domingo, 12 de junho de 2016

Faixa da semana: Kevin Morby - I Have Been to the Mountain


Kevin Morby, vocalista dos The Babies e baixista dos Woods, tem provado que consegue correr por trilhos vertiginosos e gatinhar por si mesmo. O terceiro álbum a solo, "Singing Saw" (2016) mostra uma eterna criança que já corre para onde quer e cujas brincadeiras faz-de-conta incluem referências como Bob dylan, Neil Young, Cohen e Lou Reed.
E não é por acaso que "I Have Been to the Mountain" é faixa da semana...

O texano de 28 anos já tinha revelado a Pitchfork que "I Have Been to the Mountain" é sobre morte e espiritualidade. Sobre a procura de respostas para a maldade que é partir deste mundo pela mão de outrém, que, consumido pelo Diabo, mata o próximo sem a menor das sensibilidades. E é com uma melancolia que ataca o estômago que nos debruçamos nesta escalada, com uma mensagem que não prega, mas atenua parte da dor. No refrão, a harmonia do trio gospel faz de atalho para os caminhos mais obscuros desta montanha e intensifica a ténue sensação de esperança que é projetada, transformando a meta da canção num final (ligeiramente) mais feliz. São desabafos na voz de Morby que evocam a força de grupo e que saram as feridas, para logo depois partirmos para outra aventura.


Morby é, também, um aficionado pela cidade do Porto. "Bridge to Gaia" é o tema que dedica à Invicta, cidade que guarda no coração como a predileta de "toda a Europa".

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Faixa da semana: Psychic Teens- Winter Grey


Imaginem o céu a fundir-se com o mar num pôr do sol belíssimo. Imaginem uma trincheira da I Guerra Mundial. Agora imagem que estão numa trincheira da I Guerra Mundial, na praia, a ver o céu fundir-se com o mar num pôr do sol belíssimo enquanto tiram uma bala da perna do vosso camarada de trincheira por quem secretamente se apaixonaram durante as experiências traumáticas pelas quais passaram juntos. Conseguem? É que é assim que soa a Winter Grey, quarta faixa do novo disco dos Psychic Teens. A batida é agressiva, “in your face”, quase coxa, as guitarras estão a afogar-se em reverb e passam da melodia mais doce ao ataque mais pesado sem perder a elegância. O baixo é a pulsação cardíaca de um doente com ansiedade crónica e dá-nos vontade de dançar com os olhos fechados. A voz é quase profética, vem do fundo de um poço, talvez de um poço tão fundo como o que a letra reflete. As letras depressivas no post-punk não são novidade, mas há por aí muito boas bandas que não sabem ser melodramáticas- tornam-se chatas e ninguém quer saber se estás triste, paga mas é finos.- este caso não é assim. É impossível não murmurar aquele “I don't need anybody/ I don't need anyone” mesmo que estejamos a ir para o casamento. Merda, especialmente se estivermos a ir para o casamento!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Mutantes dão concerto inédito no Sabotage

Rita Lee esteve presente em espírito
Era uma terça-feira comum. O engraçado foi como vim parar ao Sabotage esta noite: Eram 19 horas da tarde quando a Catarina lembra-me que os Mutantes iam estar na capital... 18 euros ainda é algum dinheiro para ver concertos numa terça-feira normal, mas estes não eram os Soviet Soviet ou Alex Chinaskee... Estamos a falar de uma banda pioneira, essencial na difusão do som psicadélico pelas Américas, movimento tropical brasileiro fabrica uma nova incomparável forma de fazer música Pop, com outros arranjos inconvencionais como uso abusado do Fuzz, influencias díspares são exportadas da Grã-Bretanha baroque de anos 60 para o movimento underground nova iorquino... Dessa cornucópia de sonoridades revolucionárias Os Mutantes inventam a musica popular brasileira, o exemplo de toda a musica feita no Brasil (e Américas) até hoje. Sem precedentes ou dúvidas na opinião, o mais difícil seria não ver os Mutantes tocar em Portugal, onde estiveram no ano passado (dezembro) no Hard Club, onde os Boogarins meses antes não só tinham tocado como gravado uma compilação/split com Cave Story ou The Sunflowers. Falo sim dos Boogarins: se existe banda que mais absorveu e mostrou-se descontentada foram os revivalistas de Goiania, uns autênticos "Mutantes" do novo século. À partida Sérgio Dias, um dos responsáveis pela nova aparição da banda no cenário, tendo orientado o grupo na gravação de dois novos discos desde a formação original (Haih... Ou Amortecedor, 2009 e Fool Metal Jack, 2013), iria tocar com Dinho Leme na bateria, um dos sobreviventes, e a encantadora Esmeria Bulari...

Havia pânico na sala

Esmeria dançava, tocava pandeireta... Quase parecia a Rita
Depois de alguns atrasos, perto das 23 horas e 40 minutos ouvia-se "Hoje eu vou sair de casa, vou levar a mala cheia de noção...", seguido de algumas faixas do último disco, começando por esse mesmo "Fool Metal Jack" e "Time And Space", o público estava "cafeínado" mas ainda despertou mais quando se cantou com fervor e saudade "Minha Menina", que já se torna num cartão de visita para ouvintes iniciantes... Tocaram coisas de '71 e do homónimo perfeito (Jardim Elétrico e Pat Macumba) mas o melhor estava guardado para o fim quando tocam "Panis At Cirsense" para deleite das, pelo menos, 100 pessoas a comparecer no Rock Club mais falado de Lisboa. Ainda diziam que 18 euros era justificável se a Rita Lee estivesse presente... No fim, deslumbrado pela sensualidade de Esmeria, puxei-a e sussurrei no seu ouvido: "Querida, eu e você numa banheira de espuma...". ela sorriu e disse "Querido, eu não sou a Rita"... Quase me enganaste.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Álbum da semana: Treehouses 2290- The Difference Between a House and a Home


À partida parecem ser mais outra banda indie de Lisboa com etiquetas inadequadas no Bandcamp, no entanto, fiéis à sua capacidade de auto-rotulagem, Treehouses 2290 são uma das bandas mais peculiares do cenário. Sem recorrer ao uso abusivo da distorção de cordas, a banda acha um equilíbrio perfeito entre o ruído e a paz sonora, numa conjugação de sons que dão maturidade e independência à banda, tudo coisas audíveis no quarto trabalho "The Difference Between a House and a Home".
 Sonoridade nebulosa e atmosférica (The Wall); Vocais etéreos capazes de encontrar ruído descomunal, por certo, dois dos três ideais do Shoegaze pré-moderno (Budapest); Padrões repetitivos, quase hipnotizantes de um sintetizador falante (deLorean). Nada disto parece datado ou repescado, talvez provenha daí a beleza das faixas, embelezadas numa manta progressiva que não deixa nenhuma delas acabar (ou começar)... A produção parece legitima, a masterização também.
 "A casa" é aquilo que os Treehouses foram, um grupo obcecado pelo ruído grátis, baterias rápidas e vocais "guinchados"... "O lar" é onde a banda descobre como converter todas essas influências em pura arte. Seja até 2290 ou num futuro ainda mais longínquo: No presente, este é o som do futuro. É para lá que a banda caminha, sozinha.

Ouçam as diferenças aqui

PEIDO ESPACIAL!!! #10: 800 GONDOMAAAAAAR!!!!


 Pois é, esta semana regressámos à pátria para fazer exames e coisas... no fundo somos aquilo a que chamam estudantes. Ora nesta aborrecida retirada do espaço encontrámos o trio maravilha 800 Gondomar. "A vossa demanda ainda não acabou, não podem parar agora" dizem eles, e com isto catapultam-nos de volta ao vazio intergalático através de Ariel Pink's Haunted Graffiti. Como nada disto se passou vejam o texto que os 800 Gondomar nos ofereceram esta semana, um verdadeiro Peido Lo-fi, para vocês, vindo do Porto.


"Não há nada melhor do que estar como se quer. Por isso: Ariel Pink. Hino do lo-fi, onde várias camadas se parecem convergir numa e é a partir dessa que precisamos de descobrir ainda mais. Sentimos mesmo o gajo, o vídeo é perfeito para qualquer altura da vida e Kátia é o nome mais romântico possível. Tem de se ouvir mais do que uma vez, tem de se ouvir atentamente, tem de se escutar a cena. Faz tudo parte dum imaginário tão premeditado e pessoal, que quando se descobre a chave para Ariel Pink, é aí que a vida começa."




Agradecimentos:
Pointlist
800 Gondomar

MontijoSound 2016

sábado, 4 de junho de 2016

Courtney Barnett e Kim Deal juntas em novo álbum das Breeders

O oitavo álbum dos norte-americanos The Breeders ( projeto secundário de Kim Deal e Tanya Donelly) está a caminho e irá contar com a participação de Courtney Barnett.
A banda anunciou no facebook a visita de Courtney Barnett ao seu estúdio em Ohio enquanto tocava no Nelsonville's Music Festival.



Anúncio de Courtney Barnett na sua página de facebook


Para acabar com as fofocas musicais lembramos que Kim Deal e Courtney Barnett haviam-se entrevistado mutuamente há um ano atrás, uma lendária conversa que podem ouvir em baixo:

sexta-feira, 3 de junho de 2016

French Sisters Experience lança curta metragem da editora

"1. Un" é a primeira compilação da French, que conta com artistas da editora tais como Tomás Gomes, Môno ou Panado

A curta foi realizada por Miguel Santos e exibe imagens de concertos de Môno no Sabotage, Miguel Gomes (Alex Chinaskee) e Luis Tojo, fundadores das irmãs francesas, a falarem dos principais ideais da editora: "Malta que não consegue gravar, oferecer estúdio... Malta que não tem concertos, oferecer concertos!(...)" explica Tojo. E "D. João" e "Charopes" de Panado como música de fundo, uma das promessas da label.

 Em abril, a editora liberta uma compilação de faixas com bandas da editora que serão apresentadas no dia 15 de Junho no Sabotage, Lisboa.

 Vejam a curta-metragem em baixo: