terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

MontijoSound Apresenta: As Escolhas Semanais do Alex D'alva Teixeira... (Com Alex D'alva Teixeira).


Esta semana todo entusiasmo está em torno do Primavera Sound, por isso resolvi escolher um dos nomes confirmados para a edição de Barcelona. Creio que é a primeira vez que os Touché Amoré irão tocar na Península Ibérica. Creio que nos últimos anos tem sido a minha banda favorita de post-hardcore, devido a intensidade presente não só na musica mas também nas letras. A banda liderada por Jeremy Bolm fez-me voltar ao primeiro amor pelo rock, pela sinceridade e honestidade daquilo que é real "aqui e agora": guitarra, baixo, bateria, e gritos que vêm da alma. No entanto, não se assustem, eu faço parte do grupo de pessoas que acreditam que a ultima coisa que o mundo precisa é de "mais uma banda pesada como tantas outras", estes californianos são peritos em escrever canções abrasivas mas igualmente melódicas. Is Survived By é o terceiro longa duração da banda sob o selo Deathwish Inc. Na minha opinião um dos pontos mais altos de 2013. Não é preciso ser o melhor apreciador de punk ou hardcore para perceber os Touché Amoré, se o rock desperta algum sentimento então provavelmente a musica deles fará despertar algo ao ouvinte.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Décadas: Anos 70 (Continuação).

Era Punk/ Pós Punk/New Wave- Os melhores discos


Em 1973, Iggy pop e os Stooges iriam criar aquele que é o álbum pioneiro do Punk. "Raw Power", é visto como um exemplo, contendo letras particularmente violentas e hostis (Search and Destroy, Your Pretty Face Is Going to Hell...), sobre riffs simplistas (2 a 3 acordes), álbum que viria a ser um marco na música Hardcore, e viria a inspirar o Punk tanto nos Estados Unidos como na Grã-Bretanha. 
 Apesar da classe (ou falta dela), este é uma audição algo complexa, onde os ouvintes mais novatos nestes territórios terão alguma dificuldade a adaptar-se ao ambiente sempre tenso e agressivo do álbum, mas para aqueles que investirem verdadeiro tempo, irão encontrar uma experiência gratificante...


Se o Iggy Pop e os Stooges são considerados os Padrinhos do Punk, então os Ramones tem de ser os pais. Nenhuma outra banda esforçou-se tanto para introduzir o Punk na cultura Mainstream, e parece que estes nem tiveram de se esforçar muito...
 Ramones (Homónimo- 1976) soa a cliché, mas não de uma forma má. Como se este álbum fosse de alguma forma uma repetição, mas este sentimento é só para aqueles que descobriram a banda neste milénio, sendo que os vários hinos (Blitzkrieg Bob, beat on The Brat...) do gênero são introduzidos de forma "magnética" na sociedade de hoje, seja em filmes, publicidades...
 Este "Ramones" é o álbum máximo destes, banda que infelizmente, nos tempos de hoje, é reciclada, reutilizada e extremamente requisitada por pessoas que se calhar nunca ouviram esta obra-prima...

Do outro lado do oceano, os Sex Pistols com a sua marca de controvérsia, polêmica e decadência polémica, viriam a criar esta obra-prima "Nevermind The Bollocks". Metade da banda na altura vinha para os concertos ou bêbedos ou muito drogados, e de uma forma, era isso que as pessoas queriam dos Sex Pistols. Sexo Drogas e... bem, o então Punk.
 Infelizmente "Nevermind The Bollock" é o legado máximo da banda que se desvaneceu ofuscado pelo sucesso dos Ramones no outro lado do oceano, dos Wire e depois da inteira cena New Wave/Pós Punk, mas se pensarmos bem, era impossível imaginar estes gêneros sem pelo menos mencionar este álbum...
"Pink Flag" é daqueles álbuns que se olharmos para a contra-capa, parece um álbum que dura uma eternidade, e quem nos dera que durasse, se não fossem as muito curtas mas "orelhudas" músicas contidas no álbum, que a par de alguns já mencionados, é dos álbuns mais inovadores dos anos 70.
 "Three Girl Rumba", "Field Day For The Sundays", são alguns exemplos de faixas muito curtas, mas que desejamos nunca acabar. 
 Estes Senhores hoje ainda fazem música, mas por mais que vivam 200 anos, nunca irão fazer um álbum tão brilhante como "Pink Flag".


Outlando's D'amour revela os Police nas suas influências do Punk e do Reggae, e descobre também um vocalista incansável, Sting, que mais tarde viria a ter uma carreira brilhante a solo.
 Este apesar de ser o primeiro, acaba por ser o mais excitante, completo e altamente gratificante para aqueles que se derem ao trabalho de aprofundar a sua audição.

Brilhante em todos os sentidos, como é igualmente divertido e paródico, sendo que apresenta ao mundo hinos essenciais na história do Rock como "Rock Lobster" ou "52 Girls", sendo que este é essencial na prateleira de qualquer coleccionador "afincado".

Patti Smith revela-se nesta estreia absolutamente estonteante, à medida que a poetisa compõe sobre religião, amor e perda, sempre com os seus habituais escapes de Punk/New Wave.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Hey Joe", o templo escondido.


"Onde é que está o Tascante Rui"? Foi a primeira coisa que disse assim que entrei no ''Hey joe'', um bar de carácter nostálgico, que põe à disposição do visitante uma quantidade absurda de discos vinil, alguns deles extremamente raros de encontrar. O que me leva ao assunto inicial, dado que esse tal "Tascante Rui", é o excêntrico e hilariante dono não só do bar, como também da colecção incrível de discos.
 A primeira impressão que tive do "spot", era que este sítio parece mesmo tirado de um daqueles filmes Western: Sujo, Antigo e 90% dos frequentadores fumam. Mas não ouvi os famosos tiros do duelo do meio-dia, ao invés, puseram "The Stone Roses", para deleite das cerca de 10 pessoas que lá estavam quando cheguei.

 A segunda impressão que tive, foram que havia nas paredes do bar posters de algumas das bandas que cresci a ouvir: The Clash, Joy Division, Ramones... Caramba, em que mais outro lugar é que encontramos uma forca musical de outras gerações "esborradas" na parede? Isto é o "sonho molhado" de qualquer pessoa de 40 ou mais anos que habite no Montijo, ou no meu caso, um rapaz de 15 anos com uma cultura musical fora do normal...

 Por acaso apanhei a banda que ia tocar nesse sábado (dia 1 de Fevereiro de 2014) em ensaio. Os (não tão) famosos "Just Call Me Bubbles Dear", grupo de homens (e um mulher) quase na meia idade, amantes da distorção, mas tocando covers de bandas como os Pixies, The White Stripes ou Beck, mas reinventam as músicas desses artistas para parecerem mais acústicas e mais fáceis de escutar.
 Eu já conhecia o baterista, que me apresentou ao resto da banda. Gente simpática, que não sendo nenhuns virtuosos, animaram o espírito de algumas dezenas de pessoas perto das 22:30, depois de um bom jantar com a banda e o excêntrico Rui sempre a contar piadas, sendo que a maior piada da noite foi ele ter dito que gostava dos The Killers,

 Enfim, para quem gosta de boa música, o Hey Joe, é o sitio ideal para descontrairem ao final da tarde, enquanto bebem um copo de vinho, portanto entrem neste bar com o nome de uma música do Hendrix, e façam o que é suposto fazer num bar destes, ouvir boa música, porque a malta é fantástica, a música é excelente e quem sabe se não reanimamos o espírito do Cobain? Não faz mal nenhum tentar, porque aqui, tudo é possível.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

MontijoSound apresenta: "A Escolha da Semana", com Alex D'alva Teixeira

Foi neste ultimo verão que descobri esta banda chilena. Os ASTRO sao de Santiago e na semana passada estrearam um video novo atraves da H&M Life. Liderados por Andrés Nusser, editaram em 2011 um álbum homónimo que apesar de ser inteiramente cantado em espanhol, recebeu imensa atenção da imprensa americana. Temos a vantagem de falar uma língua muito semelhante, e por isso é fácil perceber as letras com inspiração astral, tropical e até mesmo fantástica. No ano passado tocaram no Lollapalooza, e também no Primavera Sound de Barcelona. Se vocês jogaram FIFA 13 provavelmente já ouviram Panda, uma can��o que "bate bu�" mas tem um vídeo NSFW. Neste momento é uma das bandas que mais quero ver ao vivo, devido ás suas actuações contagiantes, capazes de cativar qualquer um, espero que os promotores de festivais portugueses "abram a pestana", e que tragam para terras lusas esta banda que dá uma óptima lição de como fazer boa música POP à séria. Vejam os vídeos todos: Colombo, Ciervos, e este novo Manglares.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

MontijoSound apresenta: "As escolhas do D'alva", com Alex D'alva Teixeira.

Esta semana estou extremamente saudoso do Boiler Room Lisboa, que aconteceu na passada sexta-feira 17. Ainda bem que pude estar presente, pois foi sem duvida uma das melhores celebrações da musica de dança feita em Portugal, e por isso esta semana quis escolher um video de uma banda que fez parte do alinhamento deste evento.
O meu egocentrismo levar-me-ia a escolher o "Time Out" do Branko pelos motivos óbvios, mas façam o download gratuito da sua mixtape, uma das melhores cenas de 2013. Se quisesse apenas cingir-me apenas a trazer novidades a este blog, aqui estaria o novo "Please Please Please" dos Octa Push, que estreiou na semana passada, e apesar de estarmos no inicio do ano este poderá ser possivelmente o melhor video português de 2014. A minha escolha é um video de 2011 de duas bandas que se juntaram para serem uma só. Throes + The Shine, são do Porto e tocam Rockuduro, este é o nome do disco criado pela fusão de uma banda de rock/hardcore e um duo do Kuduro. Escolhi este video pois a actuação deles foi a mais fisica e contagiante daquela noite! Para alguém como eu que gosta de ver os concertos de perto, e vive-los intensamente, não há nada melhor do que este cocktail explosivo de energia e intensidade do punk-rock com o balanço do kuduro. Por certo este concerto irá permanecer na minha memoria durante imenso tempo.
Throes + The Shine são quem vão dar "Batida" e vai bater grave!


domingo, 12 de janeiro de 2014

MontijoSound apresenta: "As escolhas do D'alva", com Alex D'alva Teixeira.

Quando aceitei o convite para colaborar com este blog, achei que seria um "no brainer", afinal, o que teria de fazer não seria muito diferente do que costumo fazer no meu, no entanto a tarefa de escolher o primeiro video da semana não foi propriamente fácil, pois não sabia se escolheria o meu favorito do ano passado, um clássico, ou até mesmo um video com alguma ligação à musica que faço. As possibilidades eram inúmeras, por isso resolvi simplificar tudo e escolher um video com a musica que mais tem despertado o meu entusiasmo nos meus últimos dias.

FKA Twigs, é o nome daquela que considero ser uma das maiores revelações de 2013, uma artista londrina que edita sob o selo Young Turks, editora celebrizada pelos The XX. É provavelmente o que mais tenho escutado pelo Spotify, Soundcloud e até mesmo no Youtube, e tenho de destacar o EP 2 em especial, pois este conta com a produção do venezuelano ARCA, um dos colaboradores de Kanye West no muito aclamado Yeezus. Também acho importante referir o seu ultimo lançamento &&&&& que é parte de uma peça exposta no (Museu de Arte Moderna) MoMA em colaboração com Jesse Kanda, o realizador deste video. Num só video uma equipa claramente vencedora! É evidente a excelência presente, nos timbres e ritmos tão inebriantes, na doçura da voz, no peso das palavras e também na componente visual capaz de alargar a nossa imaginação. Honestamente não sei bem como definir a música de FKA Twigs, mesmo com a existência de rótulos como "nu-r&b", "glitch-wave" e até mesmo "post-internet", mas na verdade não há qualquer necessidade de recorrer a etiquetagem, para perceber que esta forma de pensar e fazer música, é um dos melhores frutos desta nova geração de musica urbana e electrónica.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

MontijoSound Apresenta: Décadas: Anos 70

Anos 70. Nessa altura já muito havia acontecido. È verdade que os Beatles já não faziam música... Lou Reed inicia a sua carreira brilhante a solo, mas é devido a estes artistas (e muitos outros nos anos 60) que iriamos assistir ao inicio da explosão da música hardcore (Metal, Punk), mas também ao inicio da New Wave/Pós Punk, mas lógico que não podíamos deixar de falar no Rock Psicadélico/rock Psicadélico, no Disco, Glam Rock...
 Enfim, apertem os cintos, entrem no vosso Delorean, porque vamos voltar atrás no tempo até aos ANOS 70!

Rock Psicadélico/Rock de Garagem/Rock Progressivo
Ainda nos destroços do Woodstock (ao virar da década), um grande grupo de bandas de garagem começavam a continuar o grande legado do Rock Psicadélico deixado para trás nos anos 60. Pink Floyd é uma delas...

Apareceram em 1965 quando ainda estudavam Arquitectura na Universidade Politécnica de Londres. Roger Waters, Syd Barret, Rick Wright e Nick Mason começaram a tocar juntos no mesmo ano e em 1967 já editavam o seu primeiro álbum "The Pipes at The Gates of Dawn", visto como um álbum brilhante, que captava a banda ainda numa fase ambulatória. O álbum chegou ao top 6 das tabela britânicas. A banda fazia experimentações no Avant-Garde, e no Progressivo sendo que o álbum torna-se muito influente para as bandas de Rock Prog da altura.
 Mais 6 álbuns seriam feitos antes de 1973, onde os Pink Floyd chegariam a um nível absoluto de perfeição, sendo que este tornaria-se num marco dos anos 70, e que capta a banda (apesar de até lá jovem) no auge da sua carreira.

Capa extremante conhecida pelo seu triângulo
e o arco-íris a atravessá-lo. 
O álbum não só dava reconhecimento crítico á banda, sendo que os críticos da altura descreviam o álbum como "sem precedentes" e "uma viagem que assim que começa, desejamos nunca acabar", como também dava á banda reconhecimento comercial, sendo que entrou nas paradas britânicas e por lá ficou 741 semanas, estabelecendo novos recordes na música.
 The Dark Side Of The Moon provaria ser crucial, não só na constituição das principais bandas de Rock Progressivo/Psicadélico da altura (Yes, Genesis, The Moody Blues) como também crucial e altamente influente no Rock Psicadélico dos tempos modernos (Portugal, The Man, Splashh, Tame Impala, The Falming Lips).

Mais dois grandes álbuns seriam feitos pelos Pink Floyd á medida que os anos 70 passavam (Wish You Were Here/The Wall (1975/1979) ), mas "The Dark Side of The Moon é um dos momentos chave dos anos 70, que só agora começavam. Afinal estávamos em 1973.
 
O Metal (proveniente dos American Blues), e o Heavy Metal
Aproveitando os Blues dos anos 60, havia um grupo de bandas que recriava os Blues, mas de forma altamente violenta, violência essa causada por riffs altamente amplificados, sempre utilizando a mesma fórmula dos Blues mas de forma rápida e volátil. A isto nós chamamos "Metal". Indiscutivelmente a primeira banda de Metal de Sempre é os Led Zeppelin.

 De 1969 a 1975, estes com os seus conceptuais, brilhantes álbuns, revolucionavam o Metal, á medida que outras bandas seguiam o seu rasto. Black Sabbath era uma delas, criando letras de uma imaginação fértil que iriam redefinir o género vezes e vezes sem conta. Paranoid é considerado por muitos o hino do metal.
Eventualmente, o Metal espalharia-se à volta do mundo tornando-se viral, sendo que do outro lado do atlântico, várias bandas criavam Metal muito mais acessível ao Mainstream e muito mais antémico:
 Desde Alice Cooper e as suas actuações ao vivo extremamente polémicas, sempre muito caracterizado também pelo seu visual Glam único, que descreve na perfeição as influências da altura.
 
Os Kiss também eram conhecidos pelas suas actuações caóticas ao vivo, mas protagonizam alguns dos maiores hinos de Rock do século XX. Também são muito conhecidos pelo visual, sendo que cada membro utilizava uma máscara, na altura sendo este um visual inédito, que seria mais tarde imitado por bandas como Limp Bizkit ou Slipknot.
 Aerosmith, Van Halen ou os Australianos AC-DC, também seriam importantes bandas de Metal nos anos 70.
 À medida que as décadas iam passando, o Metal ia ganhando novas peles: Folk Metal, Groove Metal, Trash Metal (Visto como a forma mais violenta de Metal hoje).
 O Rap Metal e o Nu Metal também seriam importantes nos anos 90.

Os anos 70 continuam na próxima postagem