quinta-feira, 17 de março de 2016

Janrik disponibiliza "Músicas para ouvir com fones" no Bandcamp

A um dia do aguardado concerto de apresentação de Janrik no EKA Palace, o artista disponibiliza "Músicas para ouvir com fones" na sua página de Bandcamp. Este é um conjunto de duas faixas: "10/02/16" e "23/02/16", que reflectem enormes mudanças naquilo que é o som de Janrik , o que dificulta a previsão daquilo que será a noite de amanhã e aumenta enormemente a expectativa!

Músicas para ouvir com fones de Janrik

Escutando as faixas "com fones", ouvem-se drones que se intercalam aqui e ali, quer com sintetizadores, vozes ou sons captados do próprio ambiente físico, com a total abstinência de letras ou algo que se pareça. Abraça um estilo muito mais ambiente, despegado da guitarra acústica, dos ritmos e melodias de ode (embora se captem ritmos nas duas faixas e existam fios melódicos perceptíveis, principalmente no que toca à segunda música).
Ao fim ao cabo o que ouvimos é algo mais pensado e trabalhado, linhas que se sobrepõem, uma orquestra ambiente, se é que se pode chamar isso, evocando algo mais pacífico, mais espiritual, não tivesse João Henrique gravado as samples na Sé de Lisboa e Jardim do Lido. Ora, sendo Ode um break-up álbum, pode interpretar-se este trabalho como uma etapa calma e tranquila na vida do artista? Mais do que isso, será esta uma evolução permanente, ou meras experimentações de um jovem músico? 

Bem, por enquanto nada mais vos podemos adiantar, mas podem sempre acompanhar Janrik no seu Bandcamp.

sábado, 12 de março de 2016

Myrkur + Deafheaven no RCA CLUB


A semana findou e sete dias passaram desde a epifania assombrosa e do áureo impacto que Myrkur e Deafheaven causaram dentro das paredes do bar de Alvalade. Relativamente aos Deafheaven, a banda principal do comemorativo evento do black metal vaporoso e devaneador, não era avistada em terras lusas desde o Amplifest 2013.

Myrkur, projeto novato de Amalie Brunn que acompanha os Deafheaven na digressão europeia, fez jus da pontualidade nórdica e deu início ao seu ritual às 21.30, como era previsto. A pequena (mas acolhedora) sala de espétaculos do RCA CLUB sustentou um público muito variado, porém maioritariamente composto por jovens adultos que tão bem conheciam o pratos que viriam a ser servidos. Na retaguarda, pudemos ver o pessoal da velha guarda, meramente curioso mas que não desdenhou do abano rítmico da cabeça durante ambas as atuações.
Em cerca de 40 minutos, com os Myrkur (que possuem apenas dois álbuns no cartório), fomos injetados com adrenalina do black metal atmosférico, acompanhado de influências célticas e de baladas melancólicas conduzidas pelo piano. Os arrepios cessavam no final de cada tema, que era acompanhado por ovações e silêncio que espelhava o espanto. Acompanhada de dois guitarristas tatuados e pintados de guerreiros, e de um baterista versátil ao empenho que cada composição exigia, Brunn apresentou-se como uma semideusa e fez magia com a sensualidade dos movimentos primitivos, causando um efeito teletransportador, que fez com que o público fosse parar às florestas Escandinavas. Foi impossível deixar de ficar indiferente à míuda pálida e loira, também modelo dinamarquesa, que apresentava os temas com uma vulnerabilidade contraditória à força da sua respectiva imponência. Terminada a atuação, com um tema melancólico ao piano... fez-se luz, num piscar de olhos em que a música teve sinal verde para curar feridas e elevar Egos a extensões heróicas.

Às 10h foi a vez dos senhores Deafheaven, que visualmente se apresentavam banalmente, exceptuando a estética visual gótica do vocalista George Clarke, que se movimentava como um maestro lunático e conduziu a multidão ao frenesim. A emoção gélida transmitida pelos Deafheaven originaria um senso comum, uma sensação de um regozijador flutuar que teimou em não desaparecer, até ao fim do concerto. A pureza do black metal atmosférico e o tempero do shoegaze é digna de arrancar o caldo lacrimal. Após a eufórica e pacífica viagem interna puxada pela carroça dos gritos animalescos de Clarke e presenciada (julgamos nós) por cada ser que testemunhou tamanho espetáculo intimista, foi alguma a multidão que após a final "Baby Blue" aproveitou a deixa para se posicionar nas primeiras filas, fruto da expectativa de um encore, desejo esse que passou por ser coberto pelo manto da desilusão. No dia seguinte foi a vez do Hard Club, na Invicta.

Confere, em baixo, um single de cada banda, sugerido pela equipa do site.

Deafheaven- "Baby Blue"



Myrkur- "Skøgen Skulle Dø"


Fotografias: Catarina Soares









quarta-feira, 2 de março de 2016

Nasce mais uma produtora/organizadora de eventos no Montijo

Não há dúvida que há um movimento musical alternativo a acontecer no Montijo. Há vontade de trazer bandas, organizar festas e concertos, divulgar e apoiar artistas, surgindo cada vez mais projetos que tomam conta disso mesmo e todos eles protagonizados por mão de obra jovem, com mentes jovens extremamente ambiciosas e ideias novas. Em Fevereiro vimos a Ampere tomar forma, que se diz ser uma organizadora de eventos e aluguer de material de som, luzes e booking de artistas com a missão de impedir festas e eventos com má qualidade de som. Depois surge a Volupe, que irá trazer ao Montijo "soluções para eventos" e traz ao Montijo já dia 12 deste mês Fuzz e Monkey Flag


Nasce em Março de 2016 a Untutored Youth, que nos promete organizar festas em concertos no Montijo, trazendo os melhores artistas de todos os cantos do país e do mundo, embora sem descrições muito extensas numa primeira abordagem. Decerto que saberemos mais acerca da produtora em breve, com talvez datas de eventos e novidades para o público montijense! 

Visitem a página de facebook de Untutored Youth aqui.

Linda Martini lançam Unicórnio de Sta. Engrácia e o hype de Sirumba torna-se ainda mais real

Contagem decrescente para saber o que a banda indie mais influente do país nos vai apresentar dia 2 de Abril no Coliseu. A ansiedade vai crescendo, o hype vai-se tornando real a pouco e pouco, vão sendo lançados teasers aqui e ali, vão sendo escritas coisas nas redes sociais, e agora... temos um sneak peak daquilo que pode ser o som dos Linda Martini em "Sirumba".

O single Unicórnio de Sta. Engrácia é posto cá fora dia 1 de Março, um mês antes do lançamento do novo álbum, com um som ainda mais estridente, mais dos riffs de guitarra que definem o som dos Linda, mais dos poemas extremamente metafóricos e um final surpresa, com... trompetes!?
Promete-se um regresso em grande, depois de 13 anos de banda e uma gravidez! 

Letra do single Unicórnio de Sta. Engrácia

O single foi disponibilizado pela Universal Music Portugal e pode ser visualizado no Youtube de Linda Martini, Spotify, etc.

terça-feira, 1 de março de 2016

2870 productions passa a ser propriedade intelectual de Genes e apresenta novo artista Bomba G com novo single "Goodbye"

freestyle de Digzz
Um desentendimento entre Luis (Genes) e Digzz (Menice), até então co-fundadores do projeto faz com que Luis reclame a ideia dos eu projeto e desta forma Digzz fica com o canal que anfitriou o projeto. Assim,no dia 14 de Abril de 2016, data em que o EP de Genes é lançado, "Divergências" será apagado do canal de Digzz e passará a estar unicamente disponivel na página de bandcamp de Genes e no canal dele onde estará disponibilizado o EP que contêm a mesma faixa. O EP também estará disponivel nessa página de bandcamp.
 Entretanto, já havia sidoposteriormente anunciado novos projetos da "invisible label", sendo um deles o projeto de Bomba G (Marco Silva) que passa a ser um artista 2870 productions, e lá gravará o seu trabalho de estreia. Também sabemos que Digzz tem planos de criar uma crew com outros rappers do Montijo, nomeadamente Jay, que havia batalhado por diversas vezes com genes. O trabalho de Bomba G intitulado "Goodbye" está disponivel no seu canal de youtube, onde já se pode encontrar o selo 2870 productions na faixa.


domingo, 28 de fevereiro de 2016

Exclusivo: Entrevista a Far Warmth

Faz um ambiente bastante característico, juntando, em muitas das suas faixas, samples diversas e misturando-as, e utilizando instrumentos instrumentos como o seu piano inseparável, mas também sopros e xilofones...
Far Warmth (Afonso Ferreira) prova-se um artista devoto ao experimentalismo, que espanta com as suas performances bastante visuais e um som muito abrasivo, com uma grande carga emocional, como se pode ouvir no seu mais recente trabalho Beneath the Pulse, cá fora em inícios de Fevereiro e apoiado pela Alienação. Como curiosos e amantes de música ambiente e experimental que somos, precisávamos de saber mais acerca deste projeto.



Montijo Sound - Então como é que tem sido a reacção do público a Far Warmth?

Far Warmth - Está a ser boa, penso que as novas coisas que estou a fazer como Far Warmth, as pessoas podem interiorizar muito mais e é muito mais evasivo ao ouvido, a carga emocional é muito mais forte.

MS - Onde é que vais buscar essa carga emocional então? Em que é que o teu som se inspira?

FW - A inspiração pode tanto vir de episódios vividos por mim, ou por outros perto de mim, coisas que se arrastam ao longo dos anos, o que é algo que se pode perceber na sequência "years" do novo álbum. Além disso, quanto ao conteúdo musical vem de muitos géneros... Há muita musica que pode ser fundida, desconstruída e retida entre uma e outra vertente de género, subgénero, que resulta em algo assim.

MS - Ou seja, tu no teu som vais buscar influências de todo o lado, tipo não só ambiente, mas eletrónico...

FW - Sim, electrónica, metal, clássica, épica, seja o que for. Mas sim, dentro do eletrónico e experimental, noise e drone também...

MS - Tu falaste agora da sequência "years"... Nós, público, reparamos mesmo que o álbum está escrito de uma forma quase sequencial. Fala-nos disso...

FW - Sim, sim, é uma sequência. Temos a primeira sala ( Room N65), que é a primeira faixa e depois voltamos a ter outra sala na faixa oito ( Room I1 53). Isto são salas físicas, onde eu gravei os sons depois inseridos e transformados e manipulados em software para estas faixas. Após a primeira faixa temos a sequência "years", depois a sexta e a sétima faixa também se ligam. A oitava é a segunda sala, interligada com a primeira faixa. depois temos a "Shore", que tem duas partes, após isso a "Bloodstrings" e "Quarto", que também se interligam, aqui na "Quarto" que é uma faixa muito curta, com pouco mais de um minuto, se tanto, e participa o João Rochinha na guitarra, que também está na "Bloodstrings" mas completamente alterado e modificado. Acabamos com "Breath" que também é dividido em duas partes.

MS - Falaste-nos em teres usado guitarras... Com que outros instrumentos é que experimentaste e manipulaste para fazer o teu som?

FW - Sim, este álbum tem desde guitarras, a pianos e didgeridoos e uns xilofones aqui na Room I153, que eu gravei numa escola. Havia uma turma a tocar xilofones e chamou-me a atenção e eu gravei e levei isso para estúdio e trabalhei sobre as samples até construir algo sólido.

MS - Já agora, por curiosidade, como é que gravaste o didgeridoo?

FW - Gravei a tocar, vários drones e foram inseridos na sétima faixa, "Lights and Asphalt", com alguns efeitos e podem-se ouvir durante a faixa toda... podem não ser identificados como didgeridoos, mas eram e depois sofreram alterações, mas estão lá (risos).

Beneath the Pulse de Far Warmth


MS - Se obter reconhecimento a fazer musica indie já é difícil, como será a fazer musica ambiente, sem vocais e aquela parte humana a que as pessoas estão habituadas?

FW - A voz está sempre presente, até neste álbum, em pequenas partes, apesar de não ser reconhecível que é voz. Mas eu creio que a voz tem estado tão presente ao longo da História, que creio que é necessário, senão fulcral haver momentos interligados com a voz, sem voz nenhuma, porque a presença constante da voz acaba por se tornar banal. E eu creio que a falta de voz não quer dizer que não haja uma parte humana, porque normalmente onde há voz, há letras, e eu creio que as palavras não chegam, por mais que sejam empregadas das maneiras mais bonitas e grandiosas vozes e acho que é aí que se torna muito humana a música ambiente, drones, etc., acho que incorpora um estado humano básico, que vai ás bases e ás raízes do ser humano, sem palavras. A língua aqui não é relevante, não há barreira nenhuma, isto é, acho que é a parte mais humana crua, pura.

MS - Então estás a dizer que a parte vocal se tornou ao longo dos tempos banal e sobrevalorizada, é isso?

FW -  Sim, vou só sublinhar que eu não abomino a música vocal. Tenho agora um projeto com uma vocalista e temos duas faixas no soundcloud, mas estamos a preparar um EP, que deve sair lá para finais do  verão e tenciono inserir vocais reconhecíveis na minha música como Far Warmth para um próximo álbum. Mas como tu disseste, penso que existe essa barreira muitas vezes, de não ser levado a sério por não haver um ritmo constante, ou uma estrutura comum, algo minimamente apelativo nesses termos. Também porque acho que uma grande parte do público espera sempre isso, quer ouvir uma batida, quer ouvir uma voz e interage bastante com isso e o resto acaba quase por se desvanecer para o plano de fundo.

MS - Então tu acabas por exteriorizar as tuas emoções na tua música, ou no fundo fazes o público sentir coisas, não as sentindo tu?

FW - É um pouco dos dois, há momentos na minha música que são muito próprios e exponho-me bastante, de uma maneira que não me conseguiria expor com voz e letras, poemas, por exemplo na sequência "years" e há outras que o meu papel não foi como compositor nem estou a expressar emoção nenhuma, estou apenas a interpretar, por exemplo a turma de crianças que estava a tocar o xilofone naquela altura em que eu passei junto há porta da sala e resultou numa faixa muito interessante. Mas lá está, a sequência "years" é 100% eu, tem tudo de mim e depois essa faixa, a oitava, a única coisa que tem de mim é a minha interpretação daquele som. Claro que os sentimentos que saem de mim para estas faixas entram depois no ouvinte.

MS - Tu acabas ficar mais intimamente ligado a essas faixas onde te expões mais?

FW - Tanto me afeiçoo, porque sinto que é muito próprio, que é muito meu, ou me distancio por completo, porque aquilo já tinha de sair de mim há muito tempo e ainda bem que já saiu e não quero ter mais contacto com isso, posso tocar ao vivo mas não serão muitas vezes.

MS - Enquanto artista o quão apoiado estás tu? A Alienação é o teu único tipo de apoio, ou há mais instituições ou pessoas que te ajudam?

FW - Sim, recentemente no Estrela, onde a Alienação vai ter a sua primeira noite, o organizador do Estrela, Xavier Almeida, veio ao meu encontro para me fazer um convite a atuar no primeiro evento da Proto Estrela, realizado no último sábado e após isso, uma pessoa que estava no público veio ao meu encontro também e também me convidou para outro concerto, em Maio no Desterro. Surpreende-me sempre as pessoas virem ao meu encontro para atuar porque estive algum tempo em que era só eu a mandar mails para aqui e para ali... Agora somos duas pessoas a mandar mails para aqui e para ali! (risos)

MS - O modo como gravas as tuas faixas é todo feito em casa, ou utilizas algum estúdio de alguém ou... como é que funciona esse processo?

FW - É um pouco de tudo. Na minha música tanto gravo instrumentos aqui em casa, na casa de um colega meu, gravo instrumentos na escola de música onde eu ando, em Oeiras, e gravo samples daqui e dali... e depois funde-se tudo numa composição sólida e fluída.

MS - Fantástico! Então para acabar diz-nos só onde é que te vamos poder encontrar a seguir e lançamentos a surgir...

FW - Então eu lancei agora o meu álbum, o Beneath the Pulse, que está disponível no meu Bandcamp e no meu Soundcloud, no Youtube da Alienação e no Soundcloud da Alienação. Podem fazer download gratuito, pagarem o que acharem melhor no meu Bandcamp pessoal.
Vou atuar dia 3, próxima quinta feira, dia 3 de Março no Estrela, na Graça em Lisboa. Começa as 7, acaba ás 11, eu toco ás 9 da noite... Após isso, em Abril ainda não há nada marcado, mas quem sabe... Em Maio toco no Desterro e depois uma actuação no Covil, a ser transmitida na rádio quântica.

MS - Manda os teus cumprimentos para o Montijo Sound e para os leitores ; )

FW - Parabéns ao Montijo Sound pelo seu crescimento e espero que esteja tudo a correr bem e que venham coisas novas a caminho! E tenho saudades daquela noite na Bistroteca, foi muito bom, e espero que nos voltemos a encontrar em breve!


Podem ver o trabalho de Far Warmth no seu SoundcloudBandcamp, ou através do Youtube da Alienação




sábado, 27 de fevereiro de 2016

Genes tem novo single "Divergências" e partilha no canal de youtube de 2870 productions e Bandcamp


Em Novembro de 2015 Luís Teixeira, aproveitando o seu nome de Twitter Genes lança duas faixas de rap satírico sobre o mesmo nome artístico, uma chamada "Jumpman" e a outra, que viria a tornar-se viral, pelo menos para os lados da margem sul do Tejo, "Eu e os meus tropas", constantemente referida em memes, tweets ou conversas de corredor. As músicas chegavam a convenções estudantis de escolas secundárias no montijo e algumas faculdades em Lisboa de onde havia muitos estudantes do Montijo que importavam essa música da região para o centro. Isso deu a Genes a visibilidade desejada para pensar sequer em gravar um conjunto de faixas, EP esse que já esta confirmado para dia 14 de Abril de 2016 e que irá conter 4 faixas, sendo que uma delas já está disponível para audição no canal do 2870 productions.


Put Ya Dizzy produziu a faixa de Genes
"Divergências" ficou também disponibilizada no bandcamp de Genes.
A sua música é descrita por vezes como hostil, comburente e instigativa, sendo que Genes classifica as suas primeiras faixas como musicas satíricas e feitas para um conjunto pequeno de pessoas, nunca se pensou vir a ter sequer 100 visualizações. Este é o primeiro single do EP homónimo que sai no dia 14 de Abril de 2016, podem ouvir a faixa em cima.