segunda-feira, 2 de maio de 2016

PEIDO ESPACIAL!!! #5 - Cláudio Fernandes (Pista!!!)


Esta semana a nossa tripulação avistou o sistema Kepler 58, também conhecido como "Barreiro do espaço" (não acreditem em nada do que dizemos). Aterrámos no planeta com a atmosfera mais densa e carregada de rock e interrompemos as gravações das malhas de Panado para que Cláudio Fernandes nos "puxasse" o seu especial traque tropical e pudéssemos prosseguir a demanda.



" Acho que foi aqui que tudo começou, e como hoje me apetece falar de inícios, aqui vai. Lembro-me perfeitamente de ouvir isto pela primeira vez em casa de um amigo, para onde íamos quando nos baldávamos às aulas. O padrasto tinha alta coleção de discos (montes de coisas da Sub Pop) e este era um deles. O início, aquele baixo meu! O feedback! Pum, "o que isto?!" - devo ter perguntado, boquiaberto. Depois disto, tudo muda. Todo um novo mundo surge. Hoje em dia prefiro ouvir versões ao vivo, mas na altura foi esta que bateu. A sonoridade era perfeita, mesmo com o solo meio cheesy e a bateria quase desengonçada do Chad Channing. E no final: "you could do anything". Pois é."



E já agora, Pista estão no TimeOut Bar - Montijo dia 13 com Panado a abrir!

Agradecimentos
Cláudio Fernandes
Pista
Raquel Lains
TimeOut Bar - Montijo
MontijoSound 2016

Álbum da semana: Odyssey Os Argonautas

João Alves nem seria o membro mais vistoso de Hércules, pequena banda de Lisboa sem temas gravados mas com um breve "cameo" referente ao Vodafone Band Scout deste ano (os incríveis Galgo como runner-ups). Banda essa onde João habitua-se a tocar teclado. A vida tem destas coisas não é? Quem diria que o membro menos vistoso seria também o mais entusiasmante de todos, o mais misterioso...
 Odyssey Os Argonautas é o nome do projeto onde João Alves insiste em gravar cada instrumento sozinho, remasterizar, enfim,  produzir um trabalho inteiro, para afirmar-se como multi-instrumentista talentoso e incrivelmente sábio, é que sem fugir da mitologia grega, Odyssey foge totalmente ao som de Hércules como se ambos tivessem num campo de batalha, sendo que Odyssey ganha pontos ao pai (Hércules) por ter um som definido, algo que a banda-mãe ainda batalha para conseguir (e a saída do baterista em nada ajuda).
 Com um som ambiente jibóia-lead, carregado de mantras mitológicos e ancestrais, um "Beat Dance" incrivelmente solarento Sahara-struggle, João segue a sua embarcação de Argo rumo a esse Cabinet of curiosities e aparentemente incógnitas, que nos deixam com sede de mais música temática desta beleza e simplicidade.

Ouçam Odisseia os argonautas aqui

domingo, 1 de maio de 2016

Faixa da semana: Arcade Fire - Month Of May



"Month of May" é uma lufada de ar fresco no nostálgico "The Suburbs". Posicionada a meio do alinhamento do álbum, a despertar o ouvinte de uma maneira frenética e motivadora, esta faixa é também um "abre-olhos": não fosse a sua mensagem contra a inércia tão forte. É aqui que os Arcade Fire se despegam, por 3:50 minutos, do registo indie e do pop barroco. Rock'n'Roll é a alavanca agitadora que acompanha a voz de Will Butler e que nos inspira para uma silly dancing. "Month of May", apesar de single, não teve arrumação digna no espólio do maravilhoso universo galático que é o Hype.

Vejamos, maio é um mês de expectativas (antecipa o verão e por sua vez os projetos idealizados para o mesmo) e também de tensão (principalmente para os estudantes que estão na reta final).
"May", na língua inglesa, é também usado para expressar uma permissão, uma possibilidade ou um desejo. A componente lírica desta música evoca aquilo tudo que idealizamos e que ainda tencionamos pôr em prática... e qualquer sonho cobra a libertação de algumas "amarras".
Dissequei esta canção através de uma vertente mais pessoal, mas tal não foi em vão até porque baseei-me no contexto em que o MontijoSound está a viver. Somos uma família dentro e fora deste projeto, temos cada vez mais responsabilidades e sonhamos alto... com plena consciência que o tempo não dá abébias e que maio será o mês das mudanças.


Odyssey Os Argonautas é o novo projeto a solo de João Alves

"Estas duas músicas são o inicio de uma odisseia que começa agora", refere João Alves (teclista dos Hércules) na apresentação do seu novo projeto a solo. 

 


Odyssey Os Argonautas apresenta-se no bandcamp através de duas faixas inteiramente gravadas, tocadas e mixadas pelo artista, o que resulta em várias camadas de instrumentos nas quais sobressaem melodias de teclado inspiradas em terrenos áridos, climas quentes, contornados por uma por uma percussão colocada exatamente nos sítios certos e linhas de acompanhamento interessantíssimas, salientando a instrução mais clássica do músico. Este será sem dúvida um projeto do qual iremos ouvir falar muito nos próximos tempos, quer a níveis de live acts, que devem estar para breve, quer ao nível de novos lançamentos (aguarda-se álbum para o finais de 2016). 

Ouçam "Desert" e "BeatDance" de Odyssey Os Argonautas no bandcamp.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Time Out Pré Sessions

Quinta-feira é dia de novas atualizações no bar onde tudo se passa,  o Time Out Montijo óbvio.  Na semana passada fomos presenteados com um dos concertos mais emblemáticos que o bar alguma vez terá o prazer de anfitriar,  concerto que será recordado por muitos e muitos anos. Mais um fim-de-semana,  mais história para ser escrita, vamos então descobrir a música que o Time Out tem para oferecer ao Montijo:

Sexta-Feira, dia 29 de Abril


The Crying Grapes (Feedback)


Abrigados pelo selo da Feedback Productions (Montijo), Vitor dos Santos (Vocais/Guitarra), Ricardo Lopes (Guitarra), Filipe Peuch (Baixo)  e Hélder Fraústo são um quarteto ruidoso e incrivelmente eclético que não deixam ninguém estar parado durante as suas muito elogiadas live sets. Já participaram em diversos concursos de bandas e neste momento concorrem ao EDP Live Bands. Trazem na bagagem um primeiro EP de 6 faixas intitulado "Sinceramente", temas que serão apresentados esta sexta-feira no Time Out Montijo.

Facebook oficial The Crying Grapes
Ouçam aqui "Sinceramente" de The Crying Grapes


Quinteto já tem vindo a colecionar alguns feitos notáveis, como vencer a edição 2016 do Let's Rock no Barreiro,  onde as bandas tocaram em pleno Fórum Barreiro, e uma aparição digamos eficaz no programa de televisão "Portugal Got Talent", vão poder esclarecer as vossas dúvidas esta sexta-feira no Time Out a partir das 22 horas da noite!

Página de facebook dos Cruzados

Sábado, dia 30 de Abril

Alex Chinaskee (French Sisters Experience records) 
Músico faz a ponte entre a melodia e a composição, criando músicas de fácil associação e colagem auditiva rápida. Daí resulta um Pop intimista e único na própria exploração da palavra, onde Alex procura através da sua road band que lhe acompanha nos concertos, inventar maneiras unicas de fundir os mais diversos géneros numa só bola de neve, banda essa chamada os Camponeses.
 Prova viva do talento e virtuosismo de Alex está bem saliente em "Campo ", EP de estreia que põe Alex na rota de um dos artistas contemporâneos mais talentosos da nova geração de singers/songwriters.  Essas faixas e outras mais poderão ser escutadas na íntegra a partir das 11 horas da noite.

Facebook de Alex Chinaskee
Ouçam aqui "Campo" na íntegra

Galgo
Incontornáveis vencedores do Vodafone Band Scout 2015. Usam um fato math/rock com calças psicadélicas,  gravata experimental/progressiva e um laço eletrónico (por vezes) dissonante. Dessa indumentária resulta algo extravagante e muito difícil de definir, o diferente torna a banda numa das mais belas e mais respeitadas promessas da cena indie portuguesa, tudo isso exposto em EP5, trabalho de estreia (4 faixas), incluindo o já clássico trauma de lagartixa ou monte real,  para conferir tudo a partir da meia noite no Time Out Montijo.

Facebook de Galgo
Ouçam aqui EP5 de Galgo

 A entrada é 3$
Time Out Sessions (Pré Sessions de 29 e 30 de Abril) 
Agradecimentos:
Time Out Bar Montijo
MontijoSound 2016



quinta-feira, 28 de abril de 2016

Pedro Zina tem projeto a solo

Pedro Zina, baixista dos Cave Story anunciou hoje o seu novo projeto a solo. Eternal Champions é assim o nome do projeto,  que de resto já tem concerto de estreia marcado, para a Spring Toast Party III,  onde tocará ele e a sua banda com Blank Tapes e Mighty Sands.
 De resto Pedro também anunciou no Facebook de Eternal Champions que irá libertar uma faixa esta sexta-feira.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Entrevista aos Capitão Fausto:



Corremos mais rápido que gazelas, deixámos esse sol cair e contámos os nossos dias só para falar com uma banda de Lisboa chamada Capitão Fausto. Falámos sobre nihilismo, criaturas híbridas, máquinas do tempo e Harry Potter. Leiam a entrevista que fez El Salvador lacrimejar a rir e a banda a revisitar melodias que por ficaram por utilizar.

MS - Esta é uma pergunta para todos, particularmente para o Francisco. Vocês puxaram um vídeo há duas ou três semanas, e Francisco, tu estavas bué revoltado naquele vídeo… (risos)

Francisco Ferreira - Tava e não tava… Foi uma brincadeira!

MS - Mas o que é que vos levou a publicar aquilo?

Francisco Ferreira - Achámos piada, tava só a ser parvo! Nos ensaios tou a brincar e nós tínhamos imensos vídeos para promover o disco e esse era um muito estúpido… Depois tínhamos outros igualmente parvos mas esse acabou por ser mais parvo que os outros.


MS - Com o estatuto que vocês já alcançaram com os Capitão Fausto, já pensaram mudar o vosso nome para Almirante Fausto?

Francisco Ferreira - Não é a primeira vez, perguntaram isso para aí há dois dias! Perguntaram-nos se não devíamos ser Major e eu não não não. Achas que devíamos ser Almirante? (dirigindo-se aos colegas).
Segue-se uma discussão sobre os títulos da hierarquia militar, em que Domingos Coimbra revela que o seu pai foi Alferes e que tinha trinta soldados à sua disposição na qual Francisco Ferreira revela que, em criança, chamava Power Ranger ao avô em virtude do seu título militar.


MS -  Dizem por aí que neste terceiro disco saíram das saias da mãe. Resumindo em apenas uma frase, qual seria a mensagem principal deste vosso eterno retorno?

Francisco Ferreira - Aí vou discordar… Vá, eterno pode ser.

Tomás Wallenstein - Eu percebo porque é que é eterno, é eternizar um retorno.

Francisco Ferreira - Mas “retorno” parece que vieste de um fim quase eminente…

Tomás Wallenstein - Não, nem sequer é um reinício, é um capítulo. Não sei se há propriamente mensagem, acho que somos mais nós a pensar por nós próprios como é que vamos fazer a partir de agora. Acho que o disco é um bocadinho uma reflexão… Parámos para pensar e olhar para trás e fazer uma síntese… Vamos ver como é que vamos fazer a partir de agora.


MS - Como é que sabe esgotar o Lux duas vezes seguidas?

Capitão Fausto - É porreiro!

Domingos Coimbra - O que seria se nós disséssemos que não sabe muito bem…

Manuel Palha - Ficámos contentes e se já esgotar um era bom, esgotar dois é ainda melhor! Três e quatro também seria melhor.


MS - Dezassete já não é bom?

Domingos Coimbra - Dezassete já é demais. Já é a utilidade marginal decrescente.


MS - Após esta mudança, sentiram também uma mudança geral por parte do vosso público?

Tomás Wallenstein - Ainda não conseguimos tatear muito bem.

Francisco Ferreira - É o segundo concerto que estamos a dar com o disco, hoje, então ainda não temos dados suficientes.

Domingos Coimbra - Eu sei, por exemplo, que algumas pessoas mais velhas do que eu têm-me dito que gostaram mais deste disco do que dos outros mas isso não é propriamente representativo da amostra total. Mas algumas pessoas mais velhas, ou seja, quarenta, cinquenta anos, sessenta… têm gostado muito do disco. E se calhar dos outros podem não ter gostado tanto, não sei muito bem mas tenho tido algum feedback positivo.


MS - Vamos falar desse disco. Então quais foram os maiores desafios na concepção de “Capitão Fausto Têm Os Dias Contados”?

Domingos Coimbra - O que custa mais para nós é a primeira música, a primeira ideia, é o que demora mais tempo a arrancar. O arranque é o mais complicado, o maior desafio, porque a partir do momento em que se consegue fazer ou uma ideia, duas ou três, depois já percebemos rapidamente para onde é que queremos começar a caminhar. O grande desafio é sempre começar.


MS- Mas por exemplo, vocês têm linhas melódicas mais complexas e acrescentaram mais instrumentos neste disco. Consideram isso um desafio ou surgiu naturalmente?

Domingos Coimbra - Essas coisas saem-nos naturalmente. O disco não é melhor, pior ou muito diferente pelo número de instrumentos que tem.

Francisco Ferreira - Foi mais pelo prazer do que pelo desafio de fazer essa construção toda, enquanto que o outro disco tem uma exploração mais sónica este tem uma exploração mais melódica. Mas isso não foi um desafio, deu-nos mais prazer.

Tomás Wallenstein - Se há algum desafio é de facto a escolha inicial… nem sequer é muito temático mas um bocado “O que é que vai unir as músicas todas?” e qual é que vai ser a estética. No fundo, a estética é aquilo que tu pareces, o que nós escolhemos parecer para agora. Acho que, ao princípio, é o que demora mais tempo a sair.


MS - Este disco tem uma aura mais nihilista. Estavam a conter esse lado?

Tomás Wallenstein - Não me estava a conter muito, acho que é atual. Eu senti que quando escrevi para os outros discos estava também a tentar ser o mais honesto possível e fiz algumas escolhas de ferramentas que nestas já percebi quais é que gostei mais e menos e o que é que me apeteceu trabalhar mais ou menos e mudar. No fundo acho que a intenção sempre foi parecida, não andava a conter para sair agora.


MS - Quem é o mais nihilista do grupo e como é que isso se reflete no dia-a-dia?
(todos concordam que é o Francisco Ferreira)

Francisco Ferreira - Sou muito. Não sei, entristece-me um bocado aperceber-me disso (risos).

MS - Não é uma coisa necessariamente má…

Francisco Ferreira - Eu lembro-me que na altura em que estava na faculdade tinha um desejo um bocado mórbido de fazer trabalhos à volta do nihilismo. Sempre que tinha um trabalho teórico que tivesse que associar a um pensamento associava sempre ao nihilismo e acho que isso reflete-se um bocado em mim. Obrigado malta, por me elegerem o nihilista do grupo (diz aos restantes).


MS - Numa fase da vossa vida em que Alvalade já chamou por vocês e que já padecem do peso das contas para pagar, também há que investir. Até ao fim do ano, que sonhos a nível profissional podem partilhar connosco? Ou mais utópicos?

Domingos Coimbra - No meu caso, ser bilionário. Até ao final do ano. Eu acho que é realista. Vocês não acham?

Tomás Wallenstein - Ah, completamente.

Domingos Coimbra - Daqui a seis mesinhos estamos nas Caraíbas.

De seguida, disparam bitaites que justificam esse enriquecimento exponencial, num imaginário que envolve a banda a ser comprada ora por chineses, ora por um “Abramovich da música”.


MS - Quando forem bilionários, vão começar a ouvir Força Suprema?

Momento de ligeira satirização aos Força Suprema, grupo oldschool de rap de bairro. "Quem são esses?" questiona-se Tomás;  "Isso é algum tipo de movimento ou banda ou assim? Isso é uma editora? Fica onde?” brinca Manuel Palha.


MS - Se tivessem uma máquina do tempo que vos permitisse regressar para a fase do "Gazela", o que é que diriam a vocês mesmos?
Os Capitão Fausto exclamam um “haaaam” em uníssono e tentam chegar a uma resposta comum, “uma maneira mais realista de transformar a ficção em ciência”, diz Francisco Ferreira. “Se fosse mesmo em ciência, o que aconteceria era que qualquer coisa que disséssemos a nós ia alterar os factos do percurso que nos fez chegar até aqui, e como eu estou a gostar de estar cá…”.

Tomás Wallenstein - Para sistematizar, se fosse agora para fazer o Gazela, provavelmente teríamos feito de uma maneira diferente. Mas na altura acho que fizemos aquilo que pudemos, não havia grande coisa a mudar. Eu acho que uma pessoa não faz exatamente o que quer, tenta fazer o que quer, mas faz o que pode. Porque está limitado com as capacidades, com as ferramentas, com o conhecimento.

Domingos Coimbra - Eu acho que se o meu Eu do passado visse o meu Eu do futuro ficava um bocado triste e assustado porque estou muito mais gordo e com pior cara.

Recordam os vídeos do Manuel, da fase do Gazela e desabafam que estavam todos com um ar mais fresquinho e com uma cara mais limpa. Como vos compreendemos…


MS - Como é que o Gazela podia ficar melhor, não consigo ver como, sinceramente…

Tomás Wallenstein -  Se calhar, com outro conhecimento, tínhamos gravado aquilo de uma maneira diferente. Acho que era assim a principal coisa que eu ia atacar logo.

Domingos Coimbra - Aquilo é um bocado a coisa do momento e o álbum seguinte é a coisa daquele momento e este aqui foi o deste momento. Não há grande coisa a controlar.

Francisco Ferreira - Fiquem bem ou mal, o melhor é deixá-las estar, para depois aprendermos com elas.


MS - Como lidam com os comentários negativos, depreciativos e de teor não-construtivo referentes ao novo álbum?

Francisco Ferreira - O pior são os não-construtivos. Agora depreciativos...


MS - Sim, fiquemo-nos pelos não-construtivos.

Francisco Ferreira - A opinião que tenho para os comentários não-construtivos é a mesma que tenho para os comentários positivos. Vou falar de uma experiência muito recente. Ainda há pouco tempo li uma crítica ao nosso disco, um parágrafo curto ou dois e isso era uma das razões por não ser muito construtivo. Era supostamente uma crítica, dava uma pontuação e falava muito bem sobre o nosso disco mas não construía nada o porquê de gostar do disco e isso não me deu prazer nenhum, eu não retirei muito de ler esse texto. Tenho exatamente a mesma opinião para as críticas depreciativas em que não gostam das coisas, porque se não for construtivo...

Tomás Wallenstein - E mesmo quando é construtivo é natural haver pessoas que não gostam!

Francisco Ferreira - Dá-me gozo ler uma crítica de alguém que não goste e que se for muito bem construída...

Tomás Wallenstein - Isso dá argumentos às pessoas que gostam. As pessoas gostam por certas razões e as pessoas que não gostam têm as suas razões para não gostar. E o facto das pessoas que gostam também gostarem tanto é por aquilo causar discussão. É natural, eu não gostava que toda a gente gostasse.


MS - Como é que convenciam, apenas com palavras, um puto da escola básica a gostar do vosso trabalho? 
A banda consente que não entraria em palavras e ainda discute como é que poderia ser feita a abordagem.

Domingos Coimbra - Mekié meu puto? Vais aí ao YouTube e pesquisas Capitão Fausto, e ele ia ouvir.

Francisco Ferreira - Acho que não nos cabe a nós estar a fazer uma apresentação ou até um incentivo positivo promocional da nossa banda, não nos cabe a nós.

Tomás Wallenstein - O que nós fazemos é mostrar só. Se às vezes, em algumas entrevistas perguntam-nos para nós nos analisarmos, estão a pedir para termos um olhar analítico e isso quase se torna em como se nós nos tivéssemos a vender a nós próprios. Acho que não nos cabe a nós estar a vender essa parte.

Francisco Ferreira - Não é justo porque nós, à partida, vamos sempre gostar.

Tomás Wallenstein - Nós apresentamos a coisa de uma maneira passiva e quem gostar gosta, quem não gostar, não gosta. Se o miúdo fosse gostar, à partida não precisava de ser convencido a gostar... Mesmo uma criança.


MS- Voltando então a uma das perguntas anteriores, se tivessem uma máquina do tempo que vos permitisse voltar à fase do Gazela... 
Deu-se um break no alinhamento das questões, visto que um membro do Montijo Sound decidiu trollar (ele diz que não), e repetir uma questão outrora feita. As gargalhadas servem de arranque para a descoberta de ideias mais firmes:

Manuel Palha - Eu tentava evitar, quanto muito ia ver coisas que não tinha visto. Eu fazia como no Harry Potter, com o vira-tempo, eles não podem interferir no tempo.


MS - Mas há o Pensatório e o Vira-tempo. O Pensatório ainda é melhor porque não há influência na ordem das coisas

Manuel Palha - Eu ficava ali mesmo a ver e a dizer "epá que fixe" e ia-me embora.

Domingos Coimbra - "Pá, dá-lhe aí meu puto!"

Manuel Palha - Mas dizia de longe, tipo "força, dá-lhe aí!".


MS - Imaginem uma personificação do vosso álbum, tudo aquilo que escreveram e compuseram é agora um ser humano. Se lhes fosse feita a clássica questão "o que é que dizem os teus olhos?" o que é que acham que este ser, o vosso filho, responderia?

Francisco Ferreira - Eu tou a imaginar um ser humano careca, com os olhos sem cor...

Todos concordam que diria uma espécie de charada: "Se eu sou tu, quem sou eu?"

Francisco Ferreira - Eu acho que ia ser muito enigmático. Tal como a forma dele, acho que ia ser um ser sem forma, sem conseguires definir muito bem como é que ele seria, não ser humano mas bué pálido e sem pêlos nenhuns... Com um ar básico, muito humano e quase sem forma. Não percebes a raça dele (risos), claramente humanóide.


MS- O vosso som é uma coisa introspetiva, então? (tendo em conta que os Capitão Fausto classificaram a anterior charada como instrospetiva)

Concordam em uníssono e desenrola-se uma discussão cuja conclusão é a de que não falam de temas em específico senão deles próprios.


MS- Como é que acham que iniciativas como o Montijo Sound pode ajudar bandas pequenas, que estão agora a começar, a tornar-se Capitães?

Francisco Ferreira - Pá, qualquer promoção que se faça de qualquer banda, seja pequena ou grande, é ótima! Nós fazemos um bocado disso também, nós tentamos falar com o máximo nº de pessoas possíveis... Tanto quando começámos, como agora! E se algum sítio tem disposição de pegar em bandas menos conhecidas e o faça numa base diária... é muito mais que positivo.

Tomás Wallenstein - Eu acho que também tem a ver com o tipo de entrevistas que se fazem e eu até achei que vocês fizeram uma entrevista bastante interessante. Regra geral, muita gente que tem um blog depois não chega a ter ideias para ter uma conversa qualquer e não é preciso levar-se muito a sério e acho que para ser lido tem que ter o mínimo interesse, não pode ser daquelas perguntas de bê-á-bá e apoiamos, acho que é importante. Até para as bandas que estão a começar, para sentirem que as pessoas interessam-se pelo que elas pensam... também as faz questionar-se a si próprias. Portanto acho que são iniciativas muito boas... e desejo muita sorte. 

MS- Qual foi a faixa que vos deu mais prazer gravar e produzir? Vamos ouvir cada um, a começar pelo Francisco.

Francisco Ferreira - Para mim, muda de dia para dia. Porque eu, a certa altura, lembro-me duma música, o prazer que ela me deu e fico a pensar um tempo nisso durante algum tempo "Ya, isto foi buéda fixe de gravar" mas depois passa-se uma semana "ah, de facto esta foi bué fixe de se gravar, também". É uma coisa muito transitória, acho que é impossível ter uma resposta eterna. Acho que está ligado com a música que gostamos mais do disco, do meu ponto de vista é uma coisa que está sempre a mudar.

Domingos Coimbra - A que me deu mais prazer de fazer e gravar (não é necessariamente a que eu mais gosto mais) foi "Os Dias Contados", porque foi a música que passou por mais fases e teve mais vezes para não ser aproveitada e eu sempre acreditei que aquilo podia dar em alguma coisa e acabou por dar. 

Manuel Palha - Eu também concordo... Nós sempre fomos da mesma opinião (risos gerais).

Tomás Wallenstein - A que me deu mais prazer foi a "Amanhã Tou Melhor" que não é de todo das minhas preferidas mas das que deu mais voltas.

Francisco Ferreira - Eu gosto de especificar que isto aqui que nós estamos a falar não é bem da gravação, que ocupa um curto espaço de tempo. O gravar é o fim de todo o trabalho que já foi feito.


MS - Como é que funciona esse processo de composição?

Francisco Ferreira - Todos juntos os cinco, depois o Tomás faz a letra, a melodia e a voz,.. Debatemos, mas fazer o instrumental, fazemos os cinco.
Atenção que este disco foi uma estreia para nós em termos de letra em papel... temos partes de disco escritas mesmo em pauta, nunca tínhamos.

Segue-se uma breve explicação: a banda contratou músicos profissionais que chegaram ao local de gravação, leram as pautas e gravaram.

Salvador Seabra- Concordo um bocado com eles, a "Amanhã Tou Melhor" levou umas voltas muito engraçadas. Desse disco, talvez, essa foi a mais desafiante,

A banda discute as alterações da música até esta ter o seu resultado final e deixaram-nos com a seguinte mensagem:


"Shout Out para o Montijo Sound, por nos terem recebido e por nos terem dado alta entrevista, divertimo-nos bué!"


 Prezados agradecimentos:
Capitão Fausto
TimeOut Bar
Raquel Lains
 MontijoSound 2016