Um dos melhores festivais de música alternativa da Europa volta ao parque da cidade do Porto nos dias 5, 6 e 7 de Junho. Depois do sucesso deste ano, com destaque para bandas como My Bloody Valentine, Blur, Dead Can Dance ou James Blake, na edição de 2014 temos já duas confirmações de peso, sendo a primeira os Neutral Milk Hotel, responsáveis pelo brilhante "In the aeroplane over the Sea", visto como um dos melhores álbuns dos anos 90, essencial na criação de uma nova era de artistas Folk.
A banda de Jeff Magnum tocará ainda sem data definida no Optimus Primavera Sound 2014.
Mas a confirmação maior é a da Banda de Boston, os Pixies. A banda de Black Francis e da agora apenas membro dos Breeders Kim Deal, criaram nos anos 80 alguns dos álbuns mais importantes do século XX tais como Surfer Rosa e Doolittle, álbuns esses essenciais na moldagem da música Indie Americana.
Concerto esse que serve de suporte do novo EP "EP-1", primeiro trabalho em mais de 22 anos.
A banda tocará, também ainda sem data definida, completando então o lote de primeiros confirmados na edição 2014 do Optimus Primavera Sound.
Artista: Xungaria no Céu
Álbum: Xungaria no Céu
Género: Comédia/Paródia
Soul
Punk
Rap
Electrónica
Lançamento: 20 de Setembro de 2013
Editora: Flor Caveira
O que é isto? Quem fez isto? E de onde é que vem isto? Era o que uma pessoa normal perguntaria assim que visse isto no Youtube ou no 5 Para a Meia Noite como foi o meu caso, mas a verdade é que uma coisa não podemos negar, é que Xungaria no Céu quando visto pela primeira vez suscita curiosidade. Quem fez isto? Um grupo de desajustados fartos do Mainstream e prontos para mudar a face da música portuguesa. Quem mais? A Flor Caveira, que trouxe quase toda a editora que tem como lema "Religião e Panque-Roque", e todos estão presentes:
Tiago Guillul, Samuel Úria, os Pontos Negros, os Lacraus, João Coração, Jorge Cruz, Bruno Morgado, Alex D'Alva Teixeira, Manuel Fúria e mais qualquer um que queira fazer parte deste projecto mais maluco que a própria editora em si.
O resultado: Xungaria no Céu, um longa duração de Comédia/Paródia, Rap, Punk e mais qualquer outro género que possam imaginar. Mas a verdade é que este álbum é medido nos seus mais pequenos pormenores: Quer nos vocais Soul de Selma Uamusse em "Na cabeça levo a festa", quer na viciante "Matemática", muito por culpa do refrão "orelhudo" interpretado por Alex D'alva Teixeira e Guel, ou no Punk de dois acordes em "Sai cá pa fora" ou quer no electrizante "Caruncho de ossos". Mas talvez a música de melhor efeito e também o ponto do álbum é em "Tou Pronto", seja pelas suas letras hilariantes que encorajam uma pessoa a fazer tudo ("Mandem vir onda gigante, Eu tou Pronto"), até alguma correr mal claro, ou se calhar pelas estrelas mais sonantes da editora aparecerem no video (Com maior nota claro para Samuel Uria e Alex D'alva Teixeira). E claro, o álbum não podia terminar sem o hipnotizante interlúdio "Xungaria não teme o F.U.T.U.R.O".
Eu não sei se esste "Xungaria no Céu" é demasiado "Avant-Garde" para ser entendido, mas a verdade é que este álbum é demasiado brincalhão e divertido para ser verdadeiramente levado a sério.
Não vá a Rolling Stone dar 5 estrelas ao álbum, mas acho que só daqui a uns quantos Mundiais (este não conta) é que vou finalmente conseguir perceber a verdadeira beleza deste álbum, mas por agora, vejo este como uma piada, e nada mais.
Esperemos que por essa altura, esta malta já tenha uns quanto álbuns bons, porque este não é terrível, mas neste caso, isso não basta...
Faixas: (As faixas marcadas a azul são as escolha do MontijoSound!)
"Chamando toda a Xungaria"
"Tou Pronto"
"Na cabeça levo a festa"
"Xungaria no Céu"
"Por te amar não me contive"
"Matemática"
"Saia cá para fora"
"Onze dias no Brasil"
"Mais Louvação"
"Caruncho de ossos"
" Qual é o segredo por que as meninas gritam de medo?"
Artista: Boogarins
Álbum: As plantas que curam
Géneros: Indie Rock
Rock Neo-Psicadélico
Tropicália
MPB (Música Popular Brasileira)
Lançamento: 1 de Outubro de 2013
Editora: Fat Possum
Minutos: 31:49
De Goiania, para o mundo, dizia Quim Albergaria do Vodafone FM, falando destes miúdos Fernando Almeida e Benke Ferraz, que ainda no liceu, criam os Boogarins, cansados de viver na sombra de lendas perto da Canarinha. Lendas essas que podiam ser reduzidas para uma: Os Mutantes, que, são responsáveis por não só serem um dos pioneiros do Rock Psicadélico nos anos 60, como também lideres de um dos melhores movimentos musicais nos anos 60: Tropicália, que criava a nova onda de MPB, mas com vários factores que ligavam a música Americana e Britânica, como uso e abuso de guitarras fuzz, ou mesmo explorações no Rock Progressivo.
Para quem ouve este fantástico "As plantas que curam", primeiro longa duração destes miúdos, pensa logo nos Mutantes, mas a verdade é que os Boogarins recriam esse som lindíssimo que era a Tropicália dos anos 60, num som característico, muito mais moderno e criam Pop Psicadélico extremamente "orelhudo" e etéreo, fazendo lembrar os Tame Impala. Mas a verdade é que não existe a mesma "limpeza" sonora que na banda Australiana, dado que muito do material ouvido neste álbum foi gravado em casa, em gravadores de 4 faixas, o que só valoriza mais o álbum, dado que não teve a mesmas técnicas utilizadas numa gravadora "Major".
Do inicio ao fim, "As plantas que curam" soam como uma incrível viajem, onde essas plantas que curam, acabam por parecer drogas alucinogénas, cujo seu efeito dura os 30 minutos de audição do álbum, e que sensação!
O álbum começa de forma perfeita logo com 4 faixas de enorme qualidade: "Lucifernandis", soa como uma brisa de ar fresco á medida que o vocalista (Fernando Almeida) sussurra no nosso ouvido "Lucifernandis, lá do Sul". "Erre", a segunda faixa deste quarteto fantástico, dá uma excelente utilização de guitarras fuzz e a barra de tremolo. "Infinu", mesmo só utilizando durante a maior parte da música apenas dois acordes, soa aos nossos ouvidos de forma hipnotizante e "Despreocupar", com aquele toque de Bossa-Nova, despertará a atenção do ouvinte.
A verdade é que depois destas quatro brilhantes faixas, o álbum perde o seu ritmo, ele tão preciso, mas não chega ao fim sem outra brilhante música, "Paul".
Mesmo feito em condições Lo-Fi, "As plantas que curam" não só é dos melhores álbuns do ano, como também tem tudo para criar aqui uma rivalidade com os Tame Impala. Neste momento são os Australianos que estão na frente, mas não há nada que um segundo álbum não possa resolver.
Faixas: (As faixas marcadas azul são as escolhas MontijoSound!)
Muito brevemente, o MontijoSound! anunciará a lista dos 25 melhores álbuns do ano de 2013.
A lista será anunciada no dia 8 de Dezembro, sendo que não tendo ainda a lista feita, há já alguns favoritos:
25 anos após o seu definidor-de-era, Loveless (1991), My Bloody Valentine voltam aos álbuns, desta vez com MBV, que acaba por tornar-se na melhor sequela possível a Loveless, sendo que a turma de Kevin Shields e companhia estão na corrida para melhor álbum do ano.
Após o seu extremamente ruidoso mas etéreo Ghost Blonde, as Canadianas No Joy, trazem o seu brilhante segundo longa duração, Wait to Pleasure, colectânea essa de músicas de um ruído inimaginável, conseguido através de distorção extrema de guitarra, mas com vocais esse tão calmos, lembrando a era de ouro do Shoegaze como os My Bloody Valentine (Já anteriormente referidos) ou mesmo os Cocteau Twins.
O jovem compositor Britânico, James Blake, traz-nos aqui Overgrown, um brilhante, cativante, intimista longa duração, lembrando o trabalho de Xx ou mesmo Beck, mas este Overgrown não é para qualquer ouvinte...
Artista: SILVA
Álbum: Claridão
Géneros: Elétrónica
MPB (Música Popular Brasileira)
Lançamento: 9 de Outubro de 2013
Editora: -
Minutos: 50:38
Vindo se do nada, Lúcio Silva, mais conhecido por SILVA, emerge da superfície depois de um EP homónimo, reconhecido um pouco por todo o mundo, sendo visto no Brasil como uma lufada de ar fresco, com uma sonoridade muito característica deste talentoso compositor.
SILVA volta, agora com um longa duração de 12 músicas de uma teatralidade poética, sendo estas composições lindíssimas, quase todas elas com um tema em comum: o amor, sendo que SILVA fala deste como se fosse uma mescla de emoções, desde depressão até alegria.
De resto, "Claridão", fazem lembrar muito a James Blake, outro brilhante jovem compositor da sua era, que também fez algumas das músicas mais bonitas deste ano, o que cria aqui um grande elo de comparação. James Blake explora temas semelhantes aos explorados por SILVA, todavia, de forma mais eclética e ás vezes violenta, sonoridades essas ouvidas em "Overgrown"; e Silva explora esses arranjos electrónicos de forma mais etérea, mas com um certo atrevimento, energia, divertimento, que sem esse tornava este álbum aborrecido.
Mesmo no inicio do álbum, encontramos uma das melhores faixas: "2012", que fala do fim do mundo, sem ser de uma forma triste ou mesmo catastrófica, mas como se fosse um alivio, como o próprio canta na música, dizendo: "É o fim do mundo eu que sei, mas eu não sinto mais medo", de forma tão etérea e relaxante.
"12 de Maio" também é uma grande música, mas o momento de grandeza do Álbum chega no fim, com a brilhante "Moletom" que salienta as capacidades de Silva não só no sintetizador, como também no piano ou simplesmente no seu tamanho talento como compositor; e "A Visita", uma alegre música que fala de um rapaz que visita a sua amada, também com brilhantes resultados de Silva no violino, adicionando um toque rural muito original à música.
"Claridão" chega a ser tão divertido de ouvir que ofusca a deprimente e ás vezes triste composição de Silva.
De resto um excelente álbum, digno de audição atenta, para aqueles que apreciam música electrónica na sua vertente mais soft.
Faixas: (As faixas marcadas a azul são as escolhas do MonijoSound!)
"Eu aposto dez euros em como em 16 palavras, nesta crítica, vai-se fazer referência aos Ramones", dizia alguém prestes a ler a critica deste álbum. A verdade é que foram 17, mas a próxima pessoa a fazer uma critica deste "Quase-Ramones", "Lost Control" poderá utilizar muito menos, dado que é impossivel ignorar as muitas semelhanças, neste duo feminino composto por Gwendolyn (Guitarrista) e Lucy (Baterista), duas irmãs de Sacramento que passaram a infância a ouvir a discografia não só de Ramones como também X.
Gwendolyn e Lucy tem ambas 17 e 14 respectivamente, portanto era de esperar letras de amor-juvenil e fracos por rapazes, no entanto estas duas adolescentes, de forma brilhante, transformaram esses temas normalmente de carácter deprimente e melódico, em Punk agressivo, barulhento e visceral, muito por culpa de Chris Woodhouse, que as guiou durante todo o processo de gravação, mas o mérito inteiro é destas raparigas que na sua estreia numa gravadora "Major", (Asian Man) não só melhoraram as suas composições, como também evoluíram em termos sonoros.
"Box of Handkerchiefs" são dois minutos de tortura sonora, onde a Baterista Lucy, acompanha num ritmo rápido e frenético, os dois acordes de Gwendolyn em tom rápido e sem pausas. Puro Punk.
"I can Wait" e "Jet Pack", também testam o ouvinte nas composições mais violentas do álbum.
Embora cheio de momentos agressivos e frenéticos, o álbum também arranja espaço para os temas mais melódicos do álbum: "Best Friend", fala de um romance acabado e de um coração despedaçado, mas em vez de vocais etéreos como seria de esperar neste tipo de composições, Gwendolyn canta de forma decidida como se pusesse um ponto no i. "Alright" termina o álbum, naquela que é a música mais calma do álbum inteiro, também ela uma balada muito bem constituída.
Não sendo perfeito, "Lost Control" acaba por ser um grande álbum, por duas raparigas que tendo ainda muito por provar, criam um dos melhores álbuns de Punk do ano, e se no futuro, os álbuns acabarem por ser de inferior qualidade, este chega, mas o mais certo é isso não acontecer...
Faixas: (Nota: As faixas marcadas a azul são as escolhas do MontijoSound).