terça-feira, 5 de julho de 2016

Faixa do dia: Pixies - Letter To Memphis



Porque já não conseguimos suportar a dor da espera e porque um pouco de Pixies por dia nunca é demais, a faixa do dia de hoje é a "Letter To Memphis", do disco "Trompe Le Monde", o último com a Deusa Kim Deal. Uma malha curta, eficaz e que apaixona sabe-se lá bem porquê. Black Francis vocifera sentimentos e palavras que remetem para um amor impossível devido à distância, um the one that got away... Ao mesmo tempo, esta malha é puro rock de garagem e caíria bem com uns amigos, grades de cerveja e uma festa privada num terraço. Cada vez mais parece mais claro que os verdadeiros amores das nossas vidas são aqueles que já muito ouviram sobre os nossos desamores.



Álbum da Semana: The Blue Drones: Live at the 39

The Blue Drones é o quinteto do Cacém que há mais de três anos vem presenteando o público com obras de rock apimentadas aqui e ali com toques psicadélicos. Em Março de 2013 disponibilizam a sua primeira faixa no bandcamp, "Remainings of Time", que três anos depois incorpora o primeiro EP da banda.


É precisamente com esta faixa que somos transportados para este universo bluesy. Um início de EP simples e cru no qual vale a pena salientar o interlúdio aos 2 minutos, ou se quisermos, mais uma espécie de segundo andamento, em que se consegue ter uma percepção total do papel de todos os elementos da banda, algo que não existia na primeira gravação da faixa lançada em 2013, mas serve sobretudo para deliciar fãs mais devotos, ou amantes da música em geral. Ao invés do simples solo distorcido. o solo é mais clean, a vibe é muito mais groovy, muito por culpa do baixo, algo muito mais pensado e interessante que denota bem a evolução da banda.
O EP prossegue com "Echo Surfer", onde temos sobretudo uma faixa de agradável audição, que serve para o efeito pretendido, mas em que fica a ideia de que o echo podia ter sido talvez explorado de outra forma. A faixa está solarenga, mas o contraste com a voz de inverno de Francisco Pacheco pode tornar-se estranho em primeiras impressões.



"Flying Around" é outra das faixas "novas" neste EP, onde novamente brilha o baixo, que pela segurança que transmite torna impossível que se tire o ouvido desta linha, o que se torna um aspecto característico do EP, talvez pela competência de Ricardo Lapo, talvez pela importância dada ao instrumento pela banda. O que é certo é que estamos a afastar-nos cada vez mais do rock/blues puro e cru e a aventura-mo-nos por trilhos desconhecidos, onde acabamos por ser uma árvore "waving my leaves in the air". Em "Tree &Signals" acabamos por ser atirados novamente, sem nos apercebermos, para aquele sítio onde reinam o riff e a melancolia das letras e onde temos também um dos melhores papeis vocais de Live at the 39. A voz grave desliza suavemente entre os acordes, aqui e ali interrompida por um solo colocado de forma oportuna, com uma letra sempre a roçar o desgosto amoroso, tal como em todo o álbum.


O primeiro EP de The Blue Drones surge muito como um upgrade de coisas já gravadas anteriormente e nesse sentido é notório o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela banda, não deixando de se reparar na diversidade de géneros que se fundem para que o álbum ganhe vida, impedindo que o trabalho se torne repetitivo e entediante.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Saia à noite 3/7 a 9/7


A semana começou ontem e perdemos um potencial dia de folguedo, mas quase é seguro apostar que a cada piscar de olhos começa um novo evento na capital e arredores. Já para não falar de um dos maiores festivais que o nosso país alberga e que faz este ano uma década, o majestoso NOS Alive. Com os bilhetes quase esgotados e o passe de 3 dias inacessível aquando do anúncio da vinda dos Radiohead, está oficialmente aberta a época de caça aos bilhetes dos festivais de eleição.

5 de Julho, terça feira
Dino d'Santiago traz-nos a doçura de Cabo Verde embebida em Jazz & Blues em mais um espetáculo no B.leza (Cais do Sodré). Depois de ter pisado vários palcos do mundo inteiro, agora é a vez de Dino apresentar na casa Lisboeta o seu "EP Unplugged". O concerto terá início às 23.00h.

Já perto do Intendente, no Jardim Braancamp Freire e às 19h00, terá início uma de muitas sessões de jazz moderno ao ar livre e gratuitas. Até dia 15 de julho podes aproveitar tardes de cerveja e serenidade, no festival Jazz Im Goethe Garden.

7 de Julho, quinta feira
No Passeio Marítimo de Algés começam a ecoar as primeiras vozes sobre o Tejo. Teremos a honra de receber o senhor Robert Plant, os Pixies, The Chemical Brothers, entre outros. Bilhetes diários: €56.

8 de Julho, sexta feira
Enquanto o NOS Alive continua, desejamos-te boa sorte e iluminaremos o teu caminho caso pretendas adquirir bilhete para este dia, o mais destacado do festival e responsável pelo esgotamento dos passes. Se não conseguires ir, sempre podes ficar a ver a transmissão em direto na RTP e importunar o sono dos teus vizinhos ao som de Tame Impala, Radiohead, Foals, Father John Misty, Courtney Barnett, etc...



Nesta sexta começa mais um Hell in Sintra, festival que já vai na oitava edição! Três dias e tem "entrada livre, campismo grátis, chuveiros e muita festa". 

O after party do NOS Alive não pode ser feito em casa ou simplesmente pela rua. Não tens desculpa para faltar à festa exclusiva do Lux, que vai bombar com o DJ Windows 98 (Will Butler dos Arcade Fire) e com Four Tet. A casa vai estar apinhada e não há informação disponível acerca do preço das entradas.


Como alternativa às opções anteriores, habemus festa no MusicBox: Mark Kozelek dos Sun Kill Moon (23.30) e atuação de Benjamim (22h00)! Os bilhetes custam €15 e podem ser adquiridos à entrada.

9 de julho, sábado
Último dia do NOS Alive e a acabar em beleza com Grimes, Ratatat, Band of Horses, Arcade Fire, M83... Se estás disponível para a arruaça mas dispensas grandes ambientes e multidões (ou o orçamento não chega), tens mais uma festa Maternidade no DAMAS Bar, com Shanawaara, MC Luara Marola de Fogo, Valéria Oid, Chima Hiro & La Yang DJ Set. A festa é longa, começa às 17.30h e tem final previsto para as 04.00h. A entrada é livre.


Para os lados do Terreiro, no Club Noir, há DJ set pela honra das Twisted Sisters. Podes contar com Doom, Psych e Stoner para a tua noite.
A entrada é €2.


A não esquecer a festa da Spring Toast Records na Galeria Zé dos Bois
17h00 Abertura de portas
17h30 Granjo (Terraço)
18h00 April Marmara (2ºandar)
18h30 CONVIDADO ESPECIAL (2ºandar)
19h00 Yan-Gant Y-Tan (2ºandar)
19h30 Torneio Ping Pong Interactivo (Aquário)
20h30 Vivian-San (Aquário)
21h Jantar (Terraço)
22h Jasmim (Aquário)
23h Sun Blossoms (Aquário)
00h Migas (Aquário)
00h45 Vaiapraia (Aquário)
01h30 Savage Ohms + Convidados (Aquário)
A entrada é €6 e podes comprar o teu bilhete à porta, na Flur Discos ou na Tabacaria Martins.

10 de julho, domingo
Domingo é dia santo para recuperares destas festas todas... Já chega, não?

Faixa do dia: KAYTRANADA - TOGETHER

Louis Celestin tem apenas 23 anos, nasceu no Haiti e foi criado mesma terra que os nossos queridos Arcade Fire (Montreal, Canadá). Aos catorze anos já era DJ e aos 15 iniciou-se como produtor ao lado do irmão. O seu primeiro álbum, "99.9%", só saiu do forno este ano e conta com colaborações com AlunaGeoge, Craig David e Little Dragon. Hoje foi a primeira vez que escutei algo desta frescura emergente no mundo da eletrónica e do r&b, durante a emissão da Vodafone FM. Quando ouvi o álbum, trabalho esse apenas disponível no Spotify, encantei-me com o revivalismo 90's de "TOGETHER". Lembra o início de um verão pois é leve e sem todos os desgastos das memórias feitas e assemelha-se a um choque térmico de gelo numa pele queimada pelos raios de sol.

É groovy, é smooth, uma faixa hip hop dançável que conjuga uma misturada que não sabemos designar. Goldlink faz o rap e AlunaGeorge é a voz em destaque. Let it flow away and never mind it...

Ouve a faixa AQUI.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Saia à noite

Noites de Verão aproximam-se e com elas voltam os concertos escaldantes que percorrem o país, de Norte a Sul. Vem daí descobrir todas as semanas aquilo que te vai fazer sair à noite para ir ver as saias...


1 de Julho, Sexta-Feira

Na Sexta-Feira haverá festa rija no Jardim da Torre de Belém para encerrar as festas da capital. Globaile terá dois palcos e entre os nomes mais sonantes do cartaz temos Batuk, MC Bin Laden, Dengue Dengue Dengue ou as lendas do afro beat Buraka Som Sistema. A entrada é livre.
2 de Julho, Sábado
Sabotage recebe noite Kaleidoscope, como parte do warm up para o Reverence Valada 2016. Desta feita a Psichnight terá DJ sets de Rui Maia, músico dos X-Wife e um dos fundadores do Mirror People... Pedro Chau, baixista de Ghost Hunt e The Parkinsons e o já habitual Dj Residente A Boy Named Sue. Como VJ teremos a fantástica Lena Hurácan (Helena Fagundes), ex-baterista dos The Dirty Coal Train e atual baterista do projeto que tem com Shelley Barradas (também ex-guitarrista dos The Dirty Coal Train) de lo-fi garage chamado Clementine.

Também em Lisboa, no Grupo Desportivo da Pena haverá Galgo com Mighty Sands que apresentam temas do mais recente EP5 e Big Pink respetivamente. Os ritmos africanos de Kimi Djabaté também prometem aquecer a noite, com DJ sets de Tomás Wallenstein (Capitão Fausto) e DJ Quesadilla (Fábio Costa). A entrada é livre.

3 de Julho, Domingo
Feira das almas decorre na Taberna das Almas e terá concertos de Jasmin e DJ set do humorista Rodrigo Nogueira. A entrada é livre e contará com apresentações de jovens artistas designers, estilistas...



Para finalizar, Jorge Palma apresentará os seus clássicos intemporais este Domingo nas festas Populares de São Pedro, no Montijo. A entrada é livre.

Montijo Sound 2016
Design: David Campos

Álbum da semana: Mighty Sands- Big Pink (vol. 1 e 2)

Em 2014 vimos Los Black Jews participarem no cobiçado Vodafone Band Scout, festival que projeta futuras promessas da música alternativa portuguesa. O solarento, western-smooth "DK" revelava todo o potencial da banda que só dois anos mais tarde estaria preparada para um primeiro longa duração e o fazem de forma mais memorável possível: Um conjunto de cassetes intitulado "Big Pink", que vem  mostrar uns re-batizados Mighty Sands como donos do rouge (neste caso rose) ,burlesco pop garageiro mais sofisticado que a cena portuguesa alguma vez sonharia ouvir.
 Embora semelhantes aos seus congéneres americanos Allah Las ou  Love, Mighty não soam tão preocupados com os arranjos de guitarra ou com a (eventual) visceralidade de certas faixas, como pode se ouvir nos últimos 30 segundos do Lucky Luck anthem "Love Son" pura distorção de guitarras e fuzz nos riffs dos refrões, no entanto é nas melodias e em certos momentos de pura harmonia sonora que conseguimos os momentos mais memoráveis de todo o disco.
 Do instrumental alegre e birdy-sinth de Martinee "Cacti" até ao "cowboyento" guiro-sampled* e harmonioso "100 Villains" até ao sexy, pitoresco e exótico "I'm So Thankful", que exibe uma química óbvia entre Luckee e Maree, até ao psich repleto de delay vocal "Ride The Curse" que acaba no super épico de 13 minutos "Mozambique", último registo que vem consolidar a composição consciente, os vocais angelicais de Teresa no refrão e a já mencionada simetria que cada instrumento propõe em cada faixa.
 Big Pink torna-se melhor a cada audição, há subtileza em cada instrumento que vai ficando mais nítida a cada replay, a perceção da letra vai-se tornando mais clara e porque não, o disco vai ficando tão rosa que um dia será apenas chamado de "Disco cor de rosa", e aí saberemos que chegará onde sempre esteve destinado. 

*Pareceu-me ouvir um Guiro, posso estar enganado...

Ouçam Big Pink vol.1 e Big Pink vol.2

domingo, 26 de junho de 2016

ZARCO libertam single "Português Azul"

A banda portuguesa de prog rock ZARCO libertou hoje o primeiro single, via bandcamp, intitulado "Português Azul". Zarco têm vindo a anunciar o lançamento de faixas gravadas há algum tempo na sua página de facebook, deixando os fãs numa espera intensa e algo irónica. Contudo, adiantam já que "mais tempestades virão"...




Ouçam aqui "Português Azul" de ZARCO