Ora viva! Apresentamos uma nova rubrica que junta Tinder com CDs e chamámos-lhe CD Tinder, o que na verdade provém de uma experimentação com os Galgo, que até resultou bem.
Isto funciona da seguinte forma: Temos três discos, que mostramos um a um à banda ( não pode saber quais são). Assim que mostramos o CD inicia-se uma conversa como aquele chat que se abre no Tinder quando há um match, ao que se junta também a dinâmica de um joguinho de "Fuck or Marry", isto é, os elementos da banda terão de dizer algo que aquele disco lhes puxa à memória naquele momento.
Com isto, voltamos a publicar no MontijoSound TV, o nosso querido canal de youtube, que podem ver aqui.
Por ordem, os discos são:
Tape Junk - Tape Junk
Old Jerusalem - A rose is a rose is a rose
Cave Story - Spider Tracks
Da
esq. para a dir. Pedro Pereira e Luis Teixeira de MontijoSound com os
Galgo - Miguel Figueiredo, João Figueiras, Alexandre Sousa e Joana
Batista
Agradecemos calorosamente aos Galgo por ter participado na primeira edição de CD Tinder e contribuído com a ideia para o nome da rubrica.
Mais uma semana, mais bandas emergentes a pisarem o palco TimeOut Bar - Montijo, e o nível vai ficando cada vez maior a cada semana, quem será que o Time Out vai trazer para a próxima semana? O David Bowie?
Já falámos de Sexta-feira dia 29 quando The Crying Grapes e Cruzados passaram pelo nosso bar, agora está na hora de falarmos sobre o que realmente importou esta semana, o segundo evento Rufia powered by Untutored Youth trouxe à nossa terrinha o Singer/Songwriter Alex Chinaskee e os Camponeses para apresentarem faixas do muito elogiado "Campo"... Posteriormente , viria um dos concertos mais esperados do ano no Montijo e talvez um dos melhores que já vimos acontecer desde Capitão Fausto (também no Time Out )... Venham daí saber tudo que se passou no Time Out Bar esta semana!
Alex Chinaskee
Alex apresentou-se no Time Out para apresentar os temas do seu muito elogiado "Campo", um álbum conceptual que explora desgostos de amor, loucuras ardentes, paixão de forma algo deprimente e melancólica mas de muito fácil audição, atitude essa que contrastou totalmente com o Alex que vimos em palco: irrequieto, hiperativo, hilariante por vezes, enfim, um entretainer. Não há dúvida que a atitude da banda ao vivo é muito menos melancólica comparativamente com o EP em si, o que é normal (ou então essa melancolia é expressa de outra maneira, menos intimista e mais livre), o que acontece é que quem vê Alex Chinaskee e os Camponeses ao vivo não irá resistir ao certo headbang ao reparar nos constantes delírios da banda, desde o baterista ao vocalista, passando pelo baixista e teclista.
O concerto começa com uma jam, apenas com baixo, bateria e teclado. Assim que Chinaskee entra em palco, a sonoridade funcionava como um pêndulo, que alternava entre o pranto melancólico e a fúria das guitarras, sempre com o teclado de Luís José Tojo por detrás, sem dúvida dando tudo o que têm e o que não têm em palco, mesmo com poucas pessoas a assistir.
Poderá dizer-se que essa atitude extremamente enérgica era por vezes pouco injustificada, poderia ter-se esperado algo mais intimista, o que é certo é que esta abordagem resultou sobretudo num divertido concerto, no qual as poucas pessoas que estavam no Time Out não saíram de lá sem cantar as letras de "Campo" ou ceder ao inevitável headbang.
No vídeo pode-se ver um excerto de "Loucos Sonhos" de Alex Chinaskee
Alex Chinaskee esteve irrequieto em palco do inicio ao fim
NADA ME PREPARAVA PARA O QUE IA ACONTECER, OS GALGO SÃO FINALISTAS DO VODAFONE BAND SCOUT 2015 MAS NÃO ERA ESSA ESTÉTICA QUE MAIS IMPORTAVA, O SOM COMPLEXO, AS TEXTURAS, TONALIDADES, RITMOS, PEDAIS VIBRANTES ALIADOS A CADA INSTRUMENTO MAIS SINCRONIZADO QUE OUTRO, PÕEM A BANDA NUM PEDESTAL ONDE POUCAS BANDAS ALGUMA VEZ SONHARÃO ALCANÇAR.
Galgo live set @timeoutmontijo
Óbvio que fui lá fora chamar gente. Depois do concerto de Alex Chinaskee as pessoas que estavam no bar dispersaram lá para fora para fumar ou esperar pelo próximo concerto, pensei eu... Assim que chego lá fora pergunto-me para onde foi toda a malta! Ouço uma voz que me responde "bazaram puto", era o Lourenço Dias (Panado). Precisava de encontrar gente o mais rápido possível, assim não ia fazer acontecer tudo aquilo que sonhei para este concerto, que era ir lá para cima durante o "Trauma", ainda tentei trazer uma miúda que estava lisa para dentro mas a desculpa dela foi "não posso entrar a fumar cá dentro", meu deixa o cigarro no chão e anda! "Não posso deixar a minha amiga sozinha", eu tinha uma escolha para fazer: Ficava sozinho com ela à espera que fumasse a porcaria do cigarro que ainda nem a meio ia e depois trazia-a para o concerto, ou ia a correr para o recinto responder aos gritos das baquetas da Joana? Eu corri, e foi uma das decisões mais sábias que já tomei na minha vida....
Bem, entrei disparado como um Galgo e nunca mais parei sujeitei-me a todas as vibrações que queria sentir nessa noite, nesse concerto e entreguei-me de corpo e alma a eles. O teclado existia, entre uma ou outra troca de olhar com o Alex que me notificava da existência dessas keys.
Não foram só malhas de EP5, Galgo tocaram tanta coisa inédita, o que me leva a pensar: de onde vem o génio de EP5, existe muito mais para além disso e estamos muito ansiosos pelo disco de estreia.
A festa foi rija apesar de tudo, as pessoas que lá estavam não paravam quietas um segundo, foi bacano dançar com o Miguel e o resto dos camponeses, que até conseguiram colocar-me no ar no meio de Monte Real, que é só uma das melhores coisas que ouvi este ano. Foi um concerto arrebatador, tremendo, vibrante do início ao fim. Até posso dizer que Galgo, de momento, devem ser uma das melhores bandas a tocar ao vivo. Vamos voltar a ver-nos sem dúvida, com mais gente espero, algo onde possa manifestar-me livremente sentindo o calor humano de outras pessoas que acaba por ser contagiante de certa forma, tive de aproximar-me do palco para sentir o calor que vinha dos amplificadores. A energia dos quatro era tão reconfortante, desde o baixista (Figueiras) e o segundo guitarrista (Miguel), que no fim do gig estiveram connosco a falar de cenas random como Força Suprema, já lhes dei o aviso não se preocupem. Apanhei a Joana antes do concerto muito focused nos seus auriculares e ainda hoje nos perguntamos o que estavas a ouvir meu... O Alex que é só dos gajos mais bacanos que tive oportunidade de conhecer, devíamos ter fumado aquele cigarro dentro do recinto (ahah estou a brincar). A interação começa quando o Figueiras disse que a banda leu a nossa review do EP5.
Em suma, isto é Pica-Rock, se dizem ser hipsters e ter óculos de massa e advanced pack posers e não sei que mais e ainda não ouviram estas malhas, não se considerem nada.
Galgo com a redação MS: Pedro Pereira (MS), Luis Teixeira (MS), Miguel
Figueiredo, João Figueiras, Alexandre Sousa e Joana Batista
29 de Abril foi dia de tocarem no TimeOut Bar duas bandas que têm atingido alguma relevância no circuito rock/metal na Margem Sul: The Crying Grapes (feedback productions) e os Cruzados. Estava uma lotação agradável, casa com cerca de 60 pessoas, o que para o Montijo, com outros dois concertos a acontecer em simultâneo é notável, por si só.
Entrei no bar, tinham começado a tocar os Crying Grapes e notava-se o público algo tímido apesar das iniciativas da banda para que este correspondesse. Com o tempo começou-se a sentir aquele ambiente trasher no ar, os "Grapes" estavam a dar um ótimo concerto, talvez dos melhores que já deram até à data. Tentavam a todo o custo mandar a casa a baixo, o público ia-se libertando, abrindo caminho para que os Cruzados pudessem dominar a audiência com a energia e pujança com que é normal encararem os seus shows.
The Crying Grapes @TimeOut Bar - Montijo
Os Cruzados apresentaram-se no TimeOut Bar com a mesma formação de sempre: (Luis Pedro na bateria, Rui Santiago na guitarra solo, Guilherme Coelho na guitarra ritmo, Duarte Faria no baixo e Rúben Xavier nos vocais), tocaram originais e algumas covers no meio, para entreter as dezenas de pessoas que estavam lá nessa noite para ver os participantes do Portugal Got Talent ao vivo. Ficamos a aguardar um trabalho de estreia e estamos ansiosos pelo regresso às nossas terras aldeanas.
Cruzados @TimeOut Bar - Montijo. A foto é da Ana Martins
Esta semana a nossa tripulação avistou o sistema Kepler 58, também conhecido como "Barreiro do espaço" (não acreditem em nada do que dizemos). Aterrámos no planeta com a atmosfera mais densa e carregada de rock e interrompemos as gravações das malhas de Panado para que Cláudio Fernandes nos "puxasse" o seu especial traque tropical e pudéssemos prosseguir a demanda.
" Acho que foi aqui que tudo começou, e como hoje me apetece falar de inícios, aqui vai. Lembro-me perfeitamente de ouvir isto pela primeira vez em casa de um amigo, para onde íamos quando nos baldávamos às aulas. O padrasto tinha alta coleção de discos (montes de coisas da Sub Pop) e este era um deles. O início, aquele baixo meu! O feedback! Pum, "o que isto?!" - devo ter perguntado, boquiaberto. Depois disto, tudo muda. Todo um novo mundo surge. Hoje em dia prefiro ouvir versões ao vivo, mas na altura foi esta que bateu. A sonoridade era perfeita, mesmo com o solo meio cheesy e a bateria quase desengonçada do Chad Channing. E no final: "you could do anything". Pois é."
E já agora, Pista estão no TimeOut Bar - Montijo dia 13 com Panado a abrir!
Agradecimentos
Cláudio Fernandes
Pista
Raquel Lains
TimeOut Bar - Montijo
MontijoSound 2016
João Alves nem seria o membro mais vistoso de Hércules, pequena banda de Lisboa sem temas gravados mas com um breve "cameo" referente ao Vodafone Band Scout deste ano (os incríveis Galgo como runner-ups). Banda essa onde João habitua-se a tocar teclado. A vida tem destas coisas não é? Quem diria que o membro menos vistoso seria também o mais entusiasmante de todos, o mais misterioso...
Odyssey Os Argonautas é o nome do projeto onde João Alves insiste em gravar cada instrumento sozinho, remasterizar, enfim, produzir um trabalho inteiro, para afirmar-se como multi-instrumentista talentoso e incrivelmente sábio, é que sem fugir da mitologia grega, Odyssey foge totalmente ao som de Hércules como se ambos tivessem num campo de batalha, sendo que Odyssey ganha pontos ao pai (Hércules) por ter um som definido, algo que a banda-mãe ainda batalha para conseguir (e a saída do baterista em nada ajuda).
Com um som ambiente jibóia-lead, carregado de mantras mitológicos e ancestrais, um "Beat Dance" incrivelmente solarento Sahara-struggle, João segue a sua embarcação de Argo rumo a esse Cabinet of curiosities e aparentemente incógnitas, que nos deixam com sede de mais música temática desta beleza e simplicidade.
"Month of May" é uma lufada de ar fresco no nostálgico "The Suburbs". Posicionada a meio do alinhamento do álbum, a despertar o ouvinte de uma maneira frenética e motivadora, esta faixa é também um "abre-olhos": não fosse a sua mensagem contra a inércia tão forte. É aqui que os Arcade Fire se despegam, por 3:50 minutos, do registo indie e do pop barroco. Rock'n'Roll é a alavanca agitadora que acompanha a voz de Will Butler e que nos inspira para uma silly dancing. "Month of May", apesar de single, não teve arrumação digna no espólio do maravilhoso universo galático que é o Hype.
Vejamos, maio é um mês de expectativas (antecipa o verão e por sua vez os projetos idealizados para o mesmo) e também de tensão (principalmente para os estudantes que estão na reta final).
"May", na língua inglesa, é também usado para expressar uma permissão, uma possibilidade ou um desejo. A componente lírica desta música evoca aquilo tudo que idealizamos e que ainda tencionamos pôr em prática... e qualquer sonho cobra a libertação de algumas "amarras".
Dissequei esta canção através de uma vertente mais pessoal, mas tal não foi em vão até porque baseei-me no contexto em que o MontijoSound está a viver. Somos uma família dentro e fora deste projeto, temos cada vez mais responsabilidades e sonhamos alto... com plena consciência que o tempo não dá abébias e que maio será o mês das mudanças.
"Estas duas músicas são o inicio de uma odisseia que começa agora", refere João Alves (teclista dos Hércules) na apresentação do seu novo projeto a solo.
Odyssey Os Argonautas apresenta-se no bandcamp através de duas faixas inteiramente gravadas, tocadas e mixadas pelo artista, o que resulta em várias camadas de instrumentos nas quais sobressaem melodias de teclado inspiradas em terrenos áridos, climas quentes, contornados por uma por uma percussão colocada exatamente nos sítios certos e linhas de acompanhamento interessantíssimas, salientando a instrução mais clássica do músico. Este será sem dúvida um projeto do qual iremos ouvir falar muito nos próximos tempos, quer a níveis de live acts, que devem estar para breve, quer ao nível de novos lançamentos (aguarda-se álbum para o finais de 2016). Ouçam "Desert" e "BeatDance" de Odyssey Os Argonautas no bandcamp.