quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Cartaz Coachella 2016

Impossivel ignorar o cartaz deste ano de um dos festivais mais respeitados mundo, e este nem é dos melhores cartazes dos últimos anos mas não deixa de ser Coachella! Enfim, numa análise breve do cartaz na Sexta-Feira de ambas as semanas os meus destaques vão para Lcd Soundsystem sempre espectaculares ao vivo, será interessante voltar a ver a banda pós-hiatus e depois de Brian Murphy ter anunciado tour quem sabe se não os vemos por ca em terras lusas... The Kills, Foals ou Of Monsters and men também servem para passar o tempo...
 O verdadeiro destaque e núcleo principal do fest inteiro está presente nos Sábados, onde temos muita coisa boa para ver: Norte-Americanos Run The Jewels ou Asap Rocky nas sonoridades mais urbanas do dia. Grimes, Gary Clark Jr. os britânicos do shoegaze de anos 90 Lush ou a espantosa Courtney Barnett que apresenta temas do seu fantástico disco de estreia "Sometimes i sit and think, and sometimes i just sit", para nem sequer mencionar Guns and Roses, Deus me livre.
 O último dia (domingos) ou como gosto de lhe chamar "dia do azeite" por razões óbvias.. Beach House deverá ser o nome mais sonante do dia inteiro e provavelmente o que terá mais lotação.. Tudo isso se Calvin Harris ou Sia ou Major Lazer não tocassem nesse dia, "dia do azeite"! Para fugir a essas escorregadelas todas temos também Cold War Kids ou Crystal Fighters ou Death Grips, por isso o dia até não é mau de todo, vejam tudo aqui.

Brian Murphy de regresso após anunciar fim de lcd

Brian Murphy anuncia para 2016 uma tour de regresso dos lcd soundsystem e não discarta a possibilidade de novo disco da banda 6 anos depois.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Loop Fiasco tem faixa "Fora de Tempo" em Bandcamp

Obras macabras de Francisco Carvalho e Janrik (ainda sem saber se é este o teu nome verdadeiro meu), "Francisco define isto por favor" foi a reação óbvia depois de audição atenta de faixa ela tão instável e eclética, barulhenta e desconfortável, tal como música Noise devia ser, não se preocupem um extra-terrestre não aterrou na Terra são só brincadeiras entre uma e outra sample, brincadeiras que de forma inédita e imprevisivel combinam. Ficaremos á espera de instrumentos fisicos (ou não) a cobrir estes white noises e samples e estaremos atentos ao trabalho de Loop Fiasco, que de resto podem ver aqui.

Chegamos a 2016

Parecendo que não já são três anos intensos de escrita, um glo-up fisico e intelectual (obviamente), já não somos miúdos a escrever, o Pedro finalmente arranjou namorada, os Stones sabe-se lá como ainda estão em atividade, (em todas as vertentes, não acredito que acabei de escrever isto), RIP Meek Mill...
 A nossa cidade está a mudar e nós estamos cientes dessa mudança! Bistroteca abriu novas portas e um leque de possibilidades infinitas para o Montijo, existe cultura neste sitio raios! Nós já não escrevemos apenas sobre música, estamos em cima de tudo que se passa na nossa cidade, com o mesmo rigor e dedicação desempre. Impressionante como uma coisa tão pequena conseguiu transformar-se em algo tão grande. E obrigado a vocês leitores, sem vocês não era mesmo possível porque assim era como escrever para o boneco nas palavras sábias de Mike el Nite. 2016 promete coisas grandes, muitos álbuns novos, mais estreias, mais artistas de quarto, mais gente a mexer com a música e nós prometemos trazer-vos aqui, e em primeira mão tudo de bom que 2016 tem para oferecer. Mudamos e continuamos aqui.

Vamos retomar de onde estávamos!

Olá

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Entrevista exclusiva a LEAF: "É dificil definir o nosso som porque nada que fazemos é planeado, sai de forma espontânea e natural"


Vindos directamente das Caldas, os Leaf apresentam-se como um duo: Ricardo Mendes (Cave Story) e João Silva trazem um som garageiro lo-fi com camadas de distorção à mistura, para se revelarem como um dos nomes mais promissores da nova vaga Indie portuguesa.
 Não perdemos a oportunidade e fomos atrás deles no Bistroteca 2015 para nos falarem um pouco sobre o projeto e explicarem-nos quem mais influencia o seu som anarquista e destrutivo no entanto inocente e quase melódico.

MS - Há quanto tempo é que os Leaf andam por ai a fazer estragos? (Risos)

LEAF - (Risos) Desde 2013 mais ou menos, talvez finais de 2012, foi mais ou menos nessa altura que começámos a ensaiar... Pode-se dizer que começámos em 2013... 

MS - O som dos Leaf entrosa-se ou encontra semelhanças ao som dos Cave Story, ou o vosso som é totalmente independente a eles? 

LEAF – É bastante diferente. É assim nós sempre fomos bons amigos e houve uma altura em que nós andávamos a jogar Magic (Risos). Jogávamos aquela cena num armazém lá nas Caldas, que era também a nossa sala antiga de ensaios e começámos a tocar só os dois e correu bem, Fizemos logo quatro músicas nos primeiros dois dias...

MS – Como é que o definem então? (o vosso som)


LEAF – Não sei, é bastante complicado! É instantâneo! Nada planeado, altamente instintivo e as cenas sempre foram assim entre nós os dois e é assim que passa para a música também.Por exemplo, o nosso processo de composição para o nosso EP surgiu bastante naturalmente: estávamos a jogar na nossa sala de ensaios (Magic) e tínhamos lá os instrumentos todos e no meio de muitos jogos pensamos por alto “olha vamos mandar uma jam” e por acaso das nossas primeiras Jams (Improvisações) surgiu uma das músicas do nosso EP , “We are te heroes”, portanto foi basicamente de momentos totalmente aleatórios que surgiu a ideia dos Leaf, portanto se uma banda surge dessa forma pensámos que se calhar o nosso som podia sair assim também, o que já por ai torna muito díficil classificar, rotular ou defini-lo.

Leaf (live Act Bistroteca'15)

MS- Agora falando de coisas gravadas... O quê que já têm ai fora lançado? Há discos fisicos ou por BandCamp? Falem-me do que têm gravado...

LEAF – Sim, nós temos um EP e um split com os extintos Ocelot Kid, daqui do Montijo. Nós éramos grandes fãs deles e grandes amigos do Rudolfo e do Fernando e a cena tinha de acontecer e aconteceu. Esse EP é tipo o expoente máximo daquilo que os LEAF podem ser, que é pegar nos instrumentos com os amigos e fazer aquilo na hora e já está, e é isso que vamos apresentar aqui hoje também.

MS – Digam-me então uma coisa: vocês consideram-se uma banda experimental? Gostam de fazer experimentações quando estão em palco ou o vosso som é muito "certinho" e já muito bem planeado estruturado?

LEAF – É assim na nossa sala de ensaios nós exploramos muitas coisas, se calhar é mais por aí que falas do experimentalismo. Em palco sim, tipo já é uma cena tipo muito energética claro, nós damos tudo em palco, mas já é uma cena mais tight um bocado mais elaborada.

MS – Como é que foi feito o contacto entre a Bistroteca e os LEAF?

LEAF – Foi comigo na verdade (João), o Rudolfo, ele tá a tocar com os Molthres e vinham cá tocar e pronto fez a ponte claro e perguntou se nós queríamos vir também. Falou em voz da organização e viemos através deles.´

MS – O que esperam desta noite, uma vez que o cartaz é bastante concorrido esta noite? 

LEAF – É assim nós esperamos que seja igual ou melhor á última vez que viemos cá tocar, que foi o melhor concerto LEAF de sempre! Tocámos na Tertúlia do Montijo e foi brutal! Foi altamente! Foi a melhor cena! Hoje queremos repetir claro.
MS – Como se sentem? Hoje é Sábado em plenas festas populares de São Pedro, isto vai encher de certeza...

LEAF – Esperemos que o pessoal adira, nós da última vez que viemos cá tocar não estávamos nada á espera. E acabou por ser grande cena! Pessoal a fazer mosh e a cantar as letras e nós não fazíamos a mínima ideia que o pessoal sabia. Esperamos que aqui seja tipo parecido ou melhor!

MS – Como é que é a vossa atitude em palco? Aliás, como é que vão encarar este público montijense?

LEAF – Á partida vai ser como todos os concertos. Os nossos concertos começam como se fosse um ensaio entre nós os dois. Vai ser bastante íntimo mas passado os primeiros dois minutos vamos tentar puxar o máximo pelas pessoas, "soltar a franga"  como se diz (risos)! Mas sempre com um nível muito elevado e a um ritmo frenético que no fundo é o que se quer.

MS – O que acham de iniciativas como o MontijoSound, que tentam expor bandas em iniciação ou que precisam de mais visibilidade por parte do público? Falem disso um bocado...

LEAF – É crucial! Isto não há assim tanto como se pensa. Fala-se que na capital há muitas hipóteses e muitas oportunidades mas isso é falso. Não há assim tanta procura das bandas jovens. Eu venho de uma cidade pequena, que é as Caldas da Rainha e nós fizemos parte de um grupo de jovens que tentou puxar ao máximo pelas pessoas na nossa terra e mesmo assim tornou-se complicado. Falta este tipo de iniciativas em todo o lado, principalmente nestes sítios que são mais pequenos que as capitais. Se isto não existe cai tudo… Nem sei... É super importante!

MS – Falem-me também da importância da Bistroteca na divulgação de bandas jovens, que precisam de uma plataforma. O quão importantes são para a música portuguesa?

LEAF – São muito importantes…  São até um certo ponto, porque não por nossa falta, porque os jovens vão sempre tentar publicitar-se uns aos outros e portanto desde que haja esse "nicho" vai ser sempre uma iniciativa brutal e temos maior honra em fazer parte disto, mas depois há sempre o passo extra a dar para atingir, vá lá, a popularidade, que está sempre ocupada por outros meios, outra música que se calhar não merecia tanta atenção, ou que se calhar merece e as pessoas dão mais atenção a ela, não sei, não é questão de ser inferior ou não, é simplesmente diferente. e é uma iniciativa incrível e nós sentimos muito orgulho em estar aqui!

MS – Mandem então os vossos cumprimentos para o MS e para a Bistroteca.

LEAF – É sempre um prazer estar aqui no Montijo a tocar, temos aqui bastantes amigos! Bistroteca, força nisso! Continuem o bom trabalho! Abraço para o MontijoSound, continuem a fazer magia e não percam a que vamos fazer hoje mais tarde!

Redação MS com os Leaf

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Entrevista exclusiva a Kheper: "Não penso em mim como um artista"


Kheper, denomina-se como mais que um músico. Com uma vertente bastante experimental e vanguardista a roçar a música ambiente/noise e drone eletrónico, Kheper adota uma perspetiva interessante e fora do comum acerca da música. Estivemos á conversa o homem por detrás do som e do som por detrás da arte.

MontijoSound- Sendo de Oeiras, conseguiste captar algumas diferenças entre público de Oeiras e o público do Montijo?

Kheper- Eu não tenho público, uma vez que é a primeira vez que toco ao vivo…

MS- Esta foi a tua estreia?

Kheper- Exato, foi a minha primeira experiência ao vivo.

MS- Estás há quanto tempo a fazer música?

Kheper- Há cerca de um ano, um ano e meio.

MS- Em termos de projetos, o que é que tens realizado enquanto artista? O que é que tens feito agora para te chegares ao espelho e dizeres “eu sou o Kepher, eu sou o artista”?

Kheper- Eu não penso em mim como um artista. O motor para a minha criação é uma necessidade vital de me exteriorizar, não tem que ter significado embora tenha as suas raízes. Se é que sou produtivo é, em todos os casos, por instinto. É assim que eu trabalho. Lucrar disto, ou agradar alguém, não me passou pela cabeça. Não quero ter nenhum compromisso com ninguém senão comigo, por enquanto é bastante pessoal. Dei-me um nome e criei uma página no facebook apenas porque tenho um amigo que está a par da minha atividade e me convidou para apresentar algum trabalho hoje na Bistroteca.

MS- Não tens coisas gravadas então?

Kheper- Tenho bastante material, até. Irei revelar algum, em breve, na minha página. Talvez faça algum lançamento através de uma plataforma como o bandcamp.

MS- Já tens datas para esses lançamentos?

Kheper- Não. Exigente como eu sou, e tendo uma tendência para a complexidade sempre presente, deixo-me levar pela produção e esqueço-me de dar um fim às minhas faixas. Eu tenho projetos e projetos. Não ver um fim em nenhum deles, vai adiando a possibilidade de qualquer lançamento. Para além disto, com o passar do tempo, os meus projetos têm sofrido alterações resultantes de diferentes fases da minha minha vida e portanto diferentes estados de espírito. É um processo metamórfico onde muitos projetos acabam, eventualmente, por se tornar irreconhecíveis daquilo que eram originalmente. No entanto, quer seja destrutivo ou não, a ideia da decomposição estar presente naquilo que eu faço, assim como a influência do tempo nesta, agrada-me como método e incentivo de trabalho. Resulta, a meu ver, em algo orgânico.

MS- Mas, por exemplo, tu colecionas samples?

Kheper- Sim, coleciono bastantes, no entanto, meramente recursos do ambiente que me rodeia ou então sons que esculpo de raiz digitalmente. Ando sempre com um gravador, e capto sons que me atraem. Chego a casa e passo à manipulação destas gravações de campo criando alguma ordem através da contextualização de uns resultados com outros...
A fonte para o meu banco de samples são apenas sons com que me deparo, frequências que me estimulam. No entanto, estando presente também em mim um instinto em criar, em ter algo da minha autoria, recorro, para além da natureza, ao digital. O que quer que eu alcance jamais será de mão beijada, eu tenho que suar.

MS- Como é que defines o teu som? Falaste num processo arrastado...

Kheper- A atmosfera do meu som é, antes de qualquer qualquer outro fator, fruto do estado de espírito em que me encontrei quando lhe dei origem. Somente por intermédio deste surgem as exaustivas e minuciosas experiências que faço na matéria que o compõe. O que não quer dizer que eu não saiba o que é que eu estou a fazer ou para onde é que eu estou a caminhar. O controlo que tenho sobre as ferramentas que utilizo já é automático.
Se o corpo de uma faixa minha é, no todo, denso e arrastado é porque o assemelho ao meu físico, ao meu movimento. Se o seu desenvolvimento é pacifico ou agressivo, destaca-se, antes de mais, a sua persistência à semelhança do que eu analiso do comportamento da minha psique.
Assim como eu, aquilo que eu produzo é igualmente um sistema. Eu estar dissonante daquilo que eu crio não me parece fazer qualquer sentido. As minhas composições apenas se têm vincado cada vez mais em mim, o que torna uma alteração da maneira de como me apresento ao público pouco provável.
Sendo Kheper um composto de dois sistemas: o meu ser e aquilo que dele surge, apenas será autêntico se existir sinergia na sua estrutura. Daí surge o meu interesse em me fundir, expressar texturas e movimento em sonoridades intensas, em dar corpo ao som, em criar algo cada vez mais coeso... Pelo interesse em explorar esta questão talvez seja o motivo pelo qual, de momento, eu esteja mais virado para mais oportunidades de atuar em live act, do que lançar material. Exigir do som um impacto físico, elevá-lo em volume ao meu nível, parece-me uma prioridade.
O que apresentei esta noite, respeito e reconheço que não tenha tido impacto em toda a gente, não foi uma reação inesperada. Exige do ouvinte um determinado estado de espírito, e claramente uma capacidade de abstração do tempo.

MS- Pelo facto de não gostares de trabalhar em grupo, achas-te uma pessoa egocêntrica? Por exemplo, tu tens ideias e não consegues partilhá-las enquanto não tentares tu recriá-las?

Kheper- Sim, embora não acredite que o facto de eu optar por trabalhar sozinho se associe ao egocentrismo, no que toca àquilo que materializo em som, insiro-me na classificação perfeitamente, uma vez que não pretendo saciar ninguém que não eu. No entanto, estamos a falar de comida que é colocada no canto do prato pela maioria, pelo que pudemos presenciar esta noite. Adotar tal postura não me parece incorreto uma vez que a resposta do público não me impede de continuar a fazer o que tenho feito e me mantem no mesmo registo.
Relativamente a trabalhar em grupo, confesso que tenho curiosidade em criar um projeto, apenas ainda não surgiu ninguém que eu considerasse desafiante.
O que eu produzo não resulta de qualquer tipo de ideias ou planeamento prévio, mas sim de bastante tempo dedicado. Assumir o compromisso de trabalhar com alguém que tenha pouco ou nada para me dar parece-me ser nada mais nada menos que um convite a um parasita.

MS- Então de onde é que surge a criatividade para experimentar este tipo de sonoridades arrojadas?

Kheper- É tudo da Natureza. Se não é da minha é da física que me rodeia, ou da interferência racional do Ser Humano nesta, principalmente a nível industrial, mas talvez divirja este último de Kheper consoante o seu desenvolvimento.

MS- Queres descrever alguma particularidade do teu processo criativo?

Kheper- Gosto de analisar determinadas frequências de um som. Cortar numas, amplificar outras, recorrer à sua modelação.... Esta noite tive uma surpresa.... As colunas, ao contrário do que me foi dito eram mono, o que resultou na perda de conteúdo. Algumas frequências anularam-se, mas foi interessante, achei apesar de tudo, visceral.

MS- Tiveste algum tipo de formação em produção?

Kheper- Não, tudo aquilo que eu sei foi autodidata.

MS- Hoje achas que conseguiste "tornar teu" este público do Montijo, achas que o conseguiste cativar?

Kheper- Como já referi, acho que não, mas não é esse o meu objetivo, para ser sincero. Eu esqueci-me do público completamente. O concerto acabou e eu reparei que estava pouca gente. Aliás eu despertei um bocadinho antes, na verdade, quando disseram que eu tinha mais 5 minutos, mas rapidamente voltei a entrar no transe até ao fim.

MS- Estavas dentro da tua música, por assim dizer. A música é para ti uma forma de libertação da realidade?

Kheper-  Sim, é. Sinto uma influência tremenda naquilo que faço pelo simples facto de não estar em sintonia com o sistema vigente. São poucos os pilares constituídos por massas nos quais me insiro, é escasso o meu interesse na atividade humana. Mas depende da realidade de que estamos a falar, se é que se referem à perspectiva do nosso ser, acho que vivemos sob inúmeras ilusões. Nesse contexto sim, aquilo que eu crio é uma libertação, se visto como uma resposta a toda esta agitação, fé na nossa espécie, violência e cultos sem justificação.

MS- Qual é o objetivo da tua música? Assim que entraste em palco tu refundiste-te. A tua relação com a música é tão estreita que possibilita a formação de “um só”?

Kheper- Para além de ser aquilo que eu quero ouvir, não vejo qualquer outro objetivo. O processo é-me uma espécie de terapia e o que me move é a ideia de que este me possa saciar. Esta noite não é um à parte, faz parte dele. Eu fiz questão de me deslocar o que me desloquei e aparecer hoje porque queria sentir as vibrações das atmosferas que criei fisicamente. Tive apenas a curiosidade de sentir como é o meu som me iria “arranhar” o corpo. De momento o objetivo foi esse.

MS- Qual é que vai ser o teu próximo salto a seguir do Bistroteca?

Kheper- Gostaria de ter outra experiência destas, gostaria de tocar num espaço fechado… acho que seria mais intimista para o meu tipo de música e teria ainda mais impacto em mim do que teve hoje.

MS- Tu estando ainda a estudar, o projeto ocupa-te muito tempo e é difícil de fundir com a escola?

Kheper- É necessário conciliar as duas coisas, não posso prescindir da escola. Infelizmente porque, de momento, não imagino que a minha paixão pelo som possa garantir a minha sobrevivência. A necessidade que tenho de me exteriorizar, insere-o, ainda assim, em primeiro lugar.
Para que o som me ocupe inteiramente, eu preciso de gostar de partilhar e, antes de mais, de confiar nas pessoas. De achar que elas merecem ou de querer algo delas em troca. Entretanto continuarei a ruminar, quero continuar a crescer. É possível que faça uns lançamentos, não me vejo a cuspir tudo tão cedo, mas vou arriscar deixar algum material passar.

MS- Como é que achas que sites como o MontijoSound conseguem apoiar músicos que precisam de muita exposição como tu?

Kheper- Acho que vocês estão a fazer uma excelente cobertura do evento! Relativamente ao apoio que o MontijoSound tem prestado aos projetos que por aqui passaram, inclusive o meu, vejo uma clara dedicação e interesse.
Tenho imensa pena de ter chegado um bocado em cima da hora, mas pelo que vi do Montijo, parece-me ser um local e um ponto de partida interessante para investir em toda esta atividade. Estou-vos grato, e espero que continuem um bom trabalho!

MS- Eventos como o Bistroteca… O quão importantes são este tipo de iniciativas para vocês músicos?

Kheper- Em nome do meu projeto, embora algo fora do contexto do cartaz, senti-me bastante confortável pela recepção d’Os Aleixos e gostaria sem dúvida alguma de voltar a passar por aqui com a curiosidade de assistir ao que surgirá, no futuro, em termos de novas apostas. Acho que a abertura que a Bistroteca revelou, direciona-a num bom caminho. No entanto, por oposição ao Verão, no Inverno ou qualquer outra estação, acho que seria interessante ver Os Aleixos darem vida a um espaço fechado. Seria ainda mais intimista do que já foi.

MS- Manda então cumprimentos!


Kheper- Eu sou o Kheper. Cumprimentos ao MontijoSound e à Bistroteca!

Kheper, o homem