulseiras e colares multicolores e uma camisa de flanela colorida enquanto faz bolhas de sabão e joga frescobol num fundo verde. Cláudio, Ernesto e Bruno também aparecem no vídeo a dançar numa sala escura fazendo movimentos aleatórios enquanto Jenny acentua poses lentas e sensuais...
O vídeo é realizado por Marta Leal e o próprio Cláudio Fernandes e é claro um exclusivo Antena 3.

Podem ver o vídeo em baixo:

                     
Ouçam "Bamboleio" aqui

terça-feira, 23 de agosto de 2016

BADBADNOTGOOD - IV


Numa fase da minha vida dei por mim a querer entrar num banho de imersão paralisante que me fizesse submeter de uma forma saudável às necessidades do Ego. Os cães ladram, a caravana passa e nós vamos com ela sem destino traçado ou objetivo findado, fechando os olhos às nossas próprias necessidades e à força de vontade que impulsiona os nossos específicos dons. Nesta corrida da rotina é fácil cair na cegueira de não percepcionar o caminho fácil e é igualmente tentador optar, por insegurança, pelas tentativas de avistar onde se encontram os adversários e comparar a nossa fibra com a dos outros. O caminho fácil é o corta-mato e caracteriza-se pela praticidade de dar primazia aos desejos do nosso íntimo, enquanto perdemos a vergonha de sentir amor-próprio. Como dito, nesta altura da minha vida experienciei um abismo carregado de dor existencial e arduamente encontrava terapia musical que apaziguasse essa lacuna… Até à imersão auditiva nos BADBADNOTGOOD, que tiveram um papel de guia espiritual no tal estado mental cíclico carregado de despersonalização e ausência de sentimentos. O quarteto canadiano é oriundo de Ontario e funde o jazz moderno com o hip hop entrelaçando o baixo, o saxofone, o teclado e uma bateria que convivem como amigos inseparáveis numa saída à noite. O seu quinto e mais recente álbum de estúdio, IV, é um dos melhores trabalhos concebidos neste ano. O trabalho é composto por 11 faixas, na sua maioria instrumentais (com excepção de “Time Moves Slow”, “Hyssop of Love” e “In Your Eyes”). Talvez esta fórmula de permanência pelos instrumentais seja mais que digna: o grupo é perito na missão de criar um som tão rico em suavidade e groove sustentado por um baixo áspero, dando permissão à nossa voz interior para tratar do resto.

IV é permissão de entrada num reino soporífero onde o baixo é o Monarca de uma corte onde os restantes instrumentos produzem a sua magia ludibriante em torno dos clássicos ritmos da escola jazz. “And That, Too” abre o disco numa apresentação misteriosa que dá primazia ao sintetizador que ecoa psicadelismo, uma flauta que cria um ambiente sinistro e por fim um honroso solo do saxofonista  Leland Whitty. Partimos para “Speaking Gently”, a verdadeira aposta numa área fora da zona de conforto. É uma malha funky que combina os sons do synthwave, a música eletrónica retro dos 80’s com um toque espacial e psicadélico. “Speaking Gently” não causa vontade de exteriorizar movimentos de dança porém consegue criar um estado de dança interior semelhante ao consumo de THC. Consigo aperceber-me de uma certa sinestesia devido ao facto de associar, a esta faixa, uma estética de cores fluorescentes ou néon. Esta experiência sensorial progride consoante o acelerar da frenética bateria. Fiquei emocionalmente grudada nesta faixa, a qual repeti vezes sem conta e coloquei num pedestal... Fechem o disco, já descobri a pólvora. Time Moves Slow” é o single do disco e um dos prazeres que já pode ser escutado na Antena 3. O tema r&b é intimista e sedutor, cantado pela voz soul e frágil de Samuel T. Herring (Future Islands). Fala-nos do insuportável passar do tempo durante o final de um relacionamento íntimo (não necessariamente amoroso). “Running away is easy/ It’s the leaving that’s hard” é a frase eternizada a retirar deste disco. Confessions Pt II” é uma epopeia narrada pelo engenho do saxofone de Colin Stetson, convidado especial dos BBNG. “Lavender” tem aparticipação do DJ e produtor KAYTRANADA é a faixa mais pesada tal é a força do baixo subjugado à luta de um sintetizador. “IV”, que dá nome ao disco, é o porto seguro do talento deste quarteto e a razão pela qual estes se juntaram: improvisação jazz no seu estado mais puro. O erotismo e a classe ressurgem na voz de Charlotte Day Wilson’s em “In Your Eyes”, balada que nos transporta para um bar sofisticado com um copo de whisky na mão. Estas faixas mencionadas foram as que mais se destacaram num acervo de temas brandos, doces e comprovadores de que não há excepções para o poder intrusivo do jazz. Os BBNG transitaram de um ábum mais agressivo, noturno e fechado na esfera hip hop/jazz (III) para outras sonoridades e uma linha melódica menos confusa. A experimentação melódica e a adoção de vários estilos que no fim de uma faixa se completam permitem-nos criar uma linha narrativa e estimular outros estilos musicais que nem julgávamos possível apreciar apaixonadamente, um disco que se vive dissecando cada faixa após uma escuta integral. IV tem poderes curativos e, de forma lenta, amenizou um fosso emocional que era apenas fruto da minha ansiedade. É uma Ode aos momentos fugazes e ao prazer das relações humanas, às conquistas pessoais e ao amor próprio.

domingo, 21 de agosto de 2016

Queráute, a malha do espírito livre

"Queráute" a ser tocado em casa de Pista, mais
recentemente nas festas do Barreiro
"Bamboleio" faz-se soar de forma intensa, nostálgica e o mais característica possível, condensada por riffs rasgados, baterias frenéticas e difíceis de conter e essa ilusão do baixo (há uns tempos sustentada por Nick Suave) destingue Pista dos demais em território Punk (ou qualquer outra fusão relacionada).
"Queráute" no Outfest, ainda com Nick Suave
 "Bamboleio" é um álbum rock. Repleto de singles, prima pela consistência das faixas que a cada audição reinventam-se em algo novo, como se tratasse de um feitiço ou uma boa maldição. Passaram 2 anos e faixas como "Puxa" ainda soam a algo entusiasmante de se ouvir, "3-0" é o clássico que faz a banda aparecer no radar e "Salmão" é aquela canção que estereotipa um dia de verão passado na piscina com todos os amigos e algumas pessoas que não querias ver, cervejas frescas e bons grelhados a acompanhar o convívio. Toda essa temática construída à volta do tropicalismo, sol, verão, praia, dão também um carisma incontornável e único a Pista.
"Queráute" no Time Out (Montijo)
 No entanto, existe sim essas influências Pós-Punk em certos momentos mais marcantes de Bamboleio... Falando de "Queráute", última faixa desse "disco verde", um épico de 12 minutos que se eleva de minuto para minuto, de acorde para acorde, de batuque para batuque. Essa efervescência inédita coloca Pista num patamar inalcançável e incalcinável. Aqui vemos força obscura capaz de suportar a banda ao longo de próximos discos e aqui vemos uma faceta enérgica fora do comum. "Queráute tem nove minutos porque Yes we can... Ou então porque não queremos que passe em lado nenhum...", explica Cláudio. Queráute suplanta-se e exprime inquietação, um freak punk ágil e sagaz, destemido e incrivelmente hábil na conclusão das suas obrigações como chave de ouro. Um eterno grito de potencialidades infinitas no som de Pista que pode metamorfosear naquilo que Cláudio, Bruno e Ernesto bem entenderem.
 O intuito progressivo e o mantra infinito, vocal hipnotizante e desconfortante... A voz rouca de Cláudio e Ernesto, enfraquecidas pela força da repetição incutidas na palavra... A verdade é que nos últimos concertos de Pista, Queráute tem-se tornado num dos momentos mais marcantes e memoráveis de qualquer concerto da banda. Alex D'alva Teixeira (D'alva) tem acompanhado a banda pela estrada, apoiando Cláudio nos back vocals. Essa presença e energia evidente de Alex colocam Quéraute num pedestal enorme. O público manifesta-se de várias formas, quer dizer, já vimos gente inconformada com o ruído insuportável, cabeças agitam em tom de concordância e consenso, corpos agitam-se com a inquietude do ritmo, já houve relatos de paralisia... Todas estas manifestações ocorrem de acordo com a gravidade da faixa, ora curta e convencional ora prolongada por um estado de espírito insolente. Toda essa atitude Punk é necessária para que a música seja tocada de forma mais crua e visceral possível.
No Super Bock Super Rock deste ano um grupo de
pessoas baixa-se durante "Queráute", sobre a repetição da
palavra e a descarga de adrenalina que envolvia o grande momento
da explosão

Essa prolongação carregada de feedback, dissonância, ruído branco (por vezes) e o habitual guincho vocal são alguns dos momentos mais marcantes de toda a cena underground atual. Para fotógrafas como Vera Marmelo, captar momentos tão incomparáveis como estes são só pequenas formas de homenagear este pequeno (12 minutos) monumento Punk chamado Queráute. Ao longo dos anos a faixa ganhará ainda mais importância e com o tempo influenciará outros rebentos a criar uma banda de Punk. Quanto a "Bamboleio", outros dos discos mais notáveis alguma vez feitos em Portugal, ficam dois sentimentos. O primeiro é o querer e a vontade de ouvir estas eternas faixas para todo o sempre, sem alguma vez nos cansarmos delas ou ficarmos saturados, seja no disco ou ao vivo. O medo que um próximo disco não soe igual a este, a tristeza desse facto. O segundo sentimento: O amor e confiança que sentimos por estes três pioneiros não nos dão outra alternativa a não ser confiar cegamente em tudo aquilo que eles fizeram e que ainda haverão de fazer em prol da música cantada em português.
Cláudio em busca do feedback durante "Queráute", com
Alex D'alva Teixeira a fazer vibrar o público no
Super Bock Super Rock deste ano


Todas as fotos são de Vera Marmelo. Vejam o seu trabalho aqui.

"Blond" é o muito aguardado segundo longa-duração de Frank Ocean


Depois de vários "jajões" (no calão mais usado na tuga para "falsa partida"), Frank Ocean espanta o mundo com o seu muito antecipado e hiperboladamente falado "Blond", segundo disco do cantor de R&B, disco que sucede ao clássico instântaneo "Channel Orange", que inspira uma nova geração de cantores negros a fundirem o Soul e o R&B com outras auditivas urbanas como o Rap ou o hip-hop.

 "Blond" é o segundo disco se não contarmos com "Endless", álbum visual que o cantor havia lançado há um dia atrás via Vimeo, um vídeo de 45 minutos contendo "Nikes", single que antecipava este último "Blond", cujo capa aparenta ser Frank Ocean de tronco nu com o cabelo pintado de verde e com a cara tapada, com um penso no indicador esquerdo.

O extraordinário são as várias colaborações no álbum: Frank Ocean dá crédito a dois dos rappers mais elogiados da sua geração, Kendrick Lamar e Kanye West; Produtor britânico Jamie XX e lendas Beatles e o recente David Bowie também figuram nos créditos, sendo que para este disco Frank conta também com influências de Beach Boys.

Capa alternativa de "Blond"
Tracklist:

01 Nikes
02 Ivy
03 Pink + White
04 Be Yourself
05 Solo
06 Skyline To
07 Self Control
08 Good Guy 
09 Nights
10 Solo (Reprise)
11 Pretty Sweet
12 Facebook Story
13 Close to You
14 White Ferrari
15 Siegfried
16 Godspeed
17 Futura Free


Vejam em baixo "Nikes" de Frank Ocean



Façam stream de "Blond" aqui
Oiçam "Endless" na íntegra aqui

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Old Yelow Jack libertam "Ten Tons" para disco de estreia

Capa de Cut Corners
Depois de "Glimmer" lançado praticamente no início do ano, lisboetas Old Yellow Jack libertam "Old Tons", depois de alguns leaks e ameaças de lançamento precoce.
 A faixa tem colaboração de Diogo Antunes da Silva (SpiderTom) e o vídeo é realizado por Hen Koros Ribbon.

 "Cut Corners" é o muito antecipado disco de estreia de Old Yellow Jack e saí dia 16 de Setembro nas principais plataformas de audição stream.

 Dia 9 de Setembro tocam no IndieotaFESTAval, no Montijo e deverão apresentar essas faixas na íntegra.

  

Vejam vídeo de "Ten Tons" em cima ou ouçam aqui

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Saia à noite 7/8 a 13/8



Agosto é breve e intenso, como uma música que permanece em loop na nossa memória. Festas regionais, festivais, concertos na capital integram um cardápio com diversas opções e enquanto o lemos e ponderamos em como gastar o tempo livre até à chegada do mês que o Billie Joe Armstrong odeia, arranja-se tempo para um mergulho ou dois. Durante a semana que antecede o culto que é Coura temos as habituais arruaças no Musicbox, Lux Frágil e DAMAS Bar, assim como a terceira edição do Sol da Caparica. O pouco mais que esta semana oferece pode ser conferido em baixo:

11 de agosto, quinta feira

Celeste/Mariposa é um duo lisboeta que celebra a música dos PALOP numa sonoridade que descrevem como "Afro Baile suado". Docteur Traoré vem de Paris e complementa este alinhamento e promete muito afrohouse, afro-beat e motown. A entrada custa €6 até às 2h00 e €9 depois das 2h00.



O espanhol Alex Under é presença no Lux Frágil. Não percas um dos maiores artistas da música techno em Espanha. A festa começa às 00h00 e ainda não há informações acerca dos preços.

                    11, 12, e 13 de agosto: quinta a sábado

Se ficas pela selva de asfalto que é a Margem Sul do Tejo, tenta ir a nado até à Costa da Caparica. Cá te recomendamos Orelha Negra, Mão Morta, Valete e Aline Frazão no dia 11; Melech Mechaya, Sérgio Godinho e Jorge Palma dia 12, e Keep Razors Sharp, Capitão Fausto e We trust no dia 13.

12 e 13 de agosto, sexta e sábado

O Sonic Blast é em Moledo e junta praia, surf e rock perto da fronteira nortenha. Para mais informações, clica aqui.

13 de agosto, sábado

Como sempre, é dia de mais uma noite MATERNIDADE no DAMAS Bar. Para mais informações, consulta a página do evento aqui.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Festival Rama celebra o feminismo, o protesto e algures entre os dois o Punk

De 7 a 17 de Setembro Lisboa vira os seus olhos para o Rama Flor (Maternidade e ZDB), festival que celebra a cultura Queer e o feminismo, muito semelhante ao já extinto (em território luso) Lady Fest.
 Entre cinema, diálogo e workshops, o destaque vai para as bandas que passam pelo Lounge, Rabbit Hole, Rua das Gaivotas 6 e a Galeria Zé dos Bois, os 4 palcos do festival, num evento que prima pelo DIY, o garageiro e acima de tudo o poderio Riot Girl, como forma de encaixar na temática do celebração.

Shoopping, Consumer Complaints (Milk Records,2015)



Da dir. para a esq. Helena e Shelley, as Clementine
O primeiro grande destaque vai para londrinos Shopping, que editam dois discos em 2015, incluindo o memofante "Consumer Complaints", super ataque de funk-punk minimalista e eclético, enaltecido pelo baixo boomerang que vai dos dark 70's e volta até ao lo-fi de novo século, evocando todo o new-wave e dramatismo melódico das cordas jangle, os vocais post-menstruation-chaos de Rachel Aggs, tudo isto envolto numa manta alegre e um espírito anarquista mas gentil.




No mesmo dia 9 de Setembro, também na Galeria Zé dos Bois, a baixa fidelidade e desacerto neurológico das Clementine traduz-se em garage essencialmente ruidoso que prima pela subtileza e o minimalismo de acordes viscerais e dissonantes, bateria sincronizada com esses acordes que são um grito para toda uma cultura riot girrrl, captando a ingenuidade de Kate Pierson, a rebeldia de Patti Smith, o "i don't give a shit" de Courney... Acima de referências mal tratadas pelo vocab-hipsto*, a química de Shelley Barradas e Helena Fagundes (ex- Dirty Coal Train) é comparada às riot-teens Dog Party.


Pequena legião de fãs aguarda pelo menos um EP de Ninaz
este ano
Dois dias depois no dia 11 de Setembro as torres caem na Rua das Gaivotas. Dia 14 o Rama pára no Damas Bar com destaque para concertos de Ninaz, grupo de adolescentes no pico da puberdade come todo o sunshine psicho-doce* e o noise ruidoso de mid-90's, para se apresentar como uma das bandas mais promissoras do catálogo Xita Records. A fragilidade e imaturidade são desventradas pela bravura sónica e o entusiasmo tão contagioso como fiável.

A introspectividade de LauraL ou o blues-punk de The Younger Lovers são outras alternativas num programa que incluí documentário/curta de Vega Darling "LOST GRRRLS", no entanto o grande destaque de dia 11/9 vai para a jovem em  ascensão Sallim, prodígio da Cafetra Records extraí vulnerabilidade e emoção em canções introvertidas, sentimentais e profundas, numa análise à composição ou os vocais frágeis de Franciska Salem, que resultam no muito elogiado "Isula", desfecho mais previsível depois de uma antecipação massiva deste trabalho de estreia.
Sallim
As entradas para dia 9 de Setembro na Galeria terá um preço de 6€ e os ingressos podem ser adquiridos na própria Galeria Zé dos Bois, Flur e Tabacaria Zé Martins
Nos restantes dias a entrada é livre.

Evento Rama em Flor no Facebook: https://www.facebook.com/events/170014783420450/
Página de Facebook Rama em Flor: https://www.facebook.com/ramaemflor/?fref=ts

Oiçam aqui: Shopping, Clementine, Ninaz e Sallim