A música Pop feita em Portugal tem ganho contornos interessantes ao longo dos anos, daí surgem editoras cujo único interesse passa por fazer Rock sem soar a algo violento ou devoluto... Algo convencional que se interligue à mecânica simples de composição que por sua vez estabelece um caso amoroso com a melodia e consciência do conteúdo lírico exposto...
Ainda mais engraçado torna-se, ver um baixista de uma banda de Pós Punk com influencias garageiras (ou não) a tocar malhas de outras décadas (70's talvez?), sair da sua zona de conforto e revelar-se um autêntico fabricante de canções fáceis: de ouvir, de recordar, de adorar... Enfim, Pop na sua única forma possível de conceção.
Eternal Champions surge das mãos e mente instável (no sentido pro-ativo) e por sinal bastante aberta a novas sonoridades, de Pedro Zina (Cave Story), que vem dar o corpo e voz a um manifesto que à primeira vista poderá ser incompreensível aos olhos de quem o vê, mas para os ouvidos de quem a ouve, terá aqui uma das faixas mais agradáveis, Summer-friendly que podia ter surgido de qualquer artista português, se este tivesse a mesma criatividade e engenho para um fabrico desta intensidade harmoniosa e simplicidade de acordes, riffs nostálgicos que Pedro faz questão de soar num eco que nos traz de volta a uma década quimérica traduzida num lettering lo-fi de anos 90, falo de "Merry-Go Round", que Pedro submete pelo nome de Eternal Champions.
O tema, esse não foge as oscilações de qualquer relacionamento amoroso, aqui é possível captar alguma honestidade, vivida ou não, que tornam Pedro num músico sensível e capaz de transpor algo muito mais profundo e inalcançável que o seu baixo em Cave aparenta, baixo esse gravado por ele nesta faixa, tal como a guitarra, tirando a bateria do seu compatriota Ricardo Mendes (Cave Story, Leaf) e um sintetizador açucarado (Catarina Branco), que se contradiz com a acidez e alguma frustração na expressão vocal de Pedro: "Ask the questions in a way to sound not profound, Merry-Go-Round, Merry-Go-Round", contraposição essa depois confirmada pelo mesmo, sem soar maldoso ou ressabiado ele diz e repete "I'm Fine".
Eternal Champions é uma surpresa sim, mas como todas as surpresas há sempre uma incógnita: Será o embrulho mais bonito que a prenda? Mesmo se for, este single vale por muitos LP's que tenho ouvido ultimamente...
Hoje o álbum da semana vem na sequência do aniversário de Kevin Shields, que completou dia 21 de Maio 53 anos. Lembro-me da primeira vez que ouvi falar de shoegaze, estava na biblioteca municipal e aparece o Luis (Teixeira) e fala-me de My Bloody Valentine, de The Jesus and Mary Chain e No Joy, de todo o mundo a rondar o noise e os movimentos underground, do olhar para os sapatos... Pensei "quem é que queria ir ver uma banda que olhasse para os pés todo o concerto"... Cheguei a casa e ouvi Loveless todo de uma vez. Anos depois tomei a cena shoegaze um pouco mais a fundo e peguei na discografia de My Bloody Valentine. Isn't Anything foi o disco que mais me ficou na cabeça de todos eles.
O disco foi lançado em Novembro de '88, o primeiro álbum de longa duração dos irlandeses, para muitos o disco que marca o início do shoegaze. Começa com um atípico Soft As Snow (But Warm Inside), mas que já tinha a guitarra distorcida presente em todo o disco, com as vocais mais perceptíveis de todo o álbum, cantadas por Kevin Shields, onde se fala explicitamente da prática do amor, com especial destaque para o baixo de Debbie Googe. Continuamos com Lose My Breath, a minha favorita do álbum, que é no fundo uma das faixas mais melancólicas e introspetivas de My Bloody Valentine. Uma guitarra acústica ecoada, com poucos e simples acordes, mas que funciona na perfeição ao criar a atmosfera densa na qual as vocais de Bilinda Bitcher sobressaem. O refrão não passa de um simples "uuuhhh uhhh", como a banda nos habituou ao longo dos tempos, mas os versos estão carregados de um sentimento muito mais negro que o normal em MBV. Depois disso Cupid Come e (When You Wake) You're Still In A Dream, ambas com vocais de Kevin Shields e riffs ruidosos, mas perceptíveis e alegres, algo catchy, o segundo mais devastador que o primeiro. No More Sorry é aquela faixa para se ouvir deitado na cama o dia todo enquanto se chora por alguma razão. Um ambiente ruidoso completado por uma melodia extremamente pessoal para Bilinda, acerca do pai do seu filho Toby, que a maltratava - "Loved me Black and Blue".
"Ever since Isn’t Anything I had panic attacks. Toby’s dad treated me
really bad, which I’ve told about in No More Sorry. All of a sudden he
wanted joint custody and I was frightened. The hypnotic therapy made
things from my childhood resurface which explained why I had been living
with such a man. I was a nervous wreck and I realised that a lot that
happened when I was a kid shouldn’t have happened. A lot of it came out
in my lyrics. A lot of discomfort."
Segue-se o mesmo ambiente dreamy com All I Need, vocais quase num jeito spoken word, agora sim, já impercetíveis, duas notas que se repetem ao longo da faixa e apenas duas, alternando como ondas, são tantos os pedais que e impossível perceber quais são, apenas se sabe que o som é agradável, é agridoce, distorcido mas suave, uma antecipação do que há em quase todo o Loveless. Feed Me With Your Kiss vem acabar com os sonhos, o disco acorda, uma bateria demolidora mas as vocais continuam longas. Potente esta faixa, assim como Sueisfine, que será exatamente isso, uma miúda chamada Sue que está fine, ou não tão fine, já que a música se relaciona com suicídio. A energia quebra um pouco em Several Girls Galore, mas retoma o seu pico em You Never Should, o tremolo é evidente, tremolo esse que se popularizou em Loveless. Nothing Much To Lose mantém o registo das faixas anteriores e I Can See It (But I Can't Feel It) vem finalizar abruptamente o álbum. Mais uma vez temos uma canção deprimente cantada de forma alegre em algo como don't worry, está tudo bem e a vida continua, tocada com guitarra tremolo e guitarra acústica para soar bem bonitinho, cantada com frases longas e dreamy, o que resume o álbum numa só frase no fundo.
Depois de um primeiro video para "One for the dusty light", Old Jerusalem lança video para "A Charm", primeira faixa desse tão elogiado 6º trabalho do Cantautor português Francisco Silva, que compôs integralmente cada faixa, beneficiando da colaboração de músicos como Filipe Melo, ou Pedro Oliveira...
O video conta com o apoio da Antena 3 e já pode ser visto no Youtube. Vejam o video em baixo:
Lisboetas Los Waves, banda de Sunny Pop Psichadelia anunciou no facebook hoje que a banda tinha acabado: "Fazemo-lo por uma questão de integridade, e talvez já devêssemos ter feito há muito tempo..." foram estas as palavras da banda na sua página de facebook.
"I Got a Feeling" veio moldar o verão psicadélico que se viveu nesse ano, com discos de Jacco Gardner, MGMT e/ou Lonerism. A faixa foi considerada a melhor do ano na nossa Lista de 50 melhores faixas do ano e até chegámos a falar com a banda em 2014 numa entrevista onde falámos sobre o disco de estreia "This Is Los Waves So What", que também foi criticado aqui no bog com avaliações muito positivas.
Agora a banda despede-se e deixa-nos este presente de despedia, intitulado "Dreamin'". Até mais e obrigado pelos três anos de música fantástica!
A sempre jovial e burlesca Família Costa Brava têm o prazer de apresentar no Bar dos Penicheiros no dia 27 de Maio, numa sexta-feira, uma noite onde as risadas, o álcool e outros prazeres da vida nocturna são garantidas, já para não falar nos concertos de Panado, Cláudio Manuel Papel de Crocodilo (Cláudio Fernandes, PISTA) e os DJ's Costa Brava que vão animar o resto da noite mais 'marada de Maio!!
Panado
Para quê mais palavras sobre estes putos de Lisboa? Um marcante "Épê" veio a trazer um som fresco e ímpar ao novo psicadelismo tuga, tal exibição vale o voto de confiança da Família Costa Brava, que os traz para o Barreiro para re-gravarem essas faixas, sobre auxilio quase materno de Cláudio Fernandes, que também tocará nessa noite com o apelido Manuel Papel de Crocodilo, para trazer-nos canções fáceis e um Pop muito fiel à sua fórmula.
A ENTRADA É LIVRE E DEPOIS SEGUE-SE UMA CURTA VIAGEM ATÉ AO POUCA TERRA
Fomos falar com a banda do momento, os Panado, trio de Lisboa que se deixa envolver com o psicadelismo e o garage sem ter sequer construido uma ponte sobre ambas. É rock fácil. É roque felino.
MontijoSound- Estamos entre familia, lógico que vamos gozar um bocado com a vossa cara...
Lourenço- É para isso que nós cá estamos.
MS-Primeiro, alguém pode explicar a capa do vosso já extinto "Épê", aquela do Creepy Cat? Está fantástico e assustador ao mesmo tempo, quem desenhou isso? Ou foram buscar à net?
Capa de "Épê" ou Creepy Cat album, de Panado (2015)
Diogo- A capa é de um gajo chamado Louis Wain, era um pintor inglês dos anos 20/30, e ele era obcecado por gatos...
Lourenço- E esse pintor acabou por desenvolveu esquizofrenia...
Diogo- E depois devido a viver tanto tempo com gatos começou a desenvolver uma esquizofrenia...
Lourenço- Quer dizer, eu acho que ele já tinha... Aquilo é super interessante porque tu consegues ver perfeitamente a evolução da doença nas pinturas. Ele ao longo dos anos foi sempre pintando gatos, e à medida que o tempo passava, os gatos tornavam-se cada vez mais disformes. Nas primeiras pinturas são gatos normais, são pinturas mais ou menos realistas, e no fim já nem se nota que está lá um gato....
Tens de ir procurar isso, vais curtir bué...
MS- E de todas as pinturas de gatos feitas pelo Louis Wain, porque é que escolheram "aquele" gato?
Diogo- Epá, aquele gato que escolhemos, pareceu-nos o mais certo, não sei explicar...
Lourenço- Eu recordo-me de quando era puto já ter visto aquela pintura, e depois do nada, logo que começámos a tocar juntos eu lembrei-me dela, mostrei-lhes, eles curtiram, e ficou.
MS- A foto adequa-se ao vosso tipo de som que inventaram? (risos)
Lourenço- Não necessariamente, eu percebo a pergunta devido à piada do "Roque Felino"... Mas foi uma coisa mais ou menos aleatória, foi uma atração estética mais do que qualquer coisa...
Diogo- Como passou tanto tempo, e o gato estava tão associado àquelas músicas, que para nós chegou uma altura em que não fazia sentido mudar.
Lourenço- Mas isso já nem está na net. Ninguém sabe do que estamos a falar.
Diogo- Só os verdadeiros... Os verdadeiros sabem...
MS- Andam a girar rumores que os Panado em breve vão anunciar a sua metamorfose para uma boys band... quem seria o Panado mais gato? E porquê?
Diogo- Eu acho que ele (O Lourenço) tem mais a cena de ser a... (risos)
Lourenço- Ser o quê?! (risos)
Diogo- A pretty face... (risos) É que o Bernardo já está set para a vida...
Lourenço- O Bernardo já está casado. E muito bem casado diga-se, com a Maria, a nossa fantástica ilustradora...
MS- Olá Maria! (acenando para a namorada do baterista, Bernardo Moniz)
Diogo- Mas acho que entre nós os dois ele (Lourenço) tem mais a personalidade disso... (risos)
Lourenço- Personalidade e a cara, já agora.
(AHAHAHAH)
MS- É do bigode não?
Lourenço- É um bocadinho de tudo.
MS- É dos gatos.
Diogo- É dos gatos.
MS- Houve alguns concertos de panado que foram amaldiçoados pelos deuses do rock...
Lourenço- É verdade. Ou pelos diabos...
MS- ...Como o clássico incidente na Timila das meias ou o recente desastre no Lounge... Alguma história gira para partilhar?
Lourenço- Assim de repente não sei, mas temos sempre encontros muito estranhos com os técnicos de som, são todos pessoas muito "únicas"!
Bernardo- Menos o do Tokyo... O do Tokyo era um bacano.
MS- Estava muita gente no Tokyo?
Bernardo- Por acaso estava fixe aquilo..
Diogo- Ya o sitio é bue pequenino, há bué pessoal que vai lá por aquilo ser o Tokyo...
Bernardo- Curti bastante desse concerto por acaso.
MS- Como é que surgiu o convite do Cláudio para irem gravar com ele?
Lourenço- Isso foi tudo uma situação bastante caricata... (risos) Tudo começou na Bistroteca quando eles (Pista) foram lá tocar o ano passado. Depois o Ramos que é muito próximo da banda...
MS- Ah sim! O Groupie-pseudo-manager, continuem.
(Muitos Risos)
Lourenço- Acho que isso descreveu na perfeição o Ramos. (mais risos) Mas ya, o Ramos estava a organizar o evento, e eles ficaram mais ou menos amigos, o Ramos e o Cláudio...
Diogo- Porque o Cláudio é alto bacano, é super na boa...
Lourenço- Depois o Ramos mostrou as nossas cenas ao Cláudio, o "Épê" aquelas malhas gravadas no móvel ainda com o tal gato...
MS- Também achámos incrível terem gravado um EP no móvel...
Diogo- Foi mais por necessidade... Não tínhamos literalmente acesso a nada, e gravámos no telefone.
Lourenço- E além disso, nós nunca tivémos intenções de mostrar aquilo a ninguém excepto os nossos amigos... Por isso, na altura, a qualidade das gravações nem sequer era um problema.
Bernardo- Sem dúvida, foi mais numa de nós próprios podermos ouvir as malhas em casa e ver como é que soava.
MS- Uma curiosidade: O móvel estava muito longe dos instrumentos?
Bernardo- Depende... Estava no meio da sala ou em cima de um dos amps.
Lourenço- Foi um bocado por tentativa e erro. Experimentávamos uma vez e se, por exemplo, a bateria ou a guitarra estivesse demasiado alta, metíamos o telemóvel um bocado mais longe do instrumento.
Bernardo- Era a nosso única preocupação na altura.
MS- Voltando ao Cláudio...
Lourenço- Sim... Depois fomos ao concerto de apresentação do albúm dos PISTA, "Bamboleio", porque o Cláudio tinha achado piada às malhas e disse para nós passarmos por lá. E depois acabou o concerto e nós fomos lá falar com o Cláudio no final, ele todo suado disse-nos"Curti bué das vossas malhas, têm de ir lá à garagem tocar" e depois conversa levou conversa, fomos à garagem dele tocar...
Diogo- Porque o Cláudio também estava bué numa de "quero experimentar produzir alguma coisa" e por acaso fomos nós.
Lourenço- Foi basicamente juntar o útil ao agradável.
MS- Então ele usou-vos como "Lab Rats" ou assim...
Diogo- Oh não, Se alguém usou alguém fomos nós a ele.
Bernardo- Completamente...
Lourenço- Mas foi algo super espontâneo. As coisas aconteceram assim, porque tiveram de acontecer. Acho que "usar" é uma palavra infeliz. Foi tudo muito natural.
Diogo- Porque eu sinto também que nós estamos muito na mesma onda interpessoal entendes? Damo-nos todos super bem.
Lourenço- Pode não ser tão visível para outras pessoas em termos musicais mas estamos completamente na mesma página, mesmo ele como produtor, acho que nos entendemos todos muito bem.
"A nossa relação com o Cláudio desenvolveu-se de forma muito natural e espontânea, nada pareceu forçado"
MS- Sentem que estão a crescer como músicos ao gravar com artista tão conceituado e respeitado como é o Cláudio?
Falem-me dessa experiência...
Lourenço- Respondendo à tua pergunta, sim. Mas mais que isso, eu acho que estamos a crescer como músicos, mas é mais de tocar e tocar e tocar... E com os concertos que falaste há bocado, onde estão 5 pessoas, ou um amp falha a meio do concerto, temos ganho imensa bagagem.
MS- Mas ele tem muita coisa para partilhar convosco...
Diogo- Isso é totalmente verdade.
Bernardo- Ele dá-nos muitas dicas sim... Ele ajudou-nos bastante com a gravação das faixas, a lidar com as pessoas em concertos, ainda agora estávamos a falar sobre o soundcheck...
Lourenço- Ele já anda nisto há muitos anos, e devido a isso mesmo, ele se calhar olha para certas coisas de uma maneira que nós ainda não olhamos, ou não damos a mesma importância. Nós queremos é tocar, e ele é do tipo "não meus, vejam lá isto"ou "tenham cuidado com isto"...
Vitor- Porque eles andam nisto há muito mais tempo que os Pista... Eles estão nisto há muito tempo...
Bernardo- A nossa relação com ele... A grande ajuda que ele nos deu foi nessa parte da produção. Nós quando fomos para lá já tínhamos as músicas feitas.
MS- Mas sentem que têm crescido desde a última vez que vieram cá ao Montijo?
Lourenço- Claro que sim. Isto do crescer... Esta é a primeira banda de todos nós. É a primeira vez que fizemos uma música em conjunto, a primeira vez que subimos a um palco, a primeira vez que gravámos coisas mais a sério. Por isso, há medida que o tempo passa e há medida que vamos dando mais concertos, vamos crescendo um bocadinho.... Mas sim, acho que somos muito mais banda do que éramos há um par de meses atrás.
Vitor- Acho que o crescer também tem a ver bastante com o teu crescimento como pessoa. Nós somos todos muito novos, estamos em fase de transição e os gostos vão mudando, é um bocado também acharmos a nossa direcção...
Quantos mais ou menos, desde o inicio do ano?
Diogo- Uns 20 na boa.
Lourenço- 20 desde Setembro, talvez... Mas, entre Setembro e Dezembro tivemos prai uns 4 concertos, e no inicio do ano até Março não tivemos nenhum, e só depois disso é que começámos a dar concertos todas as semanas.
Bernardo- Temos tido praticamente 1 concerto todas as semanas há 2 meses prai, o que para nós era impensável há bem pouco tempo atrás (risos).
Diogo- Mas repara, desses todos não foram todos como no Tokyo. Alias, e principalmente no inicio, houve concertos onde estavam tipo 5 pessoas.
Lourenço- Completamente. Houve concertos de merda. Concertos onde o pessoal do bar se estava completamente a marimbar para ti, concertos para 5 pessoas em sítios meio escondidos, concertos em sítios sem praticamente nenhum equipamento sonoro... E, em retrospectiva, acho que isso foi muito importante para nós como banda e ajudou nos a crescer imenso.
Bernardo- Como por exemplo o da Timilia, onde estavam lá os nossos amigos todos.
Diogo- E nessa fase, mais do que agora, era mais numa de nos habituarmos a estar em cima do palco e tocar para alguém do que propriamente dar um concerto.
"Houve concertos de merda, esses foram os mais importantes e os que nos ajudaram a crescer imenso como banda"
MS- Na Timília foi precisamente, a primeira vez que tive contacto com a vossa banda. Foi pena é o dono daquilo ser meio idiota...
Lourenço- Por falar nisso! Falaste em histórias há bocado, temos alta história com ele...
MS-Querem partilhar connosco? Lourenço- Aquilo foi tudo super estranho. Eu agora a olhar para trás, aquilo parece-me um sonho meio exótico.
Bernardo- Completamente...
Lourenço- Mas resumidamente, nós estávamos a fazer o soundcheck, o Ramos estava na mesa de som, e de repente, vê o seu espaço invadido por dois adolescentes apaixonados de 50 anos. (risos)
MS-Como assim?
Lourenço- A meio do soundcheck, o dono do bar juntamente com a sua bela namorada, começaram numa sessão de marmelanço à antiga mesmo em cima da mesa de som onde estava o Ramos. (risos)
Bernardo- O Ramos estava literalmente de braço esticado para não lhes tocar, enquanto fazia o nosso som. Eles estavam os dois mesmo em cima da mesa de som a curtirem a deles. (risos)
Lourenço- Só me lembro do Ramos perplexo, a não acreditar no que estava a acontecer. (risos)
Diogo- Eu acho é que eles queriam ir jantar, e isso foi a dica. (risos)
Lourenço- Não, meu. Aquilo é um modo de vida. Ou vives no limite ou não vives. (risos)
MS- Inacreditável. Mudando de assunto, porque é que as vossas músicas tem títulos portugueses e são cantadas em inglês como o "D. João"? Nunca pensaram em cantar inteiramente em inglês ou português, porquê um ep misturado, são alguma batedeira?
Diogo- Há muito por trás disso: Quando gravámos a cena, às vezes púnhamos títulos nas músicas só para nos lembrar-mos... E o tempo foi passando e essas músicas ficaram de tal forma associadas a esses nomes, que agora para nós já não fazia sentido mudar.
Bernardo- A cena da língua, foi o que saiu na altura enquanto estávamos a fazer as músicas, o que pareceu natural.
Lourenço- Mas nunca se pensou muito nisso, nunca houve uma conversa de "agora vamos cantar em inglês" ou "agora vamos fazer uma música em português"... Mas por acaso agora sinto que estamos muito mais confortáveis a cantar em português. Inclusive, a "Charopes" que já está cá fora, é cantada em português.
Diogo- É quase como outro instrumento se tu pensares bem, imagina um cantor francês ou alemão ou seja o que for, como não entendes o que ele está a dizer então associas a sua voz há de a um instrumento.
Lourenço- E tens artistas como o Devendra ou o Rodrigo Amarante que cantam em 3/4 línguas. Esse problema só existe, se tu o criares.
MS- Há 11/10 meses prai tocaram aqui no Montijo com outro projecto.
Bernardo- Eu e o Diogo tínhamos uma cena completamente diferente, ele tocava e eu cantava...
Lourenço- E como é que se chamava? (risos)
Bernardo- "Os Benfiquistas"... (risos)
Lourenço- (risos) Não a sério, se fores procurar à net no Bandcamp ou assim, vais encontrar "Os Benfiquistas"...
MS- Isso está na net? Foi gravado como?
Bernardo- Foi no telemóvel. Para variar.
Vitor- Era eu e a voz do Bernardo, porque ele tem uma voz muito bonita, a sério...
MS-Então quando é que surgiram os Panado?
Diogo- Foi logo a seguir à Bistroteca... A cena é que nós já no conhecemos todos há muitos anos, uns 5/6. E eu andava sempre a chatear-lhes para fazermos uma banda, só que eles nunca queriam. Depois fui fazendo umas canções na guitarra, onde o Bernardo cantava por cima e demos uns 2 concertos acústicos num bar de uma amigo. Mas o meu objectivo sempre foi o de ter uma banda, nós os três.
Lourenço- Mas em relação a essa pergunta... O Diogo e o Bernardo, mesmo depois da formação d'Os Benfiquistas, andavam me sempre a chatear para ir tocar com eles e eu, não sei bem porque, mas nunca sentia que o devia fazer. Depois houve a Bistroteca, organizada por putos como nós, com concertos espectaculares mesmo à porta de nossa (antiga) casa. E não sei, isso fez-me mesmo pensar "Bora lá tocar. Bora lá fazer cenas e o resto... o resto safoda".
Diogo- Passado uma semana, começámos a tocar.
MS- Vimos um vídeo vosso em que tocaram na Fbaul (Faculdade de Belas Artes), o Vítor estava a tocar com um amp de baixo pelo que eu ouvi...
Lourenço- Não não, eu é que estava a tocar com um amp de guitarra...
Diogo- E eu tava com um mic buéda merda, tipo à Elvis Presley.(risos)
MS- Falem-me um bocado desse gig, foi literalmente o vosso primeiro , não foi?
Lourenço- Foi. E foi só espetacular.
Bernardo- A malta estava bué recetiva e estava toda a gente a dançar... Foi do caralho.
Diogo- E depois eu rompo a corda! E depois eu meto a corda bué à pressa, e a corda volta a romper-se! (risos)
Lourenço- E nós chegamos lá e afinal não há amp de baixo... Depois já muito em cima da hora, tive que pedir emprestado o único amp de guitarra que havia. Toquei com aquilo com um som horrível, o amp quase a rebentar, a pastilhar por todo o lado...
Bernardo-Mas a malta tava toda a cagar-se, estava tudo a dançar e a curtir...
Lourenço- Foi do caralho. Por tudo.
Diogo- E depois como estávamos bué do tipo "Ok, não quero saber. Baza fazer esta merda como se pode", a malta viu bué que estávamos a tentar lidar com a situação e vibrou connosco e foi mesmo memorável...
Bernardo- O ambiente acima de tudo.
MS- Foi a primeira cena que meteram na net, isso também foi logo um BOOM gigante, foi o primeiro contacto que eu tive com a vossa banda e o de muita gente, ver logo aquela malta toda naquele video...
Lourenço- Sim, como te dissemos, aquilo foi mesmo o nosso primeiro concerto.
Vítor- Ya, a cover dos Cave Story, a parte final do "Southern Hype"...
Bernardo- Foi a primeira cena que quase toda a gente ouviu nossa...
Lourenço- Mas esse concerto foi mesmo fantástico, por tudo o que aconteceu, recordamos esse dia com muita saudade...
MS- Mudando de assunto. Já pensaram inscrever-se no "Portugal Got Talent"?
Lourenço- Fora de tangas, a mãe do Diogo está lhe sempre a dizer para ele ir a esses programas...
Diogo- É verdade.
"Vimos putos como nós, a fazer algo como foi o Bistroteca, e pensámos logo: Bora fazer cenas! O resto safoda...!"... Uma semana depois, os Panado nasceram"
Posteriormente, para além de invadir a entrevista, Cláudio invade também o concerto dos Panado
Vemos, de repente, o Cláudio Fernandes a invadir a entrevista de forma mais hilariante e pragmática possível
Cláudio- GRANDA BANDA, GRANDA BANDA! Porque ninguém está a gritar comigo?
Lourenço- Cá está ele...
Cláudio- Olhem, vou só em suma explicar-vos o verdadeiro significado da vida: Não há meu... Não há.
Cláudio- Isto está a gravar?
MS- Sempre.
Cláudio- Uuuuuuhhh, um dois, um dois...(testando o microfone) Estavam a falar do quê?
Lourenço- Estávamos a falar de...
"Os Panado, são altamente!", Cláudio Fernandes sobre Panado
Cláudio- Não, mas eu não descobri os Panado a sério, os Panado descobriram-se por si... A margem de progressão... do caralho.
MS- Haverá alguma forma de rotularem o vosso som que não roque felino? Há muita coisa que me vem à cabeça quando oiço malhas vossas, conseguiam adivinhar duas ou três referências que se comparem ao vosso som?
Diogo- É Roque Felino... Por causa do gato.
Bernardo- Mas qual gato! É a nossa sonoridade, a mim bate tudo certo... (interrompido)
E mais uma vez, de repente, Cláudio Fernandes partilha connosco um pouco de sabedoria.
Cláudio Fernandes- O problema das bandas é... o problema das bandas é quererem ter significado... As bandas existem, ponto.
MS- Toda a gente quer saber, para quando o "Épê" de panado? Quando é que sai!
Lourenço- Dia 37 de Junho.
Bernardo- Não sabemos ainda... (risos)
Diogo- Temos de falar com o nosso produtor. Tudo depende dele.
Cláudio- Eu não sou produtor, eu gravo!
Lourenço- Mas está para breve... Quem sabe o amanhã?...
MS- Já abriram para Pista, vão abrir para a semana para os Sunflowers... Falta os Panado abrirem para quem?
Lourenço- Para os Sonic Youth.
Bernardo- Para os Queen também...
Cláudio- Nãaaaaaao. Os Panado vão abrir...
Cláudio- Os Panado têm de abrir para Shellac e Metz. Vocês abriam bem para os Preoccupations também. (Ex Viet Cong).
Após esta referência falamos sobre a mudança do nome dos Preoccupations , onde se destaca a intervenção do Lourenço, que diz, e passo a citar: "São uns conas."
MS-Para finalizar. Iniciativas como o MontijoSound, são importantes porquê?
Diogo- É também aquilo que já tínhamos falado sobre levar a sério o que fazes...
Lourenço- ...Independentemente dos meios. Mais ou menos como nós.
Diogo- Todas as merdas começaram com a ideia de alguém que não tinha nada, a dizer: "bora fazer isto". Toda a gente começou no mesmo sítio.
Cláudio- A vontade. A vontade de fazer cenas acho que é o mais importante., e aquilo que eu vi nestes putos é que eles tão cheios de vontade de fazer cenas, isso é altamente respeitável.
Lourenço- Acho que os Media têm um papel fundamental na música, tal como os artistas, o técnico de luz ou o booker. E para a indústria funcionar correctamente, todos nós temos que fazer o nosso trabalho da melhor maneira possível, todas as etapas têm que ter pessoas competentes. Por isso, iniciativas como vocês, são sempre bem-vindas.
MS- Mandem os vossos cumprimentos para o MontijoSound malta!
Panado(+Cláudio) em coro- Grande beijoca para o MontijoSound !
Na passada sexta feira 13 a redação experienciou o contrário do infortúnio. Se o azar é um elemento comum nas vicissitudes da vida, teremos sempre a folgança irradiante dos PISTA, que muito nos tiveram para contar num paleio que envolveu humor negro, destinos tropicais e uma verdade inexpugnável: toda a gente gosta de festa. Cláudio Fernandes, Bruno Afonso, Ernesto Vitali e Nick conversaram com o Montijo Sound e o resultado está cá fora...
MS: O que é que mudou desde a altura em que puseram os pés no Bistroteca, no ano passado? Agora há um baixo que não existia e que marcou uma evolução na banda. Como é que isso se processou? Cláudio: É uma evolução em termos de som ao vivo... o baixo já existia lá, embora não tivesse sido gravado mas pronto, ele existia. Pá, então a certa altura decidimos... "Bora usá-lo ao vivo!", até porque era uma "marca" nossa mas... quem somos nós para criar uma marca? Então decidimos começar a usar um baixo ao vivo e o problema é que é viciante... e gostamos da companhia.
MS: De onde surgem as vossas músicas? Há músicas que são apenas instrumentais, como "Ar de Inverno" e "Bamboleio"... Essas músicas nascem do vazio ou é tudo intencional?
Cláudio: Por exemplo, há montes de malhas sem voz... da mesma forma que não gravámos baixo porque a voz não cresceu com a música... A música cresceu, não tinha voz e nós não sentimos necessidade de meter uma voz porque, por exemplo, o jogo de guitarras já era suficientemente vocal. Eu pelo menos não encalho muito com a cena de ter voz. Embora, nas últimas coisas tivemos algum cuidado especial para meter voz, ou existe uma ideia de voz a priori, mas houve coisas que também surgiram de ideias de voz como a "Bamboleio", é uma cena de voz. Sentimo-nos OK em só ter guitarras a fazer essa parte vocal da canção.
MS: "Bamboleio" trouxe um concerto de apresentação com vários artistas... Porquêtrazer BRO-X?
"Porque não trazer bro-x?"- questionaram os PISTA
Cláudio: Porque no fundo, no fundo há um BRO-X em cada um de nós. Ele faz parte de nós. Já tinha acontecido no Barreiro Rocks 2013, tocarmos uma malha e achámos fixe.
MS: Falando agora outra vez do baixo, expliquem-nos a vinda do Nick. Como é que surgiu o convite para ele se juntar a vocês? Bruno: Era o único!
Inicia-se um ataque ao Nick e por fim, depois de algumas intervenções, Cláudio admite o que todos esperávamos ouvir...
Cláudio: Eu vou admitir que estava com um copinho a mais (a propósito de ter tido a ideia de convidar o Nick). Bruno: Analisando a história dos PISTA, ele já conhecia o nosso trabalho, então não foi muito difícil chegar lá e dizer assim: "Queres participar?".
MS: Quais são as vossas maioresinfluênciasa nível musical, não necessariamente para o som dos PISTA? Bruno: Sinceramente, olha, eu já nem sei o que é que me influencia. Nos últimos dois anos posso dizer que quem mais me influenciou foi o Tony Allen do Fela Kuti.
Ernesto: Aquilo que me influencia é aquilo que me toca, o que me sensibiliza, qualquer tipo de música de onde eu possa espremer alguma coisa que me toque e que ache que me diga respeito e que eu respeite também, que admire dentro de qualquer estilo musical, basicamente. Não estou a ver assim estilos musicais que eu não goste, nem que seja punk pela energia, música clássica pela subtileza... Há sempre qualquer coisa boa a retirar da música.
Nick: Quarteto Marino Marini, o primeiro disco que eu ouvi na vida, Maradona e Rodney Mullen, um skater do caraças, tem aquele vídeo "People Are Strange", com os The Doors a tocar, buéda bom.
De seguida, Nick sugere um filme sobre a modalidade skate, editado pelas marcas e realizado por Spike Jonze, dando ênfase ao clip que tem como banda sonora "People Are Strange". Depois da resposta do Cláudio, visualizámos tão aclamada obra prima.
Cláudio: Não sei, eu sempre ouvi tanta coisa... Se me perguntares hoje, eu vou-te falar em Guns N' Roses mas não... Eu era muito miúdo do grunge... cenas assim, mas ao mesmo tempo, paradoxalmente, ouvia bué Guns N' Roses, aquilo a que tinha acesso. Por exemplo, ouvia a Super FM, na altura ouvia-se aquilo que passava na rádio. Era aquilo que tu ouvias, depois, dentro disso identificavas-te com algumas coisas mais, outras menos. Mas gosto de tudo. Sei lá, gosto de música eletrónica, gosto de hip hop, gosto de todos os tipos de rock. MS: Vocês costumam dançar ao som do vosso disco ou isso é de algum modo estranho ou impensável? Nick: Eu ouvi no ginásio para apanhar as músicas.
Cláudio: Eu ouço. Eu sou fã nº1, Nós somos todos fãs nº1 de PISTA. Mas por acaso nos últimos tempos não tenho ouvido tanto quanto isso, até porque temos andado a gravar coisas novas, percebe-las, retirar ou adicionar coisas. Estamos a pensar no disco seguinte mas sim, ouvimos muito a nossa própria música.
Os restantes consentem que também ouvem..
MS: Quando ouvem o "Bamboleio" onde é que se imaginam? Faixa por faixa? Cláudio: "Ar de Inverno" é UK, tens aqui uns riffs meio britânicos mas é um UK multicultural. A "Bamboleio" é uma música pimba, na verdade pode ser ali numa terra qualquer no interior, podia ser tocada num acordeão. A "3-0" é samba, show de bola, um Brasil freak. A "Sal mão" é Mali, a "Ivone" de repente estamos em Cleveland ou assim... A "A Tal Tropical" de repente estamos no Hawaii... só porque me apetece. A "Onduras" é América Latina, podemos realmente estar em "Honduras" (se bem que isso é América Central). Na "PUXA" estamos em Angola, estamos no Vale. "Boxe Fantasma" é europeu, Bairro das Palmeiras, estamos no ginásio. "Boxe Fantasma" é um exercício, chama-se mesmo boxe fantasma em que tens que imaginar que estás a fazer boxe contra alguém. Epá, e a "Queráute"... não estás na Alemanha. Imagina que tu tinhas um bairro, como há um maioritariamente angolano ou da Guiné ou S. Tomé. Imagina, estás perto do Alentejo Litoral... Estás em Aljezur! Freaks alemães que estão em Portugal há 40 anos.
Nick: Porque o Estado paga-lhes e eles podem estar a cultivar ganza e a viver.
MS: Queremos ouvir um relato do concerto mais divertido que tiveram até agora. Cláudio (após ter perguntado aos outros): Eu acho que foi para aí o segundo, no Talk Fest, poque estávamos bem e não havia pressão.
Nick: Parecíamos uns homens!
Cláudio: Ou então no Barreiro, em junho, quando eu estava "perdido". Deve ter sido muito divertido para vocês (risos gerais). Tivémos montes de azares, eu tava muito mal mas foi bué da bom. Estávamos ali desde as três da tarde com um calor infernal mas foi ótimo, estava toda a gente on fire. MS: Conseguem percepcionar a existência de uma base de fãs/fiéis seguidores, ou nunca pensaram muito nisso? Cláudio: Sabes qual é a coisa mais interessante em relação a PISTA, na minha opinião? Não há um segmento social que eu diga "estes são os fãs de PISTA". Qualquer pessoa pode ser fã de PISTA! Os meus pais gostam de PISTA. Eu acho interessante quando consegues chegar a pessoais de segmentos sociais tão distantes. É festa! Quem é que não gosta de festa?
Nick: Desde aquela criança inglesa abandonada no Algarve, pelos pais, até pessoas mais velhas, qualquer pessoa. Cláudio: Sabes que nós temos um nickname para o saco que transporta os tripés da bateria, dos pratos? Maddie.
MS: A sério? Porque nunca sabem onde é que está? Cláudio: Não... porque é uma coisa pesada, parece que estás a transportar o corpo da Maddie. Nós chamamos o "morto", eu depois posso mostrar o que é esse saco.
MS: Como faziam se vos dessem uma oportunidade utópica e única para mostrar a vossa música em qualquer lugar e para qualquer pessoa, em Portugal? O que é que decidiam? Cláudio: Gostava de mostrar ao Rui Veloso, só para lhe mostrar o que ele perdeu ao não ter dado continuidade a sonoridade do "Baile da Paróquia". É grande malha e aquele gajo... perdeu aquilo! "Baile da Paróquia"... podia ser um tema nosso. Na boa.
Dito isto, os PISTA limitam-se a trautear o tema de Rui Veloso, o qual pode ser ouvido aqui:
Nick: Eu via-me a fazer o primeiro grande concerto no Túnel do Marão, com uma associação de claustrofóbicos.
Cláudio: Já que estamos em utopias, gostava de convidar para uma participação... o António Variações. Mostrava-lhe isto com gosto e fazíamos três, quatro, cinco, seis, sete discos...
Nick: Eu gostava de pegar no Luís Represas, nos Delfins e no Rui Veloso. Os três fizeram músicas de apoio a Timor. Gostava de pegar neles, e que fossem pedir desculpas ao povo timorense. É um povo que sofreu.
Ernesto: Eu gostava de mostrar ao Represas também... A sério.
Nisto Ernesto é atacado com piadas fortes devido a sua manifestação de simpatia para com Represas.